Destinno Marcado

                        The Forbidden Mistress

                     Anne Mather




Oliver Ferreira desejava Grace mais do que qualquer mulher que j
conhecera. Grace trabalhava para Tom, o irmo de Oliver, e havia rumores
de que ela era a amante de Tom. O bom senso e a experincia diziam para
Oliver ficar afastado, mas a paixo era mais forte do que a razo e ele
sabia que era apenas uma questo de tempo antes dela tornar-se sua amante
proibida.
                           Digitalizao: Ana Cris
                              Reviso: Crysty



A porta mal fechara atrs dele quando Tom virou-se para Grace.
-- O que houve aqui, Gracie? O que ele queria?
-- Ele disse por que veio aqui --, sentia raiva por ter sido novamente usada.
-- E no me chame de Gracie. No gosto.
-- Ele convidou-a mesmo para jantar? Tem coragem.
-- Por qu? -- Grace estava disposta a discutir.
-- Por que no devia me convidar? Eu sou livre e ele tambm.
-- Se fosse voc, eu no deixaria Sophie ouvir isto. Ela ainda considera
Oliver sua propriedade. Mesmo quando estava comigo, sempre queria saber
dele, bisbilhotando aonde ele ia, com quem dormia.
-- No me interessa. No vou sair com ele, portanto, no importa se Sophie
aprova ou desaprova.




Querida leitora,

Oliver, o heri desta histria, tem falhas, mas  um homem muito atraente.
Grace  uma mulher linda e trabalha para Tom, o irmo de Oliver. Na
verdade, havia rumores de que ela era a amante de Tom. O bom senso pedia
para Oliver ficar afastado de Grace, mas s vezes o instinto e a paixo so
incontrolveis.
Leia e divirta-se com mais um romance tentador, provocante e proibido!
CAPTULO UM


Oliver estava parado, olhando pela extensa janela de vidro, em seu
escritrio no 14 andar, quando o interfone de sua escrivaninha tocou
baixinho.
Suspirando, deu as costas para a vista das ruas de Newcastle, molhadas de
chuva, atravessou o amplo escritrio, apertando o boto que o conectava
com a secretria.
-- Sim? -- falou, secamente e a sra. Clements limpou a garganta, antes de
falar.
-- E seu irmo, sr. Ferreira. -- Ele ficou assombrado. -- Eu disse que estava
ocupado, mas ele insistiu.
Oliver ainda pensava em como seu irmo tivera a petulncia de aparecer
quando escutou um barulho fora do escritrio. Thomas Ferreira no gostava
de esperar e, em seguida, a porta de Oliver se abriu. Um homem alto, de
ombros largos, parou na soleira enfurecido, com a minscula figura da sra.
Clements pairando ansiosa atrs.
-- Que diabo  isso? -- quis saber, as belas feies coradas de raiva. --
Agora preciso marcar para v-lo, Oliver? Sei que faz algum tempo desde
que conversamos, mas acalme-se, sim?
Oliver soltou o boto do interfone e se endireitou, afastando-se da
escrivaninha. Ignorando o irmo, olhou para a sua agitada secretria.
-- Est tudo bem, sra. Clements. Sei que fez o que pde para no deix-lo
entrar.
A sra. Clements apertou as mos.
-- No se esquea da reunio com o sr. Adler s quatro horas, certo, sr.
Ferreira?
-- Ele no esquecer -- falou Thomas rudemente, ocupando a porta.
-- No pretendo tomar-lhe muito tempo, no fique to preocupada. Sou
apenas o irmo dele, no um fiscal de renda.
A sra. Clements ignorou aquele comentrio e conseguiu se esgueirar entre a
porta e aquela figura macia.
-- Posso trazer algo, sr. Ferreira? Talvez um ch ou caf?
-- Desde que no seja uma garrafa de usque -- interrompeu Thomas
sarcstico.
Mas Oliver o ignorou e falou, educadamente.
-- Ch, sra. Clements, se no for muito incmodo?
-- Claro que no  incmodo algum -- Thomas imitou a mulher enquanto
fechava a porta. -- Oliver, com certeza sabe que essa mulher pisa em brasas
se voc pedir. Como a maioria das mulheres.
-- Nem todas -- observou Oliver, sentindo um sbito amargor. Depois, seus
olhos escuros ficaram impacientes. -- O que deseja, Tom? Como ouviu, no
tenho muito tempo.
A resposta de Tom foi se afastar da porta e sentar numa das cadeiras de
couro usadas pelos visitantes.
-- Podemos esperar at a chegada do ch? Eu preferia que a velha sra.
Clements no participasse da conversa.
Oliver escondeu a irritao.
-- A sra. Clements  perfeitamente confivel. Voc no precisa se
preocupar.
-- Ainda assim... -- Tom deu de ombros, olhando-o. -- Eu tinha esquecido a
vista que se tem daqui. Aposto que voc tambm, quando estava internado
em Abbey.
As narinas de Oliver tremeram e ele ficou tentado a empurrar seu irmo
para fora do escritrio. Mas fazer aquilo levaria a mais perguntas do que
respostas e, at ouvir o que Tom queria, resolveu se conter.
No entanto, aquilo no mudou o modo como se sentia ao v-lo novamente. J
fazia quase quatro anos desde que tinham tido uma conversa sria e, embora
se ressentisse do desplante dele aparecer, no podia negar a curiosidade
quanto ao que seu irmo queria.
Alm do mais, talvez fosse hora de deixarem o passado para trs. Tinham
sido bons amigos quando crianas, antes da traio de Tom e do fim do
casamento de Oliver, quando haviam se afastado. O fato do fim do casa-
mento ter sido tanto culpa de Sophie quanto de seu irmo era algo com o
que ele precisava conviver. Afinal, ela era sua esposa e Tom um homem livre.
Lgico que aquilo no mudava o fato de encontrar dificuldade em confiar
novamente no irmo. O divrcio de Oliver e Sophie fora doloroso e
destrutivo e, por meses, o nico consolo que encontrara fora no fundo de um
copo. O comentrio sarcstico de Tom sobre a garrafa de usque e sua
referncia  estada de Oliver em Blackstone Abbey -- um conhecido centro
de desintoxicao de drogas ou lcool -- deixava claro que no estava aqui
para fazer correes em seu comportamento. Provavelmente, ele queria
algo, pensou Oliver, amargo. No passado, no costumava procur-lo.
Sentando-se, Oliver recostou-se e tamborilou, olhando interrogativamente o
outro homem. Tom parecia mais velho, mas ele tambm. Trauma ---
principalmente trauma emocional -- causava aquilo.
-- Como est Sophie? -- Ele perguntou, afinal, resolvendo se superar,
admirado de quo pouca emoo sentia. Por meses depois do divrcio, s de
ouvir o nome dela fazia com que sentisse um incrvel desejo destrutivo. Mas
agora sentia apenas um leve lamento pelo que podia ter sido e uma
recordao cruel de como fora um rematado tolo.
Tom pareceu surpreso.
-- Acho que est bem. Por que no liga para ela e descobre?
Oliver teve de se esforar para no parecer to assombrado quanto se
sentia.
-- Acho que no. -- Depois, quando a sra. Clements reapareceu com uma
bandeja, conseguiu sorrir, murmurando: -- Obrigado.
-- Se precisar de mais alguma coisa,  s chamar -- ela falou,
calorosamente. Os olhos dela pousaram rpido no visitante e Oliver,
praticamente, pde ver o que ela pensava. A sra. Clements era totalmente
leal e ficara chocada e furiosa com a traio de seu irmo.
-- Chamaremos -- respondeu Tom, fazendo-a corar. Ele tambm sabia dos
sentimentos da mulher e este era o seu jeito de lembr-la que a sua opinio
significava menos do que nada para ele.
A porta fechou-se atrs dela, mas Oliver nem tentou tocar a bandeja com o
ch. Se Tom queria ch, que se servisse.
-- O que deseja? -- perguntou, com um suspiro resignado. -- Se  dinheiro,
est perdendo tempo. Alm da minha ex-esposa ter feito de tudo para me
limpar, tem havido muita queda no mercado residencial.
-- No finja que os seus negcios se baseiam em contratos domsticos --
retorquiu Tom, rude. -- Acontece que acabei de fazer um acordo para
projetar o complexo do shopping que vo construir em Vicker's Wharf. --
Ele franziu o rosto, suas feies ficando menos atraentes. -- De qualquer
forma, eu no disse que quero dinheiro. Desde que Sophie investiu quase
tudo que conseguiu com o divrcio no centro de jardinagem, ele vai muito
bem. -- Parou, parecendo hesitar. -- Na verdade, acabei de comprar um
galpo anexo ao centro e espero que tambm possamos vender plantas de
estufa no futuro. Atualmente so muito procuradas, como deve saber.
-- Bom para voc.
Oliver estava contente por saber que os negcios de seu irmo iam bem,
sem problemas de aplaudir o sucesso dele. O centro de jardinagem Ferreira
fora o negcio do pai deles antes de se aposentar, mas Tom fora o nico dos
filhos a compartilhar seu amor pela terra. Desde que Tom assumira o
centro, o interesse por jardinagem tinha permitido que ele praticamente
dobrasse os seus lucros. Aquilo e, claro, a contribuio da ex-esposa de
Oliver.
-- No seja condescendente -- seu irmo murmurou, percebendo claramente
algo alm de simples aprovao na voz de Oliver. -- Nem todos podemos ser
gnios acadmicos. Alguns de ns temos ambies bem mais modestas.
Oliver se controlou para no discutir. Essa era uma rixa antiga,  qual ele
no queria voltar. Tom sabia muito bem que ele no era um gnio e tampouco
acadmico. Mas fora bom em matemtica na escola e trabalhando com
computadores, tivera um progresso automtico. O fato  que o seu diploma
em cincia de computao o levara  carreira em engenharia de
planejamento, o que era to natural para ele quanto trabalhar em
horticultura para seu irmo.
-- Ento, se no  dinheiro, o que quer? No acreditou que veio aqui
perguntar pela minha sade.
-- Por que no? -- A resposta de Tom foi dura e ressentida. -- Ainda  meu
irmo, no ? S porque tivemos nossas diferenas no passado...
-- Seduzir minha esposa e romper meu casamento no pode ser tomado
como "diferenas" -- retorquiu Oliver rudemente.
-- Eu sei -- Tom parecia aborrecido. -- Como disse, tivemos os nossos
problemas, no nego. E no vou negar que fui o culpado. Mas, inferno, eu no
poderia ter seduzido Sophie se ela no estivesse disposta, poderia? Voc
estava sempre ausente, querendo se tornar scio na Faulkner, negligen-
ciando sua esposa, Oliver. Admita.
Oliver cerrou os dentes.
-- No pretendo admitir nada, Tom. E se esta  a sua maneira de justificar
o que fez...
-- No . -- Tom interrompeu-o rapidamente se inclinando  frente, a
expresso triste, suplicante. -- Veja, voc se sentiria um pouco melhor se eu
dissesse que... o que aconteceu foi um erro? Nunca deveria ter ido to
longe. -- Ele mordeu o lbio inferior. -- Eu fui um tolo, um tolo egosta,
arrogante. Voc no lamenta mais do que eu.
Empurrando a cadeira com fora, Oliver se levantou.
--  melhor voc ir embora -- falou irritado, com uma risadinha descrente.
-- Voc no tem preo, sabia? Pensando que vir aqui e dizer que cometeu um
erro... um, entre tudo... seria consolao!
-- Pensei que podia -- murmurou Tom. -- Todos cometemos erros, no ?
-- V embora, Tom. Antes de dizermos algo de que possamos nos
arrepender.
Tom franziu os ombros, mas no se moveu. Oliver olhou para o relgio em
seu pulso. Trs e meia. S fazia quinze minutos desde que Tom chegara?
Respirou fundo, impaciente, olhando sem expresso para a figura forte do
irmo. E agora? O outro homem faria com que ele o botasse para fora?
Embora Tom fosse grande e forte, Oliver era mais musculoso e tinha pelo
menos uns dez centmetros mais do que ele.
Porm, a perspectiva no o agradava. A idia de empurrar seu irmo atravs
da sala da sra. Clements e pelo corredor, ladeado por escritrios dos dois
lados, no parecia boa. J fora duro o bastante suportar a simpatia dos
colegas quando Sophie o deixara e a sua conseqente dependncia de lcool,
que o levara a Blackstone Abbey. No queria relembrar aquilo ou dar a
algum a impresso de que ainda se importava tanto, a ponto de querer
causar danos ao seu irmo. Incrdulo, percebeu que no queria. Tudo o que
sentia era desdm, por Tom imaginar que ele era tolo o bastante de
acreditar em suas mentiras.
-- Veja, tenho uma reunio -- disse, percebendo que ficar com raiva no
faria bem algum. Por algum motivo, Tom estava decidido a ficar ali at dizer
por que viera. E Oliver pressentia de que o pior estava por vir.
-- Eu sei, ouvi o que a velha Clements disse.
-- Ento, sabe que no pode ficar. Sugiro que se v,V antes de bancar o
bobo.
Tom olhou para ele com olhos acusadores.
-- Voc no se preocupa nem um pouco comigo, no ? No se importa com o
que acontece comigo?
-- O que acontece com voc? -- Oliver olhou-o. -- O que  isto? De alguma
forma, espera que tudo fique certo entre ns?
Tom deu de ombros.
-- No exatamente.
-- Aprecio ouvir isto.
-- Voc  to presunoso. Por que nunca percebi isto antes? Voc no se
preocupa com ningum, no , Oliver? Deus, no  de admirar que Sophie
vivia desesperada por afeto, que nunca conseguiria de um sacana frio como
voc!
Oliver contornou a escrivaninha, agarrando a camisa do irmo, erguendo-o
da cadeira antes de conseguir se controlar.
-- Seu miservel filho-da-me -- rosnou, o pulso se afastando para socar o
irmo. Mas, quando ao invs de tentar se defender, Tom apenas fechou os
olhos e se preparou para ser punido, Oliver descobriu que no podia. Com um
safano, afastou-se, andando para a janela, lutando para se recompor.
Depois daquilo, houve um longo silncio. Oliver aproveitou para acalmar a
respirao, afastando a espessa massa de cabelos escuros que tocava o
colarinho. Esticou o palet de seu terno cinza-claro, verificou se a gravata
estava caindo bem sobre os botes perolados da camisa branca e fez o
melhor para lembrar que aqui, ele era a vtima, no o homem aparentemente
humilde que estava sentado imvel, silencioso.
Finalmente, teve que se virar novamente. Faltavam quase vinte minutos para
as quatro e precisava tirar Tom dali antes de Sidney Adler chegar. Adler
era um poltico local que tinha intermediado para a Faulkner receber o
contrato para projetar o novo complexo do shopping. Tambm era o amigo
mais prximo do scio de Oliver, Andrew Faulkner, e no ficaria bem
impressionado por Oliver levar problemas pessoais para o escritrio.
Voltou para a escrivaninha e parou por uns instantes, olhando a cabea baixa
de Tom. Depois, perguntou, secamente:
-- O que voc deseja, Tom? No posso absolv-lo. E duvido que Sophie
gostaria de saber que esteve aqui, falando comigo.
-- Ela no se importaria -- retrucou Tom, tirando um leno do bolso e
assoando o nariz ruidosamente. -- Na verdade, provavelmente eu a assustei.
Queria terminai: o nosso relacionamento tanto quanto eu.
O queixo de Oliver quase caiu.
-- O qu? Veio aqui para me dizer que voc e Sophie se separaram?
-- O que mais? -- murmurou Tom, com um gesto indiferente. -- No momento,
ela est com a me. Como eu disse, foi tudo um terrvel erro.
Eram quase seis horas quando Oliver saiu do escritrio.
Descobriu que Adler se comportava como uma mulher velha, tendo perdido
quase metade do tempo em que estiveram juntos, fofocando sobre outros
burocratas locais. Houve pouca conversa til e Oliver suspeitou que errara,
ao mostrar ao homem a garrafa de usque que guardava para as visitas.
Adler aceitara mais de um copo e agora Oliver sentia-se saciado, com a
quantidade de Coca-Cola Diet que tinha bebido, para acompanhar.
O seu carro estava estacionado na garagem do subsolo. Um Porsche com
doze anos, o presente que Oliver se dera quando viera trabalhar para a
Faulkner Engineering. Tambm, tinha sido o nico luxo que se recusara a
vender quando Sophie o deixara. A casa que eles compartilhavam tinha ido
embora, assim como a maioria de suas coisas. Tambm, o apartamento tipo
estdio para onde se mudara no tinha espao para elas.
Antes do divrcio, ele e Sophie viviam num condomnio fechado, ao norte de
Newcastle. No ficava longe do centro de jardinagem, que tambm estava
localizado num vilarejo, ao norte da cidade, quando eles se encontravam
muito com os pais dele e seu irmo. Mas, desde a aposentadoria do pai, seus
pais passavam pelo menos a metade do ano viajando. Tinham comprado uma
casa no sul da Espanha, lugar dos ancestrais da famlia, e o velho sempre
pensava estar voltando s origens.
Mas lembrar de seus pais invariavelmente fazia Oliver lembrar do irmo.
No tinha sido fcil dissuadi-lo a partir calmamente e Oliver ainda no sabia
o motivo da visita. O que Tom queria? Talvez que perdoasse tudo sabendo
que ele e Sophie tinham se separado? Era ingenuidade demais e Tom no era
to idiota.
Ento, por que viera? Oliver duvidava que voltassem a ser amigos. E se Tom
esperava uma reao diferente, ficaria desapontado.
Passou rapidamente pela sua cabea que Sophie podia t-lo mandado. Se
estivessem separados, talvez ela pensasse em reatar o relacionamento
deles. O que era igualmente ridculo.
De qualquer modo, no desejava reavivar seu relacionamento com sua ex-
esposa. Tinha superado. E nunca tivera certeza quanto a Sophie. A traio
de seu irmo tambm significara muito.
Porm, concordara em encontrar Tom novamente. Fora a nica maneira de
faz-lo sair do escritrio antes de Adler chegar.
Tinham marcado um encontro no dia seguinte, para o almoo, no The Crown,
em Tayford. H anos Oliver visitava o pub, que ficava perto da casa de seus
pais. Felizmente, eles estavam fora, assim, no seriam envolvidos. Ele sabia
que sua me se preocupava por ele estranhar o irmo, e pensava que
acertariam suas diferenas.
Por impulso, Oliver virou na direo oposta ao seu apartamento perto do
porto. Um desejo de ver o centro de jardinagem fez com que se dirigisse
para o norte de Newcastle, na direo do aeroporto. Mas prximo dele virou
para oeste, na direo de Belsay, na estrada que enveredava para a rea
rural da Nortmbria.
Com a chuva cedendo lugar ao sol brilhando na gua de uma tarde de maio,
sentiu um bem-estar incomum. H tempos no passava ali.
Antes de chegar  Belsay, virou novamente  esquerda. O centro de
jardinagem tinha uma sinalizao na estrada principal e ficava a quinhentos
metros, nos limites de Ridsgate, a aldeia prxima a Tayford.
Da estrada, o Ferreira's Plant World parecia um lugar impressionante.
Recentemente, adquirira uma tima reputao e as pessoas vinham de longe
para passear pelos jardins e estufas. Alm disso, havia uma loja, um caf,
uma floricultura e uma rea com brinquedos para crianas. E, mesmo
passando das seis horas, ainda estava funcionando.
Vrios carros estavam parados no estacionamento e, embora no
pretendesse parar, Oliver estacionou o Porsche. Ficou sentado por alguns
minutos, tamborilando na direo, pensando que diabo estava fazendo ali.
Depois, achando que no partiria sem ter certeza que Tom realmente no
estava com dificuldades financeiras, desligou o motor e saiu do carro.
Ele a viu enquanto trancava o carro. Estava perto de uma das estufas,
aparentemente supervisionando o carregamento de sacos de adubo na
carroceria de um utilitrio.
Era alta, facilmente mais de 1,70m e ele pensou que era a sua altura que o
atraa. Mas, com as longas pernas dentro do jeans mais apertado que eleja
vira e um corpo delgado, porm moldado, era notada instantaneamente. Sem
falar de sua beleza luminosa e quente, e da massa de cabelos loiro-
avermelhados, presos numa trana gorda, que sozinha causava impacto.
Talvez tenha sido a intensidade do olhar dele que a fez sentir que a olhava.
Olhos emoldurados por clios escuros, viraram em sua direo e uma
expresso de espanto passou pelo seu rosto. Um dos homens carregando a
caminhonete falou com ela, que afastou o olhar, no antes de um leve sorriso
de dvida -- convite? -- tocar seus lbios generosos.
Achando que estava se deixando levar pela imaginao, Oliver guardou as
chaves e foi para os jardins. Evitando a loja, esperava no ser reconhecido
pelos membros mais velhos do pessoal de Tom.
No havia sinal de Tom e ele no sabia se estava satisfeito ou triste. Agora,
no tinha desculpa para faltar ao encontro deles. No fundo, achava que
tinha esperado poder descobrir o que estava acontecendo, sem perder
tempo com conversa intil.
Caminhou para o outro lado, percebendo que o irmo era to bom quanto a
sua palavra. O trabalho de escavao j comeara no terreno ao lado. Havia
vrias mquinas e o local onde existia a casa do antigo dono estava nivelado.
-- Parece bem feio, no ? -- Uma voz rouca falou, atrs dele. Oliver virou-
se e viu a garota de antes, encostada numa pedra ao lado da cerca. De
perto, Oliver podia ver que a sua pele era acetinada como um pssego, o
nariz reto e no muito grande, os olhos grandes de uma incrvel tonalidade
verde.
-- Parece. -- Enfiou as mos nos bolsos e tentou desviar o olhar. -- Mas
todos os projetos de prdios so assim no incio.
-- E voc deve saber -- disse ela, surpreendendo-o. --  um engenheiro
projetista. -- Quando ele ergueu a sobrancelha, ela acrescentou: --  o
irmo do Tom, Oliver, acho. Ele disse que talvez fosse v-lo hoje.
-- Disse
-- Disse. Mas no disse que viria aqui. -- Ela sorriu, mostrando uma fileira
de dentes iguais, brancos. -- Sou Grace Lovell. Sei que ele gostar de v-lo
-- ela continuou, voltando ao tema anterior. -- A sra. Ferreira disse que tem
andado sumido.
-- Sra. Ferreira? -- Ele no sabia que Sophie ainda se chamava assim.
-- Sua me -- Grace explicou, parecendo ver a confuso dele. -- Eu conheo
muito bem seus pais. Eles passam muito tempo em San Lus.
Oliver reviu a sua opinio inicial.
-- Voc  espanhola?
-- No. Meu pai  americano. Mas trabalha para o governo britnico, por
isso, passei a maior parte da minha vida na Inglaterra.
-- Sei. E a conexo com San Lus?
-- Meus pais tambm tm uma casa em San Lus. Na verdade, foi onde
conheci Tom. E foi como o convenci a me dar esse emprego.
-- E voc gosta? Do emprego, quero dizer.
Ela deu de ombros, se afastando da pedra, e novamente ele ficou atento 
sua altura. S que, diferente de uma modelo, ela tinha curvas mais
generosas e, apesar do fato de no parecer usar suti, seus seios eram
firmes e erguidos...
E de onde vinha aquilo?, pensou. Estava ficando interessado demais.
Inferno. Fazia anos que no percebia os seios de uma mulher estranha. No
era desculpa que o ar frio os deixassem mais perceptveis. Provavelmente,
ela estava gelada, ciente dos mamilos duros contra a camiseta fina. Tambm
estava bem claro que o calor que ele sentia, definitivamente, no era
causado pelo clima.
--  bom -- disse ela, e ele demorou um minuto para perceber que estava
respondendo  pergunta e no desculpando o olhar to pessoal dele. --
Quando sa da faculdade, pensei que queria lecionar, mas, depois de seis
anos trabalhando no interior, achei que precisava mudar de cenrio.
Oliver fez um gesto e eles comearam a andar na direo do prdio
principal. Enquanto andava, ele percebeu que tambm precisava rever a sua
avaliao da idade dela. Pensara que podia ser 22 ou 23, mas, agora, 30 anos
no devia ficar longe da idade certa.
No que importasse. S por ser mais velha do que ele pensara no mudava
em nada a sua posio. Afinal, ele tinha 34 anos, com uma histria que
ningum invejaria e uma namorada atual. Alm do mais, provavelmente teria
um namorado. Era atraente demais para ficar sozinha.
-- H quanto tempo est aqui? -- perguntou, desejando ter uma desculpa
para no ir  loja. Ele no a corrigira quando ela imaginara que ainda no vira
seu irmo, e seria terrivelmente desagradvel se Tom aparecesse.
-- Uns sete meses -- ela sorriu forado. -- Atravessei um dos piores
invernos j registrados! Duas estufas ficaram inundadas. Tivemos que
trabalhar com botas de borracha at os joelhos!
Oliver conseguiu sorrir.
-- Um batismo de fogo.
-- Bem de gua -- corrigiu ela, com humor. Depois, riu. -- Que boba!
Geralmente, os batismos so de gua, no so?
Oliver sorriu e estava para perguntar o que ela pensava do norte da
Inglaterra, quando seu rosto mudou. Suas bochechas ficaram rosadas e ele
pensou como era charmosa. Depois, outra voz feminina falou o seu nome e
ele emitiu um gemido, enquanto se virava, reconhecendo sua ex-esposa.




CAPTULO DOIS


Sophie -- agora Sherwood, ele supunha -- vinha do estacionamento na
direo deles.
-- Oliver -- falou suavemente, antes de olhar rpido para a acompanhante
dele. -- Pensei ter reconhecido o carro. Ah, Oliver,  to bom v-lo!
Era a ltima coisa que ele esperava ouvir. E a mais incrvel. A separao no
fora amigvel. Oliver ficara desgostoso por saber que o romance dela com
Tom j durava meses. E a prpria Sophie tinha se apressado em culp-lo,
acusando-o de negligenci-la e pensar mais em seu trabalho nojento do que
na esposa.
Encontr-la agora, anunciando que era bom v-lo, parecia absurdo. Esperava
no encontr-la mais. No teria vindo aqui hoje se suspeitasse de que ela
estaria por perto.
Com um olhar de esguelha para a jovem ao seu lado, percebeu que no podia
falar livremente. Ao invs, ocultando a irritao, inclinou a cabea.
-- Sophie -- saudou, acrescentando, sem se comprometer. -- Eu no sabia
que voc trabalhava aqui.
-- No trabalho. Mas seu irmo me deve dinheiro. Ele contou? -- Olhou
novamente para Grace. -- O que voc est esperando? Gostaria de falar com
meu marido em particular.
Marido? Oliver franziu o rosto, mas Grace pareceu no se perturbar.
Virando-se para Oliver, ela falou:
-- Talvez nos vejamos mais tarde. Tom no deve demorar.
-- Se ele conseguir se afastar do bar, voc quer dizer? -- falou Sophie
friamente.-- Eu no esperaria sem respirar.
-- Tom no est no bar -- retrucou Grace, tambm friamente. -- Ele tinha
reunies no banco, como deve saber. Alm do mais, no iria demorar,
sabendo que o irmo est esperando por ele.
Mas Tom nem sabia que ele estava l, pensou Oliver, mesmo no querendo
admitir. No daria munio  sua ex-esposa. No sabia o que estava
acontecendo, mas estava claro que ela no gostava da mulher mais jovem.
Por qu? Teria cimes? Ele preferia no continuar com aquele pensamento
ridculo.
-- Que seja -- falou Sophie, adiantando-se e enganchando o brao no dele.
E, mesmo com ele tentando se afastar cuidadosamente, ela insistiu em ficar
bem perto, enquanto o levava na direo dos tanques de peixes tropicais. --
Assim  melhor -- murmurou satisfeita, olhando por sobre o ombro, vendo
Grace olhar um instante para eles e depois se afastar, na direo oposta. O
tom dela era venenoso. -- No sei como aquela mulher se atreve a falar
comigo!
-- Por qu? No gosta dela? -- Oliver parou abruptamente, recusando-se a
continuar sem uma explicao. -- O que h, Sophie? O que Grace fez a voc?
E por que a sbita necessidade da minha companhia? Sei que voc e Tom se
separaram, ento, por favor, no finja que tem algo comigo.
-- Voc viu Tom? -- Esta tarde.
-- Ento ele deve ter contado sobre Grace.
-- Contado o qu? -- Mas Oliver imaginava. Sophie no era exatamente sutil
quanto a questes pessoais.
Ela fungou e balanou a cabea, olhando-o suplicante.
-- Voc no sabe o que tem sido para mim. Desde que aquela mulher veio
trabalhar no centro de jardinagem, as coisas vo de mal a pior.
Criticamente, Oliver olhou em volta.
-- Eu diria que o lugar parece prspero. Ela o corrigiu, sobriamente.
-- Admito que Tom e eu j tnhamos problemas, antes dela chegar. Mas
nunca sonhei que eleja tivesse encontrado a minha substituta.
Oliver teve uma sensao familiar de dj vu. No que tivesse qualquer
inteno de se envolver com algum que trabalhava para seu irmo, mas
saber que Grace Lovell era a mais recente conquista de Tom no era o que
queria ouvir. Era boa demais para seu irmo, pensou duramente. E no
gostaria de v-lo estragar tambm a vida dela.
Devia saber. Quando Tom fora procur-lo naquela tarde, devia ter
adivinhado que havia mais algum envolvido. Desde a adolescncia, Tom
dormira com incontveis mulheres. Claro que nunca se casara com qualquer
uma delas. Nem mesmo Sophie. Por que ele, Oliver, imaginaria que o
relacionamento deles seria diferente?
-- Ele a conheceu na Espanha, no ano passado -- Sophie continuou, tendo a
impresso errada de que Oliver podia estar interessado. -- Ele tinha ido l
antes, quando eu no podia ir junto. No que seus pais quisessem me ver,
pois sou persona non grata.
-- Sophie...
-- Ele se desculpava, dizendo que precisava tratar de negcios com o pai --
ela emendou. -- Eu no tinha motivos para duvidar. Ele e George,
freqentemente ficam juntos na casa de seu pai. Verdade que ele parecia
um pouco distante nessa vez que voltou para casa, mas pensei que fosse a
sade.
Oliver ergueu as mos espalmadas para interromp-la.
-- Isso vai a algum lugar, Sophie? Porque se no, tenho mais o que fazer.
Os olhos de Sophie se encheram de lgrimas.
-- No seja grosseiro comigo, Oliver. No agentaria se me abandonasse.
Sei que me comportei horrivelmente no passado, mas pode acreditar que
agora me arrependo.
-- Sophie...
-- No, escute. Talvez seja culpa minha, Tom ter encontrado outra pessoa.
Eu vivia comparando-o com voc. -- Oliver olhou-a, incrdulo. --  verdade.
Tom e eu nunca deveramos ter ficado juntos. No sei por que acreditei nas
mentiras dele.
-- Chega. Vou embora.
Oliver ouvira o bastante. Agora, a qualquer momento, ela diria que nunca
deixara de am-lo e que esperava que a aceitasse de volta.
Ele virou. Fora loucura ir ali, sem imaginar que reabriria suas mgoas. S
queria ver o centro de jardinagem. Meio que esperava encontrar seu irmo e
acabar com tudo. Agora, no sabia o que pensar. O que Tom realmente
queria dele?
Sophie rompera em lgrimas com as palavras dele. Suas feies plidas e
delicadas estavam apagadas. Estava envelhecida. Divertido, Oliver evitou
compar-la com Grace Lovell. Mas conhecia sua ex-esposa bem demais para
saber que tudo era fingimento.
-- No faa isso, Oliver. Por favor. Precisa me ajudar. Tom diz que no pode
me devolver o dinheiro que investi no negcio e no consigo me manter com o
que ganho na loja de caridade.
O dinheiro que ela investira no negcio era o de seu acordo no divrcio, mas
Oliver no quis lembr-la.
-- Arrume outro emprego -- disse sem delicadeza, indo para o
estacionamento. Tivera problemas demais dos outros para um dia.
-- No posso -- falou Sophie, seguindo-o desesperadamente. -- No tenho
qualificaes. Certamente voc no quer ver sua esposa atrs da caixa de
algum supermercado, no ?
-- Por que no? Outras mulheres fazem isso. -- Oliver parou ao chegar ao
carro. -- E voc no  minha esposa -- acrescentou, sentindo-se bem, pela
primeira vez por dizer aquilo. -- Lamento se as coisas no funcionaram como
voc queria, mas  a vida. Aceite-a.
O queixo de Sophie tremeu uma ttica que, anos atrs, o enternecia. No
mais.
-- Diga ao Tom que no pude esperar -- disse rapidamente e sentou-se 
direo, queimando borracha quando acelerou para sair do estacionamento.
Da janela, Grace viu Oliver partir. O pequeno caf estava fechando e ela
ajudava Lucy Cameron a limpar as mesas, para que a mulher mais velha
pudesse sair na hora. Lucy tinha quatro filhos em idade escolar, e Grace
sabia que ela no gostava de deix-los sozinhos depois de escurecer.
-- Era quem penso? -- perguntou Lucy, juntando-se  Grace na janela,
enquanto o Porsche saa.
-- Quem voc pensa que era?
-- Bem, parecia o irmo de Tom -- falou. -- Sei que ele dirige aquele velho
Porsche por todos os lados. Nem sei por que no compra um carro novo.
Como se no pudesse pagar.
-- Voc o conhece bem? -- perguntou cautelosa, no querendo parecer
interessada demais, e Lucy deu de ombros antes de voltar ao trabalho.
-- Bastante bem. Mesmo fazendo um bom tempo que no aparece por aqui. --
Fez uma pausa. -- Voc estava falando com ele? Ele disse quem era?
-- Eu o reconheci. Ele se parece um pouco com Tom, no acha?  mais
moreno e mais alto. Mas as feies so parecidas.
Lucy olhou-a atentamente.
-- Parece que voc deu uma boa olhada nele. Eu sempre gostei de Oliver.
Fiquei realmente sentida quando ele e o irmo se meteram...
No terminou a frase e Grace achou que tinha se interessado demais em
seus afazeres. O barulho de saltos no cho azulejado indicava que no
estavam mais sozinhas e ficou bastante surpresa quando Sophie Ferreira
veio em sua direo.
-- Onde est Tom? -- perguntou Sophie, brusca. -- Agora pode me dizer.
Percebi que estava tentando proteg-lo de Oliver, mas agora ele se foi.
-- Eu sei -- Grace se recusava a ser intimidada. Nada tinha para se
envergonhar. Ela e Tom eram amigos, nada mais. -- E no sei onde Tom est.
Talvez no bar. Por que no vai l e descobre?
-- No se atreva a me dizer o que fazer. -- A resposta raivosa de Sophie
era sem propsito. Algo que no ia bem. -- De qualquer modo, quando ele
voltar, diga que quero v-lo. Estarei esperando na casa. Ainda tenho a minha
chave.
Grace deu de ombros.
-- Certo. -- Sabia que Tom no gostaria. Ela tambm no gostara muito.
Sophie ver onde dormia a irritava.
-- Certo.
Depois de olhar rapidamente na direo de Lucy, Sophie virou e saiu do
caf. As duas mulheres viram-na atravessar o jardim, indo para o
estacionamento, abrindo a porta de um moderno BMW. Depois, saiu do esta-
cionamento.
-- Bruxa -- falou Lucy, passando por Grace e virando a tabuleta de
"Fechado" na porta. -- Aquela mulher  uma bruxa! No sei o que Oliver viu
nela.
-- Ou Tom -- murmurou Grace.
-- Tom a mereceu. Espero que agora Oliver perceba como teve sorte.
Grace no sabia responder. O divrcio de Sophie e Oliver acontecera muito
antes dela aparecer. Ouvira rumores de que Tom tivera um romance com a
esposa de seu irmo. Tambm ouvira de Tom que Oliver negligenciara Sophie
pelo seu trabalho. E ningum negava a participao de Sophie no
rompimento. De acordo com Tom, fora Sophie quem o encorajara, no o
contrrio.
Grace no queria se meter. A sua prpria posio, como hspede pagante na
casa de Tom, era suficientemente especulada. No entanto, quando viera
trabalhar no centro de jardinagem, Sophie e Tom viviam juntos. Parecera
uma soluo lgica aceitar a oferta de Tom, do quarto extra.
Agora as coisas eram diferentes. Sophie e Tom estavam separados e Grace
no sabia como continuar na casa. O problema  que ficava  mo, perto do
centro. Nos limites de Tayford, no muito longe da casa dos pais dele.
O casal Ferreira tinha sido importante, desde o incio, para ela aceitar a
oferta de Tom. Agora, Grace imaginava se eles percebiam que as coisas no
iam bem entre seu filho e a sua amiga -- que por acaso, era a ex-esposa do
outro filho deles -- esperando que a presena dela fosse apaziguadora. No
funcionara assim. Sophie jamais gostara dela e Tom tentara compensar sua
grosseria.
A questo  que Sophie tinha cimes e comeara a acus-la de se insinuar
para cima de Tom. Grace balanou a cabea enquanto deixava Lucy, indo
para o escritrio, no prdio principal, anexo. Ela gostava de Tom. Quem no
gostava? Ele era uma pessoa fcil. Mas nunca a deixara com aquela pontada
no estmago, sentindo-se desmanchar, como sentira ao encontrar o olhar de
Oliver Ferreira.
Imaginou como seria compartilhar uma casa com Oliver. O seu rosto esguio,
de pele escura e corpo alto e atltico era muito diferente da aparncia
clara do irmo. Oliver no era exatamente bonito, mas muito atraente.
Sexy. No era de admirar Sophie quer-lo de volta.
Grace apostava que queria. Havia muita agressividade em sua voz quando
dissera para Grace sumir. No com tantas palavras, mas Grace a conhecia.
Sophie precisava de um homem em quem se apoiar.
Tremeu, e no era de frio, mas de antecipao. Apesar do que Sophie
dissera, esperava ver Oliver novamente.
Ela no soube o que sentiu vendo Tom no escritrio, trabalhando no
computador. Ele devia saber que Sophie estava por ali e, deliberadamente,
ficara fora do caminho dela. Ento, tambm perdera Oliver. Ou fora de
propsito?
Ele se virou, sorrindo, quando viu quem estava  porta.
-- Oi, como est tudo?
-- Acho que bem. Sophie est na casa, sabia?
-- Sophie? -- Ele fingiu surpresa. Ento, vendo que no podia engan-la, fez
um muxoxo. -- Eu sabia que ela estava aqui. Creio que ainda est reclamando
de dinheiro, no ?
-- Eu no saberia. -- Grace no queria se envolver. -- S quis avis-lo. Para o
caso de voc ter voltado. -- Ela cheirou o ar. -- Esteve bebendo? Sophie
disse ao Oliver que voc estaria no bar, mas eu o defendi.
-- Oliver! -- Agora, Tom parecia surpreso. -- Oliver estava aqui?
-- Voc saberia, se no tivesse passado tanto tempo se escondendo de sua
namorada. Bem, j vou. Vou encontrar uma amiga para um drinque e no
quero me atrasar.
Tom franziu o rosto.
-- Que amiga? -- Ela ficou tentada a dizer que no era da conta dele.
-- Uma amiga da ginstica. -- Ela passava muito de seu tempo livre no centro
de lazer em Ponteland, onde se associara para deixar Tom e Sophie
sozinhos. Ultimamente, gostava de ter um motivo para evitar passar as
noites com Tom. -- Voc no a conhece -- acrescentou. -- Comerei alguma
coisa enquanto estiver fora.
-- Ei -- Tom se levantou. -- Voc ainda no me disse o que Oliver fazia aqui.
Ele queria me ver? -- Depois, sorriu, impaciente. -- Claro que devia querer.
O que mais faria aqui?
-- No sei. De qualquer modo, Sophie grudou nele assim que o viu.
-- Sophie? Inferno, por que no me disse? Ela tinha que aparecer aqui hoje.
-- Isso importa? -- Grace no entendia a agitao dele. -- Voc disse que
iria v-lo hoje. Imaginei que tinha combinado a visita dele.
-- Bem, no foi isso. Fui ao escritrio dele esta tarde. -- Tom olhou para o
relgio e Grace achou que era hora de uma retirada estratgica.
-- Eu o vejo de manh -- disse, resolvendo ir ao cinema, depois do encontro
com Cindy. A ltima coisa que queria era Tom chorando em seu ombro,
depois de uma discusso com Sophie. -- No espere acordado.
Tom praguejou.
-- Por que tem de encontrar essa mulher hoje? Depois do dia que tive,
poderia passar sem as reclamaes de Sophie. Vamos, Grace, voc sabe
como ela . Ser uma nova tentativa de conseguir dinheiro. E no quero
imaginar que ela pode afundar este negcio, se quiser.
-- As coisas esto assim to ruins?
-- Esto. Gostaria de no t-la encorajado a investir.
-- Mas encorajou. -- Grace franziu o rosto, com um pensamento que surgiu.
-- Por isso queria ver Oliver hoje? Espera que ele d fiana?
-- No! -- O tom dele foi duro. Depois, concordou. --- Bem, certo. Talvez
quisesse que me ajudasse.  da famlia, no ? E pode se dar ao luxo.
Assombrada, Grace olhou-o.
-- Voc no pode estar falando srio, Tom. Oliver tem todos os motivos para
odi-lo.
-- Por qu? Por afastar aquela megera dele? Ele devia me agradecer. No
sabe do que se livrou.
-- No creio que Oliver veja assim -- replicou Grace, honestamente. Apesar
do interesse inicial dele, a deixara assim que sua ex-esposa apareceu. E
estava claro que Sophie queria reavivar aquele relacionamento, jogando-se
sobre ele.
-- Ver. Conheo Oliver. Este tambm era o negcio do pai dele, lembra?
No vai querer que feche. Pense em quantas pessoas ficariam
desempregadas.
Grace pensou que ele podia estar certo.
-- Ento, por que no pede ajuda ao seu pai? -- perguntou, curiosa. George
Ferreira no conseguia ficar longe do centro de jardinagem quando voltava
para casa.
-- Meu pai no tem todo esse dinheiro. Sophie ps duzentos mil no negcio.
Como acha que consegui comprar a pequena rea ao lado?
-- E voc acha que Oliver cobrir o investimento dela? -- Ela parecia
incrdula. -- Tom, voc est sonhando.
-- Ele precisa -- murmurou. --  um bom investimento.
-- Voc disse isso quando estava diante dele? Por isso ele veio aqui hoje, ver
como vamos?
-- No. Ele ameaou me atirar para fora do prdio.
--  esse o homem que vai ajud-lo? -- Grace balanou a cabea. -- Caia na
real, Tom. No vai acontecer. Voc ter que ir ao banco novamente.
-- Ele veio aqui, no veio? Eu no pedi que viesse.
-- Curiosidade. Pareceu curioso, s isso.
-- Bem, descobrirei amanh. -- Tom forou um ar otimista. -- Vamos nos
encontrar para o almoo, no The Crown.
-- Certo -- Grace virou-se para a porta. -- Bem, boa sorte com Sophie. Se
eu fosse voc, no a deixaria esperando muito.
-- Ento, no vai mudar de idia?
-- No posso. Lamento. Talvez, se for gentil, ela diminua suas exigncias.
-- Impossvel. Ela quer cada centavo e est determinada. Pense um pouco em
mim enquanto estiver mordiscando salgadinhos com sua amiga.




CAPTULO TRS


-- Preciso de um favor seu.
Tom cercou Grace na cozinha da casa dele, na manh seguinte, enquanto ela
engolia apressada uma xcara de ch, antes de sair para o trabalho.
Pretendia evitar Tom e uma conversa sobre o que acontecera na noite ante-
rior. Mas, milagrosamente, ele estava acordado  mesma hora que ela, vindo
para a cozinha de roupo e descalo.
-- O que ? Fale depressa, pois tenho que abrir nesta manh.
-- Eu tinha esquecido. -- Forou um sorriso. -- Quero que venha comigo
almoar com Oliver.
-- Est brincando!
-- No estou. -- Tom enfiou as mos nos bolsos, parecendo no se preocupar
por ter apenas um n frouxo ocultando dela o que Grace pensou ser um
corpo nu. -- No tenho certeza se ele acredita que Sophie e eu terminamos.
Se nos vir juntos...
-- No -- Grace estava horrorizada. Realmente, precisava encontrar um
lugar para ela. Tom parecia ter a impresso errada de por que ela ficara
depois de Sophie ir embora. -- No quero tomar parte de qualquer acordo
que fizer com seu irmo. E, quanto a Sophie, tenho certeza de que ela
entender muito bem.
-- Notei que no perguntou como foi na noite passada.
-- No  da minha conta. Bem, tenho de ir. So quase oito horas.
-- Ela me deu duas semanas -- disse, como se Grace no tivesse falado nada.
-- Est to disposta quanto eu a envolver Oliver. Assim, ela consegue o
dinheiro e, possivelmente, o homem tambm.
-- No quero saber -- replicou Grace, indo para a porta. -- Eu o vejo mais
tarde.
-- Pense sobre o almoo. Achei que queria salvar o centro de jardinagem
tanto quanto eu.
Aquilo era golpe baixo e Grace apertou os lbios, antes de falar.
-- Por que acha que a minha presena pode fazer diferena?
-- Eu disse. Se ele nos vir juntos, pensar que temos algo...
-- No temos!
-- Ele no precisa saber -- replicou ele com uma expresso que a aborreceu.
Pensava que estava interessada nele. Confiava tanto em sua aparncia
sensual que imaginava ser apenas uma questo de tempo antes dela cair em
seus braos e sua cama.
-- Vou pensar -- ela achava que poderia recusar mais tarde, evitando um
confronto agora. Mas, estava tentada a aceitar. Poderia ver Oliver
novamente.
Alm de ajudar no centro, o principal trabalho de Grace era no escritrio.
Seu diploma de matemtica e suas habilidades no computador haviam
permitido que organizasse as finanas da empresa e esperava fazer uma
pgina na internet para aumentar os pedidos.
Seus colegas de trabalho, uma adolescente que fazia toda a digitao e
arquivo e um homem de idade, que estava l desde a poca do pai de Tom,
aos poucos comeavam a aceit-la. Pensou que, se a perseguio de Tom
ficasse incontrolvel, precisaria ir embora e lamentaria faz-lo.
A manh foi atarefada. Devido  velocidade da renovao de estoque deles,
nessa poca do ano, um pouco do estoque precisava ser comprado fora. Um
enorme caminho continer chegou da Holanda, com um carregamento de
flores da estao e vrias garotas preparavam buqus de noiva e enfeites
de damas de honra para os casamentos do dia seguinte.
Tom chegou por volta das nove e meia, elegante num terno cinza e camisa
branca. Certamente por causa de Oliver, Grace pensou, olhando desapontada
para seus jeans e camiseta de algodo. Se mudasse de idia, teria que se
trocar. O The Crown era um lugar bem informal, mas no como o caf do
centro de jardinagem, onde os freqentadores eram, na sua maioria, casais
de idade e famlias com crianas, querendo apenas um lanche ou drinque
antes de ir para casa.
-- Estarei por aqui, se algum me procurar -- Tom anunciou e Gina Robb, que
tinha uma queda por ele. Ela sorriu provocante.
-- Quer companhia?
Tem sorriu. Sempre gostava quando as mulheres se mostravam atradas por
ele.
-- No trabalharamos muito se eu quisesse -- respondeu e Grace manteve
os olhos fixos na tela de seu computador.
Omo se sentindo o desinteresse dela, Tom perguntou:
-- Est tudo bem, Grace? -- Ela teve que confirmar. -- pensou melhor sobre
o almoo? -- Ela cerrou os dentas. Era exatamente o tipo de comentrio que
Gina queria ouvir.
Erguendo os olhos, respondeu.
-- Realmente no. Por que no leva a Gina?
-- Ah, desculpe. -- Ele conseguiu parecer lamentar, enquanto lanava um
olhar para a desapontada adolescente. -- Grace  o gnio financeiro aqui,
Gina. Preciso da experincia dela. Voc ficaria entediada. -- Falarei com
voc mais tarde, Grace -- ele falou, demonstrando que agora ela teria de
acompanh-lo. Se no o fizesse, Gina ficaria ofendida e ela no queria minar
a autoridade te Tom.
Na pausa para o caf, quando Gina foi para a sala das floristas, fofocar com
as garotas que preparavam os arranjos, Grace saiu e foi para a casa. Pegou o
carro de Tomi, para apressar as coisas, pois andava at o trabalho, 'arando
ao lado do chal que Tom tinha comprado quando estava com Sophie, pegou a
bolsa e correu para dentro. Se fosse rpida, ningum notaria sua ausncia.
O que vestir? Olhando o seu limitado guarda-roupa, Grace ficou indecisa. A
maioria de suas roupas ainda estava na casa dos pais, em Londres.
Acabou escolhendo uma blusa preta de gola em V e calas justas, caqui, com
um par de botas de salto alto. Bom o. bastante para o The Crown, pensou,
tirando a roupa rapidamente.
Teria tempo para um banho? Olhou para o relgio, vendo que tinha. Podia
fazer uma maquiagem leve mais tarde. Separou sombra, delineador e
mscara.
Estava se secando, depois do banho, quando imaginou ter ouvido algo. Ou
algum, pensou nervosa, enrolando a toalha no corpo. Apesar de Tayford ser
um lugar bastante seguro, Grace passara muito tempo em Nova York e
Londres, e ficava logo ansiosa. Teria trancado a porta ao entrar? Talvez
no. Droga, um ladro veria o carro e saberia que algum estava em casa.
Abrindo a porta do banheiro, saiu de seu quarto. Suas roupas ainda estavam
na cama. Pensava em ir para o banheiro se vestir quando ouviu passos.
Seu corao pulou. Havia algum na casa. Quem? Talvez a sra. Reynolds, a
empregada de Tom? Ela no costumava vir s sextas-feiras.
S havia uma maneira de descobrir e, pensando que roupas no impediriam
um possvel atacante, abriu a porta do quarto. Perdeu o flego. Tom estava
parado, olhando-a com clara satisfao.
-- Ento, voc est aqui -- falou, sorrindo, e ela soube que este no era um
encontro ocasional.
A raiva assumiu o lugar da apreenso.
-- O que est fazendo aqui? -- exigiu, mostrando no gostar da invaso dele.
-- Esta  a minha casa -- ele falou suavemente, com um sorriso irnico. --
Tenho o direito de vir aqui, se quiser.
Grace cerrou os lbios. Estava certo.
-- Desculpe. Fiquei assustada quando ouvi barulho de algum na casa. --
Respirou fundo. -- Esqueceu algo?
-- Pensei em tomar um banho.
-- Achei que tivesse tomado de manh. Ele deu de ombros.
-- Estou precisando de outro. Voc sabe que tem muita poeira na obra.
Grace encolheu os ombros, voltando para seu quarto.
-- Certo. Vejo voc no escritrio.
-- Podamos voltar juntos -- sugeriu ele, enquanto ela fechava a porta sem
responder.
Ela levou exatamente quatro minutos para se vestir. S depois de afivelar o
cinto da cala  que voltou a respirar. Por Deus, ela dormia na casa e Tom
nunca invadira a sua privacidade.
Seus cabelos estavam um pouco mais compridos. No os lavara, mas escovou
e prendeu novamente. Depois, sentindo-se arrumada o bastante, ps a
maquiagem na bolsa e saiu do quarto.
Descia as escadas quando a campainha tocou. Quem seria? Queria voltar
para o centro de jardinagem antes que Tom reaparecesse. Abrindo a porta,
preparou-se para dar uma resposta curta a qualquer vendedor que estivesse
l e sentiu um bolo no estmago ao ver o homem parado do lado de fora.
No sabia por que Oliver Ferreira causava este efeito nela, mesmo sem ele
demonstrar qualquer interesse especial.
Ainda assim, o simples olhar no rosto esguio dele e seu corpo musculoso a
fez lutar para controlar um sentimento que mal reconhecia e sentiu vontade
de toc-lo, como se no fosse real. Mas os olhos escuros sombreados por
longos clios que faziam seus nervos retesar eram reais. Ele era mais
atraente do que lembrava.-- Grace -- disse claramente surpreso e, embora
ela estivesse lisonjeada por ter lembrado do seu nome, o franzido de suas
sobrancelhas escuras no era encoraja-dor. Instantaneamente, soube o que
ele pensava. Felizmente, no chegara antes, quando estava meio vestida.
-- Oi. -- Ela soou sem flego, sentindo-se infeliz. -- Voc veio do centro de
jardinagem?
-- Na verdade, estava procurando pelo Tom. -- Seus olhos passaram por ela,
olhando para a escada, atrs.
-- Encontrou -- disse Tom. Ela olhou por sobre o ombro, sem acreditar. Tom
descia as escadas, enrolado apenas numa toalha. -- Entre, Oliver -- saudou,
calorosamente. -- Bill disse que estvamos aqui?
Grace sentou-se numa banqueta no bar, sorvendo seu ch gelado com um
canudo. Tom e Oliver estavam sentados perto, cada um com seu copo. O de
Tom, com cerveja. O de Oliver, com Coca-Cola Diet. Ela percebeu que Oliver
mal o tocava. S aceitara por educao.
Da sua parte, Grace teria preferido uma Coca-Cola com rum, s para elevar
o esprito. O dia ia de mal a pior, desde que pedira para Tom levar Gina com
ele. Agora, ali estava, no The Crown, desejando que o cho se abrisse e a
engolisse. Oliver mal lhe dirigira a palavra desde o aparecimento
embaraoso de Tom. Quem o culparia? As implicaes dela e Tom estarem
em casa no meio do dia pareciam esclarecedoras.
Sentia-se humilhada. No imaginava que Oliver viria procurar pelo irmo na
casa. Ou que Tom apareceria, seminu, aumentando as suspeitas de Oliver.
Provavelmente, ele no sabia que ela ainda morava na casa de Tom. Aquela
seria uma pequena fofoca, que Sophie adoraria.
Talvez s estivesse se enganando, achando Oliver surpreso quando ela
atendeu a porta. Por que ele se importaria? Certamente, no ficara sem uma
companhia feminina desde que Sophie o deixara.
Tentou escutar o que Oliver e Tom falavam. Parecia que falavam do tempo, o
que era ridculo. Imaginou quando Tom ia entrar no verdadeiro motivo da
reunio. Se ela fosse Oliver, no aceitaria o ar de bonzinho de Tom por um
minuto sequer.
-- Sua mesa est pronta, sr. Ferreira.
A garonete apareceu bem quando Grace pensava em dar uma desculpa e ir
embora, e Tom acenou, agradecendo, antes de esvaziar o copo. Oliver, por
sua vez, deixou o copo intocado e ergueu a mo para ajud-la a descer da
banqueta. Por um momento, os dedos frios apertaram seu brao e os olhos
dela procuraram os dele. Mas ele no a olhava e nem parecia sentir o calor
que percorreu suas veias ao toque dele.
O restaurante no estava cheio. Ainda era cedo, mas desde o incio, Oliver
mostrara querer acabar logo com a reunio. Grace adivinhava ser o motivo
por ele ter ido  casa de Tom, vendo que ele no estava no centro de
jardinagem. Talvez quisesse evitar um encontro formal num lugar pblico
como o The Crown.
S que Tom insistira para Oliver voltar ao centro e ver como os negcios
iam bem. Assim, Oliver dirigira para l com Tom em seu carro, enquanto
Grace pegara o Volvo, como antes.
Mas o resto da manh no correu bem. Oliver revira as pessoas que
trabalhavam l desde a poca de seu pai e Tom fizera o melhor para se
comportar como se no enfrentasse a runa. Enquanto isso, Grace tentara se
concentrar na pgina que estava fazendo para a internet. Queria expandir o
comrcio virtual dos Ferreira, anunciando on line.
Estavam sentados perto da janela. Com os cardpios distribudos, Grace
olhava as entradas com o corao apertado. No estava com fome e,
sinceramente, sentia-se enjoada. Nem podia olhar para o rosto falso de
Tom, sem se lembrar da maneira deliberada como tentara enganar seu
irmo.
-- O que vai querer? -- Para seu desgosto, Tom inclinou-se para ela e
examinou o cardpio sobre o seu ombro, falando. -- O fil e a torta de rim
so timos. O carneiro tambm.  criado aqui, voc sabe.
Grace conseguiu controlar o desejo de se afastar e deu de ombros.
-- S quero uma salada. Estou acostuma a comer s um sanduche no almoo.
-- Mais um motivo para se fartar hoje -- declarou Tom, no entendendo a
mensagem. -- V em frente, os negcios podem garantir o pagamento. -- Ele
fez uma pausa e acrescentou. -- Ou poderiam, se a esposa de Oliver no
estivesse tentando me levar  falncia.
Grace lanou um olhar agoniado na direo de Oliver. Mas, embora
esperasse que ele dissesse algo, mesmo que fosse apenas para dizer que
Sophie era sua ex-esposa, ele continuou olhando o cardpio, sem comen-
trios.
Por fim, ele falou:
-- Creio que vou comer um hambrguer. -- S ento seu olhar encontrou
rapidamente o de Grace. Era um olhar sem expresso, que a fez gelar.
-- Ah, ningum vai querer uma entrada? -- protestou Tom. -- Isto devia ser
uma ocasio social. Vocs dois esto se comportando como se estivssemos
comendo na lanchonete local.
-- Talvez devssemos -- falou Oliver, mesmo que, claramente, no dissesse
o que seu irmo queria ouvir. -- Se, como voc tem tentado demonstrar,
estiver  beira da falncia.
-- O negcio no est  beira da falncia--retorquiu Tom, raivoso. -- E voc
sabe. Se apenas tivesse olhado os livros...
-- J escolheram?
A garonete estava atrs deles, pronta para anotar os pedidos e os dois
homens foram forados a interromper a discusso, resolvendo o que
queriam. Grace se decidiu por uma salada de presunto e Oliver confirmou o
que dissera, pedindo um hambrguer. Tom pediu a mesma coisa.
-- Algo para beber?
A garonete esperou. Tom olhou para Oliver e Grace. Depois, impaciente,
exclamou.
-- Apenas uma garrafa de gua mineral gasosa, Stacey. Obrigado.
Precisamos da cabea clara para negcios -- completou irnico.
A garonete foi embora e Grace sentiu um sbito interesse pelo jogo
americano sob o seu prato. No queria estar aqui, pensou, e Tom fizera
parecer importante. E ela nem sabia por que a queria aqui. Nem com o irmo
dele desgostoso com a sua companhia.
-- Sabe quando mame e papai viro para casa? -- perguntou Oliver,
quebrando o horrvel silncio. Tom olhou-o estranhamente.
-- O papai no pode me ajudar, se  o que est pensando -- ele respondeu. --
Nem todos atramos dinheiro como voc. Ele fez alguns investimentos ruins
recentemente. Sabe como  o mercado de aes. Da ltima vez que soube,
ele estava pensando em vender a casa em San Lus e comprar um
apartamento num daqueles condomnios de frias.
Grace viu as sobrancelhas de Oliver se juntando.
-- Voc no est falando srio.
-- Por que no? Muitas pessoas fazem isso. Especialmente as que esto
ficando como eles.
O rosto de Oliver endureceu.
-- Papai detestaria morar num apartamento, e voc sabe disso. Metade do
prazer dele em ter a casa  o terreno. Ele  um jardineiro, Tom, no um
vagabundo de praia!
Tom deu de ombros.
-- Isso no  problema meu. Oliver olhou-o fixamente.
-- Ele  seu pai!
-- E voc, meu irmo, e muito bom no que fez para mim.
Os olhos de Oliver se estreitaram.
-- Est dizendo que  minha culpa?
Pelo menos, Tom teve a decncia de abaixar a cabea, mas suas palavras
foram grosseiras.
-- No exatamente. Mas devia ter me alertado quanto a Sophie. Droga, voc
devia saber como ela era.
Grace no sabia para onde olhar. J era suficiente estar presente numa
reunio de famlia. Pior era ouvir Tom discutir a vida pessoal do irmo em
pblico.
Independente do que pensava e sentia, Oliver fora casado com Sophie por
seis anos. E, a julgar por como se portara no dia anterior, ainda se
preocupava com ela.
Agora, Oliver olhava quase divertido para seu irmo.
-- Ento, eu devia ter avisado ao homem que estava dormindo com a minha
esposa que ela no era confivel -- ele falou, pensativo. -- Voc esqueceu
onde ela conseguiu o dinheiro para investir no negcio, ou pensa que vendi a
minha casa porque no conseguia agentar as lembranas infelizes que ela
guardava?
Tom corou e depois, pareceu subitamente envelhecido.
-- Voc podia. Eu no posso.
-- Eu no podia -- disse Oliver duramente. -- Ela tirou metade de tudo o que
eu tinha. Por que acha que moro num estdio? Aprendi a nunca mais confiar
numa mulher.
Tom olhou de esguelha para Grace, que fechou os olhos, querendo que tudo
acabasse. Imaginava que Oliver pensava o mesmo.
-- Todos sabemos que no  um apartamento comum
-- insistiu Tom e ela engoliu um gemido. -- Eu gostaria de poder morar em
Myer's Wharf.
A expresso de Oliver enrijeceu.
-- Onde moro no  relevante -- disse, enquanto a garonete voltava com os
hambrgueres e a salada. -- Tenho certeza de que Grace est cansada de
nos ouvir discutir. -- Olhou para seu prato, com aparente entusiasmo. --
Mmm, parece bom.
Grace deu um sorriso de gratido, mas no teve certeza se ele notou, ou se
apenas no se importou. Ainda assim, esperava desesperadamente que a
comida mantivesse Tom de boca ocupada o bastante para ela conseguir
comer um pouco de sua salada. Talvez pudesse ir embora antes do caf.
Podia pegar um txi. Porm devia saber que no era assim.
-- Ento, voc est decidido a no me ajudar -- quis saber Tom, o rosto
desafiador. Apontou um dedo para o irmo. -- S espero que consiga dormir
quando os negcios espatifarem.
-- Espere a. -- Aparentemente, Oliver tivera o suficiente e, embora o olhar
lanado para Grace fosse impaciente, no hesitou, antes de continuar: --
Voc escolheu a vida que tem agora, ento, assuma. No  minha culpa se
est levando chute na b... nos dentes!
Tom rosnou e empurrou o prato para o lado, quase derrubando a gua. -- Vou
ao banheiro -- anunciou em voz alta. -- Voc fala com ele, Grace. Tente
enfiar na cabea dele que no sou o patife que ele pensa.




CAPTULO QUATRO


Vou sair daqui logo, Oliver pensou, duramente. Por que diabo fora ao centro
de jardinagem ao invs de ir direto para o restaurante?
Sabia. Grace Lovell, sentada diante dele, cuja beleza morna e corpo
curvilneo atormentavam seus sonhos.
Linda tal como ele imaginara. Os olhos verdes e os gloriosos cabelos,
realados pela blusa. Pensou como seriam numa corrente sedosa acobreada
sobre um travesseiro. O seu travesseiro. Ele e Tom estariam destinados a
querer as mesmas mulheres?
No. Afastou o pensamento. Estava sim, atrado por Grace Lovell, mas no
pretendia tomar qualquer atitude. Estava bvio, como Sophie dissera que ela
e seu irmo tinham algo. Se tivesse quaisquer dvidas, elas haviam sido
afastadas ao encontr-los na casa de Tom.
-- Lamento -- falou subitamente e Oliver percebeu que ela estava se
desculpando pelo seu irmo.
-- Eu tambm -- retrucou ele educadamente. No havia razo de ser
indelicado com ela s porque Tom era um idiota. Olhou em volta. --
Normalmente  aqui que voc e Tom almoam?
Aquilo era pouco melhor do que "voc vem aqui com freqncia?", ele gemeu
internamente. No ficou surpreso com o olhar dela.
-- No. Geralmente como um sanduche na lanchonete. Imagino que voc
almoce sempre com clientes.
-- De jeito nenhum -- Oliver ficou assombrado pela suposio dela e olhou
para a porta onde Tom desaparecera, nem sinal de seu irmo. -- s vezes
sou forado a ser gentil. Mas no passo todo o meu tempo lambendo meus
clientes.
Ela olhou-o por entre os clios.
-- No posso imaginar voc lambendo algum -- falou, ligeiramente
ofegante, e Oliver sentiu-se enrijecer, percebendo que ela flertava com ele.
Ele podia se imaginar lambendo-a. Seus olhos deslizaram pelos seios
redondos. Quase podia imaginar o gosto dela, de seus mamilos duros e
inchados. A pele dela devia ser suave e, como era quente, talvez um pouco
salgada. Ainda que ela no pudesse ser to quente quanto ele, pensou,
ajeitando sorrateiramente a cala apertada.
-- Voc no se parece nem um pouco com Tom. -- Ele  mais novo do que
voc, no ? -- Seus olhos encontraram os dele. -- Talvez por isso ele sinta
que precisa competir.
-- Precisa competir? -- Oliver queria saber aonde isso ia. Ser que Tom a
deixara para suaviz-lo para conseguir o que queria?
-- Acho que sim. -- Os olhos dela baixaram. Pegou, sem interesse um pouco
de salada, evitando olh-lo. -- Mas ele no pode, e sabe disso. Voc  o bem-
sucedido e ele o inveja.
--  mesmo? Imagino que foi por isso que ele seduziu a minha esposa e a
encorajou a conseguir um divrcio.
-- Talvez. -- Um leve rosado coloriu o rosto dela. -- Se ela foi capaz de ser
seduzida, talvez o casamento no estivesse funcionando. Pelo que soube,
voc nunca estava por perto quando ela precisava de voc.
-- Sophie  uma pessoa muito carente -- disse ele, seco.
-- E voc no ?
-- Eu no sou o qu?
-- Uma pessoa carente -- respondeu roucamente, e ele pensou o que mais
ouvira sobre ele.
-- Se isto  algum rodeio para me dizer que sabe que tive um problema com
bebida, pode dizer. -- Ele foi spero. -- No tenho vergonha de admitir.
Quando meu casamento se desfez, fiquei aos pedaos por um tempo.
O rosto de Grace ficou vermelho.
-- No quis dizer isto -- disse, sem negar ter conhecimento.
-- Certo. -- Fazia tempo que no se sentia to embaraado. Pensou no que
dizer e ento falou secamente: -- Atrevo-me a dizer que voc concorda com
Sophie. Certamente conhece Tom muito bem.
Grace franziu o rosto.
-- No sei quanto a Sophie, mas claro que conheo Tom. Ele foi gentil em me
oferecer esse emprego, sem saber de minhas qualificaes.
-- Bom para ele. Obviamente,  muito mais atraente do que eu.
-- Eu no disse isso -- retorquiu Grace. -- Voc  um homem muito atraente
e sabe disso. Pelo menos, assim acho.
Inicialmente, Oliver ficou na defensiva. Depois, percebeu o que estava
acontecendo.
-- Imagino que esse seja o verdadeiro motivo por Tom traz-la junto --
falou, achando que a sua primeira impresso estava certa. -- Ele foi ao
banheiro, dando tempo de voc usar seus poderes de seduo e me fazer
mudar de idia?
-- No! -- Grace ficou horrorizada e Oliver achou que ela era tima atriz, ou
talvez fosse sincera. -- Se quer saber -- disse, tensa --, ele queria que voc
acreditasse que estamos juntos, para que aceitasse o fato dele no estar
interessado em sua ex-esposa.
-- Ah, eu sei que ele no est interessado em Sophie. Grace pareceu
estranhar.
-- Bem, ento entendi errado. E posso entender a sua amargura. Voc e
Sophie foram casados por tanto tempo.
Subitamente, Oliver sentiu-se irritado. No queria a simpatia dela.
-- No sou amargo -- quando ele falou, percebeu que era verdade. No era.
-- Como voc disse, provavelmente houve erros dos dois lados.
Grace hesitou.
-- Voc... tiveram filhos?
Os lbios de Oliver apertaram.
-- No. Acho que  outro ponto contra mim.
-- Voc no queria uma famlia?
-- Isso  da minha conta, no acha?
-- Eu gostaria de ter uma famlia -- de repente, sua voz estava baixa e
ntima. -- Acredite, ser filha nica no  bom.
Oliver ficou perturbado com as imagens que suas palavras criaram. Podia
imagin-la tendo um beb, a figura esbelta inchada com a criana que
carregava. A criana de Tom, pensou, afastando qualquer outra alternativa.
Era difcil pensar que seu irmo daria um bom pai.
-- Tenho certeza de que conseguir o que quer -- ele olhou em volta,
pensando onde diabos seu irmo se metera.
-- Voc pensa em casar de novo?
Grace parecia determinada a faz-lo falar e Oliver olhou-a fixamente.
-- No se puder. Penso em seguir o exemplo do meu irmo. Por que comprar
um livro se pode se associar a uma biblioteca?
-- Voc no  disso. -- O rosto dela no mostrava o desagrado que ele
esperava. -- Como eu disse, voc no  como Tom.
-- Posso ser. Voc no me conhece.
-- No. Mas se fosse, no teria me acusado de vir para seduzi-lo. No que eu
quisesse fazer isso, mas se quisesse voc teria aceitado.
Oliver no pde deixar de ficar intrigado com a candura dela.
Est dizendo que eu podia me comportar como o tom e tentar seduzir a
namorada dele? No sou to previsvel.
-- Por que no? No me acha atraente?
Oliver cerrou os lbios, no pretendia dar aquela satisfao a Tom. Ento,
para seu alvio, o irmo voltou para a mesa e no respondeu.
-- Caf? -- perguntou, enquanto Tom grunhia e se largava na cadeira.
-- Por que no? -- ele falou, lanando um olhar inquisidor a Grace. -- No
estamos com pressa, estamos, nen?
-- Voc pode no estar -- retorquiu ela, surpreendendo os dois quando
levantou, pegando sua bolsa e casaco. Evitando os olhos de Oliver, ela
acrescentou, secamente -- Foi timo conversarmos, sr. Ferreira. Tom, eu o
verei no escritrio.
Sr. Ferreira?
Oliver ainda digeria isso quando Tom se levantou para protestar, fazendo-o
imaginar onde estaria seu irmo na longa ausncia. Apostava que no no
banheiro.
-- Voc no pode fazer isso -- exclamou Tom, irritado, enquanto Oliver,
hesitante, se levantou. -- Voc no tem transporte.
-- Posso pegar um txi -- respondeu Grace, indo para a porta. Oliver foi
forado a aceitar que no podia segui-la, quando Tom sentou-se.
Grace acabou indo a p. Era mais seguro do que esperar na porta do
restaurante, correndo o risco dos irmos resolverem sair. Ficaria feliz se
nunca mais tivesse que ver qualquer um deles, o que era pattico. Ela nunca
bancara a tola e s queria ficar num lugar protegido, para lamber as suas
feridas em particular.
Gemeu internamente, lembrando do seu erro crasso. Realmente perguntara
se Oliver a achava atraente? Deus! Desde o incio, estava claro o que ele
pensava dela e atraente no fazia parte daquilo.
Quanto a Tom, detestara o comportamento dele. Oliver devia ter-se
imaginado almoando com um par de degenerados.
A caminhada para o centro de jardinagem era de quase dois quilmetros e,
ao chegar l, seus tornozelos doam. Ela no esperava andar tanto com as
botas de salto alto por estradas to irregulares.
Quinze minutos depois, quando entrou no escritrio, Gina olhou-a
questionando, no fez qualquer comentrio. Grace foi para sua escrivaninha,
onde tirou as botas, refrescando os ps quentes no piso azulejado. Se
apenas os seus problemas curassem to facilmente.
Estava furiosa com Tom por ter insistido que almoasse com eles.
Sabia o motivo. De um jeito ou de outro, Tom dava a impresso de que ela
estava interessada nele. No estava e nunca estivera. Quando o conhecera,
achara que era divertido e pensara que era como o pai dele, um homem leve,
de bom humor, que adorava apenas poder pr as mos na terra.
Mas, no era como George Ferreira. O centro de jardinagem era apenas um
meio para um fim. Ele queria ser to bem-sucedido quanto o irmo e, como
no tinha crebro para segui-lo numa universidade, fingira interesse por
jardinagem, para persuadir seu pai a deixar o centro para ele.
Lgico que ela no sabia daquilo quando aceitara o emprego. Ficara
realmente grata pela oportunidade. Ainda estava, mas gratido era tudo.
Sem qualquer desejo oculto de ocupar o lugar de Sophie. At conhecer
Oliver Ferreira, imaginava que no queria outro homem em sua vida.
Seus lbios apertaram enquanto fazia aparecer na tela o site em que
trabalhava. Ordenou-se parar de pensar, estudando sem entusiasmo, os
grficos que desenhara para a abertura. A sua experincia com homens,
ainda que pequena, no fora especialmente bem-sucedida. Por que pensara
que Oliver Ferreira era diferente dos outros com quem sara? Ser bonita,
ela pensou sem falsa modstia, parecia criar mais problemas do que resolv-
los.
E podia imaginar como Tom reagiria se descobrisse que ela flertara com seu
irmo. E Oliver deixara dolorosamente claro que a considerava -- e ao seu
comportamento -- um embarao.
Tinha acabado de se garantir que no ia se preocupar quando Tom chegou,
entrando impetuosamente no escritrio. J fazia quase uma hora que ela os
deixara no The Crown. Grace esperava que o resto do encontro tivesse sido
melhor do que quando partira. Mas, um olhai para o rosto de seu empregador
foi suficiente para afastar aquele desejo, alm de dizer "Venha no meu
escritrio, Grace", sem qualquer considerao pelo trabalho que fazia.
At Gina olhou-a com simpatia quando foi forada a calar os ps doloridos
nas botas e deixar o computador. Atravessou o escritrio, tentando
esconder seu ressentimento.
-- Feche a porta.
A voz de Tom foi brusca, mas Grace apenas encostou a porta, recusando
obedecer ordens grosseiras. Alm do mais, se fosse despedi-la, queria que
Bill e Gina escutassem. No sabia muito sobre demisses injustas, mas o
termo "assdio sexual" parecia se adaptar.
Tom afundou na cadeira e, sem prembulos, exigiu:
-- Por que diabo voc fugiu daquele jeito? O que ele falou? Se a insultou,
quebrarei aquele pescoo maldito!
Grace pensou que precisaria algum maior e muito mais forte para quebrar o
pescoo de Oliver Ferreira, mas guardou seus pensamentos.
-- No -- respondeu, parada diante da escrivaninha. -- Na verdade, ele foi
muito... gentil. Muito educado.
-- Ento, esse pilar de polidez nada disse para ofend-la?
-- No.
-- Ento, voc se importa de me dizer por que saiu correndo do Crown como
se o prprio Satans estivesse em seus calcanhares?
No o fiz. -- Umedeceu os lbios, para ganhar tempo de ensaiar um
argumento. -- Mmm... senti vontade. Voc tinha sumido, parecendo que para
sempre, e ns, isto , Oliver e eu, nada tnhamos a dizer um ao outro.
Tom no pareceu acreditar.
-- Vocs devem ter falado sobre algo.
-- Falamos. -- Pensou como se sair daquilo. -- Por Deus, onde voc estava? E
no finja que passou vinte minutos inteiros no banheiro!
-- Certo -- ele falou, na defensiva. -- Estava no bar.
Por que no? O sacana estava gostando da minha humilhao.
-- No creio que seja verdade. -- Grace no podia deix-lo falar mal do
irmo. -- Eu disse a voc que no era razovel esperar que Oliver o
ajudasse. Durante mais de quatro anos, voc mal falou com ele.
-- Qual  o seu ponto?
-- Voc sabe, Tom. -- Respeitando a privacidade dele, ela encostou na porta,
at fech-la. -- Voc se colocou nessa baguna. Agora tem que se livrar dela
sozinho. Fale novamente com Sophie, pea mais tempo.
-- Contei o que ela disse na noite passada, enquanto estava fora, se
divertindo.
Grace no o contradisse.
-- Bem, duas semanas  um comeo. E certamente, depois de viverem juntos
tanto tempo, ela ainda tem algum afeto por voc.
-- Sophie s tem afeto por si mesma. No se importa quem ela magoa desde
que tenha o que deseja. Ela quer Oliver de volta, eu sei. Tenho pena dele, se
aceitar.
CAPITULO CINCO


Oliver pediu a conta, imaginando por que a noite no tinha sido to agradvel
quanto esperava.
Estava tudo l: um restaurante ntimo, com atmosfera adequada; bom vinho
e boa comida; e a companhia de uma mulher que ele conhecia e gostava, h
seis meses, que at recentemente pensava seriamente em fazer parte
permanente de sua vida.
No que casamento estivesse em seus planos. Achava que ele e Miranda se
entendiam e o relacionamento deles sempre se baseara em amizade,
entendimento e sexo. Era advogada de uma empresa, treinada em Londres e
trabalhando em Newcastle, divorciada como ele e, depois de se conhecerem
num coquetel de seu scio, Andy Faulkner, tinham descoberto interesses em
comum.
Porm, de certa forma, a noite se tornara amarga, com discusses sobre
bobagens.
A conta paga, saram para o ar frio e mido de chuva, encontrando um txi 
espera, que Oliver pedira para chamar, e Miranda correu para o carro.
Oliver a acompanhou, ajudando-a gentilmente. Mas, ainda que ela esperasse
claramente que ele fosse junto, se desculpou.
-- Vou andar at em casa -- falou, sabendo que as palavras encerravam a
noite. Miranda esperava que ele a acompanhasse como em outras ocasies,
passando a noite no confortvel apartamento dela. Ento, por que tal pers-
pectiva, subitamente, parecia to pouco atraente?
-- Certo -- respondeu ela, parecendo magoada. E curiosa tambm, pensou.
-- Ligarei amanh -- disse ele, inclinando-se para beijar ligeiramente os
lbios dela, antes de fechar a porta do txi. Ergueu a mo, enquanto o carro
se afastava. -- Boa noite.
Eram uns dois quilmetros at o seu apartamento no porto, mas no se
preocupou. Andar faria bem. Ajudaria a limpar sua mente e entender o que
estava acontecendo. No era bebida. Embora sempre pedisse vinho para
Miranda, ele s bebia meio copo. Definitivamente, havia algo que o
incomodava.
Era fcil condenar Tom pela sua atual insegurana. Encontr-lo novamente,
saber que tinha rompido com Sophie, devia pr as coisas em alvoroo, mas
no aconteceu. Sabia por que Tom viera procur-lo. Pela confuso na
separao dele e de Sophie e o dinheiro que ela investira no negcio. Ainda
assim, apesar da suspeita que Tom lhe fizera um grande favor, expondo as
falhas de sua ex-esposa, Oliver sentia amargura. E o que acontecera no
almoo, trs dias atrs, ainda pairava em sua mente.
E ali estava, caminhando pela rua escura, temendo ser assaltado na rua
vazia. A chuva, que apertava, espantara a maioria dos transeuntes. Pensando
onde poderia estar naquele momento, no entendeu por que no se sentia
mais culpado. A verdade  que, neste momento, no queria a companhia de
Miranda. No quando a imagem de outra mulher enchia seus pensamentos.
Grace Lovell.
Devia estar louco. Mas no conseguira pensar em mais nada nos ltimos dois
dias. No fora to ruim no fim de semana. Andy Faulkner o atrara para um
torneio de profissionais de golfe no sbado e, mesmo sem o entusiasmo de
Oliver, apreciara a companhia; e no domingo tinha ido ao escritrio, pondo
em ordem sua correspondncia e encontrado mais trabalho para fazer.
Miranda no reclamara, dizendo que estava dando uns retoques numa
citao e eles tinham concordado em se encontrar na segunda-feira  noite.
Porm, ele tinha estragado o encontro deles e ajudaria se ela o dispensasse,
dizendo ter encontrado outra pessoa.
Inferno, uma semana atrs, estava pensando em convid-la para morar com
ele e agora, pensava na possibilidade de terminar tudo, sem lamentar. No
era verdade. Sentiria falta de Miranda. Nos ltimos seis meses tinham sido
muito prximos.
No o suficiente, uma voz interior debochou. Talvez ele no fosse o tipo de
homem com quem se envolver.
Mas sua frustrao no era por Sophie. Pensava por que Grace perguntara
se a achava atraente. Um homem no era o bastante para ela? Deus do cu,
ela devia saber que a achava atraente. Pelo menos, fisicamente.
Encontr-la com Tom na casa, realmente o abalara. Com que freqncia eles
saam para uma rapidinha no meio da manh? Ou em qualquer outra hora do
dia? Parecia que Sophie no havia exagerado e ele no tinha por que
acreditar nela, mas, at sexta-feira, esperava que estivesse errada.
Lembrou de sua reao quando Grace abriu a porta, sentindo raiva de sua
desiluso. Ao abrir a porta ela ficara corada e tivera at a graciosidade de
parecer ligeiramente envergonhada, quando seu irmo apareceu. E Tom
parecia  vontade. Oliver quisera socar o rosto dele.
Mas no o fizera. Todos tinham sido civilizados, Tom desaparecendo para se
vestir e Grace oferecendo um caf, que recusou, enquanto aguardava.
Honestamente, no devia ter ido l e nunca repetiria tal erro.
Parou perto de Vicker's Wharf.  noite, a baa era uma profuso de luzes,
os luxuosos apartamentos de frente para o rio parecendo cosmopolitas e
ligeiramente deslocados. Onde anteriormente havia galpes, agora havia uma
enorme rea de entretenimento, com planos para futuras expanses.
O seu prprio apartamento, em Myer's Whart, ainda no fora includo nos
planos da cidade. Embora o galpo de baixo ainda estivesse vazio,
negociantes lutavam para sobreviver ao longo do porto. No trreo, ele pegou
o elevador comercial que servia o edifcio. O apartamento dele era o nico
ali, mas geralmente gostava da privacidade e isolamento que tinha.
Nesta noite, entretanto, estava agoniado. Saindo do elevador no espao que
servia como sala de estar e cozinha, no sentiu o habitual prazer. Trancando
as portas duplas que protegiam o elevador, ele atravessou o cmodo escuro,
indo para as janelas que ocupavam toda a parede. L fora, o rio parecia uma
larga fita preta, escura, sendo levada. Como ele, pensou. Em 34 anos de vida,
no tinha aprendido nada?
Lgico, suspeitava de algo, quando Tom viera v-lo. Mas seu irmo o
convencera de que o centro de jardinagem ia bem, e ia. No entanto, mesmo
sabendo que Sophie investira nele, nunca sonhara que Tom a deixara investir
tudo no negcio. Em circunstncias normais, o fato de estarem separados
no fazia diferena. Era normal que Sophie precisasse de dinheiro para ter
um apartamento prprio.
Mas parecia que Sophie no estava preparada para um compromisso. Ela
queria se livrar e Oliver adivinhava um pouco de vingana em suas
exigncias. Por que no? Ela devia estar se sentindo humilhada por Tom ter
encontrado algum para substitu-la. Era normal que tivesse cimes. S no
aceitava aquela lorota de que, por ela, nunca o teria deixado. Sophie sempre
fizera o que queria e devia estar mortificada por ter sido, desta vez,
passada para trs.
Ele cerrou os dentes. Tambm no gostava. E Tom trazer Grace Lovell para
almoar com eles parecera uma tentativa deliberada de provar que no tinha
segredos para com ela. O que deixara Oliver realmente enojado foi como
Tom deixou-a, para amaci-lo. Quo longe de mulheres, a ltima das quais
por acaso era a esposa de Oliver.
Pessoalmente, Oliver achava que estar "apaixonado" era uma fantasia.
Pensara estar apaixonado por Sophie, mas o tempo e o reconhecimento de
suas prprias falhas mostraram que sexo tinha a maior participao em sua
fascinao por ela. O fato de ter se recusado ir para a cama com ele antes
do casamento fora um poderoso incentivo e ele tinha sido tolo o bastante
para acreditar que, quando o anel dele estivesse em seu dedo, todos os
problemas estariam solucionados.
No fora assim. Oh, ela no mentira, ainda era virgem. Mas logo ele
descobriu que no tinha sido difcil para ela negar-se quela indulgncia.
Contudo, ele ainda se convencera de que o amor deles era a coisa mais
importante. Por Deus, ele tinha 24 anos! O que sabia da vida? Naquela
poca, estava firmemente convencido de que,  sua maneira, era to virgem
como ela, por motivos diferentes.
Em seis anos despertara rudemente. O romance de Sophie com Tom havia
roubado dele qualquer confiana que tivesse em si mesmo, ficando em
frangalhos. Por sorte, no durara muito. Quando voltou de Abbey, era um
homem mais esperto e mais cnico.
Ainda assim, levara anos para perceber que aquilo que sentira por Sophie
tanto fora desiluso quanto realidade. Mesmo seu romance com Miranda no
afastara a imagem de Sophie. Somente quando viu Grace e falou com ela
percebeu que a tristeza da iluso que tivera com seu casamento estava
totalmente acabada.
Ento, talvez Tom merecesse algum crdito por aquilo. Afinal, havia tirado
Sophie de suas mos e, se agora descobrira que ela no era o aporte
financeiro que esperava, no era problema de Oliver.
Mesmo assim, no queria que o negcio de seu pai falisse, pensou, servindo-
se do caf que tinha feito. Tomando um gole, sentiu o choque da cafena
invadindo seu corpo.
Levando a caneca para a sala, reconheceu que, se fizesse qualquer coisa para
diminuir o aborrecimento de seu pai -- inclusive evitar que ele tivesse de
vender a casa na Espanha, o sonho de sua vida, mudando para um condomnio
-- ele o faria. Sabia que o velho era sonhador o bastante para chegar 
falncia tentando ajudar seu filho mais novo, e Oliver no podia deix-lo
fazer aquilo. Se pudesse.
Pensou que podia, enquanto ia para a janela, enfiando a mo livre no bolso do
roupo. Lembrando da ltima declarao que seu contador tinha enviado,
sabia que podia, sem muita dificuldade, liberar fundos para proteger tanto o
centro de jardinagem quanto a casa de seu pai, se o velho deixasse.
Talvez devesse fazer uma viagem  Espanha e falar pessoalmente com seu
pai. S visitara a casa uma vez, sempre arrumando desculpas sobre estar
muito ocupado ou ter compromissos profissionais demais para fazer a
viagem. Na verdade, queria evitar a simpatia de sua me. A sra. Ferreira
nunca perdoara Sophie por tra-lo com seu irmo, sem perceber que Oliver
preferia considerar aquele caso como passado.
Ele imaginava que tinha sido difcil para sua me no tomar partido, e o seu
prprio comportamento no ajudara muito. Ele permitira que tudo assumisse
uma enorme dimenso em sua vida. Estava na hora de dizer a ela como se
sentia agora e ir em frente.
Como se sentia? Pensando positivamente, tudo ia muito bem, mas, para onde
iria? Podia querer ajudar seu pai, mas, estava longe de querer tornar as
coisas fceis demais para seu irmo. Tom merecia suar um pouco, Deus
sabia, ele tivera a sua luta.
E quanto a Grace?
Percebendo que precisaria ligar para Miranda hoje e-se desculpar por
encurtar a noite deles, desviou o pensamento. Pela primeira vez, desde que a
conhecera, no queria ligar para ela. Talvez devesse retardar a ligao,
apenas por um ou dois dias, pensou, disfarando a sua covardia. At resolver
o que fazer.




CAPTULO SEIS


Grace agradeceu  mulher lhe que mostrara o pequeno apartamento, dizendo
que ia pensar. Mas, antes de subir os degraus do poro para a rua, j riscava
outro possvel endereo da lista. Alm do mais, era uma das reas mais
pobres da cidade e, com bares em cada esquina, era improvvel que seria o
silencioso santurio pelo qual ansiava.
Precisava sair da casa de Tom. Mesmo que significasse mudar para
Newcastle.
Ao mesmo tempo, estava ficando deprimida. Com o aluguel que podia pagar,
as suas escolhas eram mnimas. Se ao menos os pais de Tom estivessem em
casa, ela podia morar com eles. Certamente, a sra. Ferreira entenderia a sua
situao, agora que Sophie voltara a morar com a me.
Entrou em seu Mini, ligou o motor e se afastou da Byker Avenue. S faltava
um endereo, mas no hoje. J passava das oito e Tom deveria estar
imaginando onde estaria. As suas freqentes desculpas da ginstica estavam
ficando minguadas.
Para seu alvio, Tom no estava quando voltou. Um bilhete pregado na
geladeira informava que ia jantar com seu gerente de banco e voltaria
tarde. Grace estava aliviada -- e impressionada --, embora suspeitasse da
hospitalidade de Tom.
O telefone tocou enquanto estudava o contedo da geladeira. Atualmente,
no cozinhava muito, algo que esperava mudar, quando tivesse o seu
cantinho.
Pegando o fone de parede, prendeu-o entre o ombro e a orelha, tirando da
geladeira, dois ovos e um pacote de queijo cheddar. Uma omelete de queijo
parecia apetitosa, e na gaveta de verduras, havia um p de alface.
-- Sim -- atendeu e o fone quase caiu ao ouvir uma voz profunda, vagamente
familiar, dizendo: -- Grace?
Oliver Ferreira. Nem sabia por que tinha tanta certeza, cus, mal o
conhecia. Mas, a sua voz profunda e atraente era inconfundvel e ela pousou
os ovos e o queijo, segurando o fone.
-- Oi -- respondeu, tentando parecer calma. -- Mirim... Tom no est.
-- No? -- Por que ele parecia saber? -- Que pena.
-- Posso deixar um bilhete para ele ligar, assim que voltar -- ofereceu, no
sabendo mais o que dizer.
-- No precisa. Falarei com ele em outra ocasio. -- Houve uma longa pausa e
depois, ele acrescentou suavemente: -- Ele a deixou sozinha?
-- Eu no colocaria as coisas assim -- falou, ressentida com o tom de
deboche dele. -- Estou sozinha, sim, mas  como gosto.
-- Que pena. -- Ela ouviu um suspiro. -- Eu ia perguntar se gostaria de
jantar comigo. Se ainda no jantou, claro.
-- Eu... -- Os ovos e o queijo na pia esperavam por ela, mas no conseguiu
recus-lo. Pelo menos, no completamente. -- Na verdade, ainda no jantei.
-- Quer dizer que vir?
-- Por que deseja jantar comigo, sr. Ferreira?
-- Talvez eu queira explorar a minha atrao por voc -- respondeu,
secamente e Grace ficou totalmente embaraada, lembrando do que dissera
a ele na ltima vez em que tinham estado juntos.
-- Eu... no acho.
-- No acha o qu? Que estou atrado por voc ou que aceitar o meu
convite?
-- Os dois... acho.
-- Por qu?
-- Sabe a razo -- Os ovos e o queijo pareciam ganhar um pouco de sua
ateno. -- Mas obrigada pelo convite. -- E desligou o telefone.
Para seu desagrado, estava tremendo e, apesar da fome, guardou as coisas
para a omelete de volta na geladeira. Perdendo a vontade de cozinhar, pegou
o po enrolado em plstico na cesta, para um sanduche.
Ela machucou o dedo na tira de metal e o chupava, frustrada, quando a
campainha soou. Agora o qu? Impaciente, foi para a porta.
Sem pensar no risco que corria, enquanto estava sozinha, destrancou e abriu
a porta.
-- Oliver!
O nome dele saiu de seus lbios, quase sem perceber e por um momento, s
conseguiu olh-lo, como se no acreditasse. Piscou. No fazia nem cinco
minutos desde que desligara. Como podia estar aqui?
Estava. Ela s precisava sentir o formigamento familiar em sua pele, para
saber que no estava imaginando coisas. De camisa preta, jeans preto e uma
jaqueta preta de couro, ele parecia meio estranho, mas sabia ser apenas o
seu sangue espanhol se mostrando.
-- Realmente, no devia abrir a porta antes de ver quem  -- declarou ele,
esticando uma das mos para se apoiar no umbral da porta. -- Ou estava
esperando algum?
-- Acho que no  da sua conta -- retrucou, retribuindo a resposta dele,
quando perguntara se ele queria uma famlia. Um leve sorriso lhe aflorou aos
lbios finos.
-- Aceitarei isto como um no. -- Ele ps um p no degrau. -- Posso entrar?
No! Grace apertou os lbios. Como podia recusar? No era a sua casa.
-- Se quiser -- respondeu, sem graa, virando no corredor.
Ela sabia que ele a seguia. Embora o som da porta batendo devesse
significar algo, ela s estava ciente dele, com todas as fibras de seu corpo.
Se ele no fosse to grande, perturbadoramente masculino, pensou,
desejando que ele ficasse. Mas o que fazia aqui?
Ela parou no meio da cozinha, vendo o po e a tira de metal que causara
tanta dor e suspirou. Ia fazer um sanduche, lembrou.
Ele parou  porta, encostando, estudando-a com os profundos olhos escuros.
-- O que est fazendo?
Grace encolheu os ombros, pensando que gostaria de estar usando algo mais
elegante, ao invs de camiseta e jeans. Certo, as calas jeans eram de corte
baixo nos quadris e a camiseta curta exibia um tentador pedao de sua
barriga e a minscula rosa tatuada, que fizera num momento de fraqueza,
arrependida para sempre.
-- O que parece? -- respondeu, pegando uma faca da gaveta. -- O que
deseja?
-- Parece que voc est comeando a fazer um sanduche. Eu devia me
sentir insultado? Parece que voc prefere fazer um... sanduche de queijo...
do que jantar comigo.
-- O que faz aqui, Oliver? Onde estava, quando me telefonou? No bar?
-- Eu estava sentado no carro, no seu porto -- confessou. -- Pensei que era
melhor telefonar, antes de aparecer.
-- Para qu? -- Grace se permitiu um rpido olhar na direo dele. --
Claramente, voc pretendia vir aqui.
-- Bem... sim. Mas no gosto que me batam o telefone. Voc gosta?
-- No bati o telefone. De qualquer modo, Tom no est.
-- Eu sei. Sabia antes de voc dizer.
-- Como sabia? Falou com ele?
-- No -- Oliver hesitou um momento e depois disse: -- O gerente do banco
dele  meu amigo.
-- Voc arrumou esse encontro para ele?
-- No. George Green me contou que ia encontrar Tom para jantar.
-- Por que ele contaria algo assim? -- ela fitou-o. -- Os assuntos dos clientes
no devem ser confidenciais?
-- Ele no fez qualquer confidencial, Grace. Ns dois estvamos numa
reunio de planejamento, esta tarde. Ele mencionou o jantar com Tom.
-- Ento, quanto telefonou, sabia que Tom no estava?
-- Parece.
Grace pousou a faca, apertando as mos.
-- Ento, por que fingiu?
-- Pelo que lembro, voc disse que Tom no estava antes que eu pudesse
dizer qualquer coisa. Eu continuei.
-- Por que telefonou?
-- Precisa perguntar? -- Oliver afastou-se da porta, se endireitando. -- Eu
queria rev-la. Nos meus termos, no nos de Tom.
Grace sentiu a boca seca e, quando ele andou na sua direo, suave, mas
seguro, no conseguiu evitar umedecer os lbios com a lngua.
--  melhor voc ir embora -- falou, mas uma das mos dele pegou-lhe o
pulso e, antes dela terminar de falar, ergueu a mo dela aos lbios.
-- Voc no quer dizer isto -- declarou, a lngua explorando a sensvel
ramificao de veias da mo dela, mordiscando a pele suave. -- To sensvel
-- murmurou, rouco. -- No diga que no quer ver onde vai dar isto.
Grace sentiu que sabia exatamente aonde ia dar, se deixasse. Assim to
perto dele, era difcil pensar eis qualquer outra coisa, assolada pelo calor de
sua proximidade, seu cheiro msculo. A certeza de que ele podia control-la
to facilmente devia assust-la, mas no o fez.
Uma gota de suor correu entre seus seios e, mesmo ele no podendo ver,
parecia que podia. A cabea dele estava inclinada sobre seu pulso, e ela
tremeu com seus pensamentos. Ele olhou para cima, com olhos que no
pareciam ter qualquer luz, buscando o seu rosto desarmado e um sorriso
sensual suavizou os contornos duros do rosto dele.
-- Est com frio? -- Ele ergueu as sobrancelhas escuras, e quando ela negou
com a cabea, ele continuou: -- Acho que no -- falou com certo prazer,
passando uma mecha solta dos cabelos acobreados dela para trs da orelha.
-- Ainda quer que eu v embora?
Grace tremeu.
-- Voc iria se eu pedisse?
-- No. Mas voc no respondeu  pergunta.
-- O que quer de mim, Oliver? Se  alguma brincadeira para fazer cimes
em seu irmo...
-- No . -- Os olhos dele escureceram. -- Eu no seria to estpido. -- Seus
dedos tocaram o rosto dela, o polegar acariciando os lbios suaves. -- Sei
que no precisa que eu diga que  linda, mas voc , sabia? Linda de doer.
Grace moveu a cabea para os dois lados, afastando os dedos dele de seu
rosto.
-- No preciso de cumprimentos desnecessrios -- ralou, um pouco rouca. --
S quero saber por que est fazendo isto.
-- No est claro? -- As mos dele puxaram-na, apertando-a contra ele, num
contato ntimo. -- Isto no diz algo?
As pernas de Grace ficaram como gelatina ao primeiro toque dele em seu
corpo e uma dor incomum em seu estmago deixou-a fraca. Ele separou as
pernas para que ela ficasse entre elas, a pesada presso de sua ereo
inegvel.
Antes que a mente dela tivesse tempo de processar tal pensamento, Oliver
se inclinou, roando os lbios, suavemente, sobre os dela. A respirao que
ela nem sabia que estava prendendo, escapou com um suspiro, enquanto ele
continuava a provoc-la e ela se encostou, os seios colando ansiosos no peito
rijo dele.
Foi diferente de qualquer beijo que j experimentara. Ele no fazia fora ou
mostrava ansiedade, mas, quando mordeu levemente seu lbio inferior, ela
sentiu-se derreter.
Mal estava ciente das mos dele deslizando pelos seus quadris e curva do
bumbum. S quando ele comeou a acarici-la, quando as pontas de seus
dedos entraram na fenda suave no alto de suas pernas, ela se apertou
contra ele. Sentiu um calor mido latejar, sensual e poderoso, e ele mal a
tocara. Parecendo saber exatamente o que ela sentia, Oliver aprofundou o
beijo, seus lbios se ajustando, quentes e firmes, nos dela.
O corao dela martelou, enquanto a lngua dele invadia sua boca. Deixou
escapar um gemido baixo, meio de protesto, meio de convite, o sangue
correndo quente em suas veias. Ele a estava seduzindo com os lbios, foi o
seu ltimo pensamento coerente antes que uma estranha letargia a
atingisse. Ele usava a lngua, imitando o que queria fazer com qualquer outra
parte de seu corpo e, quando mexeu os quadris contra os dela, instantanea-
mente ela sentiu um calor quente, sexual.
-- Quero voc -- disse ele sem flego, encostando-a contra a bancada atrs
dela. A presso do corpo dele a prendia l, as mos dele apoiando-o,
enquanto continuava a beij-la profundamente nos lbios, rosto, a curva
suave do pescoo. -- Eu a quis na primeira vez em que a vi. Loucura, no?
Grace tremeu.
-- No acho que seja loucura. -- Ela virou a cabea para um lado, facilitando
o acesso dele ao seu ombro. -- Tambm fiquei atrada por voc. Voc sabe.
-- Sei? -- Ele olhou-a, observando sua reao quando suas mos buscaram a
bainha da camiseta, acariciando suas costas. Os polegares tocaram as
laterais dos seios, os olhos escurecendo quando descobriu que no usava
suti. -- Acho que estamos vestidos demais.
-- Tambm acho -- confessou ela, passando as mos pela camisa dele,
sentindo o forte pulsar do corao sob suas palmas.
-- Devamos ficar nus -- murmurou ele, passando a lngua preguiosamente
sobre o mamilo duro, claramente visvel sob a camiseta dela, que tremeu. --
Mas no estamos -- continuou, resistindo aos esforos dela e usar sua
jaqueta e afastando-se. -- No na casa do Tom. -- Subitamente, ele pareceu
desgostoso. -- No onde ele f... traz suas mulheres.
Grace se apoiou na bancada, fazendo fora para colocar as mos atrs dela.
-- Voc... quer dizer, Sophie. -- Tentava fazer sua mente assimilar as
palavras.
-- O que for -- retrucou, mas, antes que ela pudesse perguntar algo, ambos
ouviram o rudo de um carro.
-- Tom -- exclamou ela, esquecendo tudo com o choque da volta dele. Meio
culpada, olhou para o relgio, arrumando a camiseta. -- Ele voltou cedo, so
apenas nove horas.
-- Talvez a reunio no tenha ido to bem quanto ele esperava -- a
expresso de Oliver endureceu. -- Acho que  onde eu entro.
-- O que quer dizer?
Grace ainda o olhava sem entender quando a chave de Tom mexeu na porta,
que se fechou depois, com uma batida. Logo ela andava pelo corredor e,
incapaz de ficar ali parada, como Oliver, fingindo que nada acontecera, ela
se virou, pegando novamente a faca, enquanto I Tom aparecia  porta.
A sua saudao ao irmo foi pouco amistosa.
-- O que est fazendo aqui? -- Olhou com suspeita para os dois e Grace
pensou que, se ele ainda esperava conseguir algum apoio financeiro de
Oliver, no estava agindo como devia.
-- , tambm  bom v-lo -- respondeu Oliver, secamente e Grace o invejou
pela presena de esprito.
-- Bem... -- O rosto de Tom endureceu, mas Grace percebeu que muito de
sua raiva diminura, com a frieza do irmo. -- Tive uma noite horrvel.
-- E me encontrar aqui no a melhorou? -- sugeriu Oliver. -- No. Bem, no 
minha culpa se entrou em confuso.
-- Eu sei. No precisa repetir. De qualquer modo, no disse por que est
aqui. Mudou de idia?
-- Vontade sua -- Oliver foi sarcstico. -- No, na verdade, eu sabia que
voc devia estar jantando com George Green e liguei para a srta. Lovell,
para saber se queria jantar comigo. Ela recusou.
Em completa surpresa, as sobrancelhas de Tom se juntaram, mas Grace,
encontrando o olhar enigmtico de Oliver, sentiu um sbito frio de certeza
de que o que acontecera nada significara para ele.
-- , Grace  muito seletiva quanto a com quem sai -- declarou Tom,
pensando que a deciso dela devia ter algo a ver com ele. Passou um brao
possessivo pelos ombros dela. -- Teve uma boa noite, meu bem? Foi 
ginstica?
Grace no agentava o toque dele, mas qualquer coisa era melhor do que
deixar Oliver ver como se sentia humilhada.
-- Foi... interessante -- falou, afastando-se de Tom.
-- Acho... que tomarei um banho. Estou me sentindo suja.
-- No  culpa minha -- falou Oliver, enquanto ela largava a faca. -- Eu o
vejo mais tarde, Tom. -- Sem dar chance a qualquer um dos dois de det-lo,
ele foi para a porta.
A porta mal fechara atrs dele quando Tom virou-se para Grace.
-- O que houve aqui, Gracie? O que ele queria?
-- Ele disse por que veio aqui. -- Sentia raiva por ter sido novamente usada.
-- E no me chame de Gracie!
No gosto.
-- Ele convidou-a mesmo para jantar? Tem coragem!
-- Por qu? -- Grace estava disposta a discutir. -- Por que no devia me
convidar? Eu sou livre e ele tambm.
-- Se fosse voc, eu no deixaria Sophie ouvir isto. Ela ainda considera
Oliver sua propriedade. Mesmo quando estava comigo, sempre queria saber
dele, verificando aonde ele ia, com quem dormia.
-- No me interessa -- exclamou Grace, ignorando como seu estmago se
apertou, ao ouvir falar de Oliver dormindo com algum. -- No vou sair com
ele, portanto, no importa se Sophie aprova ou desaprova. E vou mesmo
tomar banho, certo?
Tom hesitou.
-- Sabe, estou realmente satisfeito, que tenha recusado sair com Oliver,
quero dizer. Voc e eu... temos assuntos pendentes.
-- Tom...
-- No, no diga nada agora. Foi uma noite horrvel e no vou agentar mais
rejeio. No nesta noite.
Green se negou, sabia? Ele diz que sou bom s para uns cem. Onde vou
conseguir o resto?
Grace percebeu que n0 queria mais saber daquilo. Ficar depois de Sophie ter
ido embora fora um erro e, se no tivesse cuidado, pagaria caro por aquilo.
Talvez ficasse menos enrolada se partisse logo. Talvez Tom percebesse que
tinha de resolver sozinho os seus problemas. Ia arrumar um lugar para ela.
-- Lamento. -- Lamentava, talvez no pelos motivos que ele podia imaginar.
Depois, movendo os ombros, ela acrescentou: -- Olhe, estou pensando em
tirar uns dias de folga. Meu pai sempre pede para ir passar uns dias com ele
e sei que vai  casa no fim de semana, por duas semanas. Pensei em ir com
eles, se estiver bem para voc.
-- Imagino que no posso det-la, se  o quer. Mas vou sentir a sua falta.
-- Tambm sentirei sua falta. S ficarei fora uma semana -- disse, se
enganando por se sujeitar  chantagem emocional dele. -- Quem sabe?
Talvez... Oliver... -- teve dificuldade de falar o nome dele. -- Talvez ele
mude de idia.
-- No acredito -- respondeu Tom, amargo, abrindo a geladeira para pegar
uma cerveja. Grace aproveitou para se afastar e ir para a porta. Ele olhou-a,
triste e pesaroso. -- V e divirta-se, Gracie. Voc merece. Falaremos quando
voc voltar.




CAPTULO SETE


Ele acordou com o sol atravessando as cortinas, e mesmo o quarto sendo
grande estava ficando desconfortavelmente abafado.
Oliver virou-se de costas e olhou para o teto, por um momento imaginando
onde estava. Depois acordou, passando as mos pelos cabelos. Estava na
Espanha, em San Lus, no quarto extra da casa de seus pais, e pelos
prximos poucos dias, nada faria a no ser descansar e esfriar a cabea.
Bem, pelo menos era o que dissera, pensou, sentando na beira da cama e
olhando em volta. Estava longe de sentir-se relaxado e, mesmo fugindo para
a Espanha no o livrara da culpa de seus pensamentos.
Grace.
Como sempre, o nome dela vinha primeiro  sua mente. Embora fizesse
vrios dias desde que a deixara na casa de Tom, no conseguira tirar da
cabea o que acontecera. No importava que ela no fosse confivel, que
vivesse com seu irmo e, aparentemente, no achasse estranho ficar com
outro. Estava enfeitiado e no conseguia ver a situao mudando to cedo.
Ao mesmo tempo, sentia-se envergonhado pelo seu comportamento. Por no
ter ido embora, o que teria sido sensato. Mas, toc-la fizera com que
sentisse emoes quase primitivas, excitando-o. Por Deus, e Miranda? E
Tom?
De certa forma, Grace era to ruim quanto Sophie. No era casada com
Tom, mas ele parecia consider-la sua propriedade. Entretanto, se estava
preparado para us-la para conseguir atingir seus objetivos era outra
questo. E Oliver no queria saber.
Por isso ele gostara de encontrar uma desculpa para sair do pas. J tinha
pensado em falar com seu pai frente a frente sobre os problemas
financeiros dele e fora uma desculpa providencial para dar  Miranda,
quando ela questionara sua deciso de viajar to de repente.
-- Se ao menos voc tivesse me avisado antes -- dissera, duas noites atrs,
quando ele havia telefonado para dar a notcia. -- Tenho frias vencidas,
poderia ter adiar os meus casos e ir com voc.
Claro que Oliver mostrara o seu lamento, mas, honestamente, a ltima coisa
que precisava agora era a companhia de outra mulher. Precisava de espao.
Um tempo para a sua cabea se livrar desse desejo compulsivo, totalmente
indesejado, que sentia pela amante do irmo.
Seus pais tinham ficado deliciados em v-lo, o que s aumentou a sua
sensao de culpa. Ele quase no os visitava, aqui ou na Inglaterra, desde a
sua separao de Sophie e, mesmo achando que Tom sempre fora o pre-
ferido de seu pai, no fundo do corao, sabia que no era verdade. George e
Nancy Ferreira se orgulhavam igualmente dos dois filhos e tinham sofrido
horrivelmente quando a famlia se desfizera.
Agora, depois de olhar o relgio na mesinha-de-cabeceira, Oliver esticou as
longas pernas para fora da cama. Levantando-se, andou para as janelas de
correr, dando para a varanda.
Eram quase nove e meia e Oliver estava surpreso de quo bem dormira.
Claro que ficara conversando com seu pai at tarde, contando um ao outro
as novidades e que sua me decidira deix-lo dormir at mais tarde. Mesmo
assim, fazia tempo que no dormia tanto e, nesta manh, sentia-se mais
revigorado do que na noite anterior.
O que era bom, principalmente porque ele e o pai tinham falado de quase
todos os assuntos, evitando mencionar Tom e seus problemas financeiros.
Cedo ou tarde, Oliver precisava descobrir exatamente o que seu pai sabia --
se  que sabia -- e o que pensava que seu filho mais velho devia fazer.
O som da porta abrindo atrs dele, fez com que pegasse a ponta do lenol
para cobrir sua nudez. Era a sua me, trazendo uma bandeja com um bule de
caf e alguns pezinhos quentes com cheiro de canela.
-- Voc acordou -- disse, pousando a bandeja e olhando-o com ntido prazer.
-- Dormiu bem?
-- Muito bem -- respondeu Oliver, enrolando o lenol na cintura, enquanto
olhava para a bandeja. -- No precisava fazer isso.
-- Sei que no, mas no  todo dia que tenho meu filho mais velho comigo.
Quero que sinta que  sempre bem-vindo aqui.
Oliver sentiu uma pontada de vergonha.
-- Eu sei, me.
-- Bom que saiba. -- Ela andou na direo dele, pousando um beijo quente em
seu queixo. -- Faz tanto tempo, Oliver.
Ele concordou com a cabea, sentindo o calor das boas-vindas deles.
-- Onde est o papai?
-- Ah, lendo o jornal da manh -- respondeu, olhando pelo quarto. -- Voc
tem algo para lavar? A Maria vem s dez e nunca trabalha depois da hora.
Oliver sorriu.
-- Acredite ou no, me, mas sou bem capaz de cuidar da mquina de lavar.
Alm do mais, tenho uma tima empregada, que me mantm em ordem.
-- Gosto de saber disso. -- A sra. Ferreira lanou outro olhar duvidoso na
direo dele, antes de ir para a porta. -- Aprecie seu caf da manh.
-- Com certeza.
Com a mo na porta, ela parou.
-- Voc est... est tudo bem, Oliver? -- Seu rosto corou levemente. --
Soubemos... bem, sobre Sophie e Tom. Deve ter sido um choque para voc.
Oliver suspirou.
-- Uma surpresa. Mas no faz qualquer diferena para mim, me.
Honestamente.
Ela hesitou.
-- Ento, no est pensando em aceit-la de volta?
-- Deus, no! -- Ele ficou surpreso por quo repulsiva era a idia.
-- Bom -- o sorriso dela foi aliviado. -- Vou ver o que seu pai est fazendo.
No se apresse, no h nada urgente.
Uma hora depois, usando short e camiseta, Oliver saiu do quarto,
encontrando Maria, a empregada de seus pais, passando aspirador na sala.
Ela parecia satisfeita em v-lo e trocaram algumas palavras no idioma dela,
antes dele ir procurar pelo pai.
Pensou em como era surpreendente. Tinha aprendido espanhol na escola e
durante as freqentes frias na Espanha e, sempre que voltava l, parecia
natural falar aquele idioma. Deviam ser seus genes, pensou divertido,
lembrando que Tom sempre tivera problemas com idiomas.
Seus pais estavam no ptio, tomando caf. A casa, localizada nas colinas
acima do pequeno vilarejo de San Lus, tinha uma vista maravilhosa do mar e,
sentindo o sol quente em seus ombros, Oliver teve uma sensao de bem-
estar.
-- Venha e sente-se -- falou sua me, levantando. -- Vou pegar outra xcara.
Voc quer comer alguma coisa?
-- Nada, obrigado. -- Oliver segurou-a pelo brao, impedindo-a de passar
por ele. -- Sente-se, me. Aprecie o seu caf. Acabei de tomar o caf da
manh, lembra?
-- Tem certeza?
-- Tenho. -- Oliver esperou que ela se sentasse, antes de olhar por sobre o
muro baixo que circundava o ptio, respirando fundo o ar com cheiro de
pinho. E em volta, a evidncia do amor de seu pai por jardinagem era
gritante, flores tropicais crescendo ao lado de rosas e gernios. Acima de
sua cabea, buqus de buganvlias parecendo renda em volta da prgula de
bambu, e ao longo do terrao, punhados de brincos-de-princesa espalhavam
seu perfume na brisa.
-- Sua me disse que voc teve uma boa noite -- George Ferreira falou,
colocando o jornal de lado e olhando o filho com um olhar escuro,
penetrante. -- No sei por que voc no vem aqui mais vezes. Sabe que 
sempre bem-vindo.
-- Eu sei.
--  srio. Mesmo se quiser trazer aquela sua jovem.
-- Obrigado, pai.
-- Miranda, no ? -- perguntou a me. -- Voc disse que ela  advogada?
Deve ser uma ocupao fascinante.
Realmente, Oliver no queria falar de Miranda, mas sabia que os pais
estavam interessados e no podia deixar de responder.
-- Espero que seja. Ela parece gostar.
--  srio? O relacionamento de vocs? -- A sra. Ferreira perguntou
inocentemente, notando o olhar sombrio do marido.
-- Esquea, Nancy -- exclamou ele, remexendo impaciente na cadeira. --
Droga, o garoto s a conhece h poucos meses. Depois daquele negcio com...
voc sabe quem, aposto que ele no quer se comprometer ainda, como eu
faria.
-- Oh, George -- comeou sua esposa, ressentida. Oliver, divertido por ter
sido chamado novamente de garoto, suavizou as coisas.
-- Somos amigos, me, s isso -- falou. Pousou as mos na parede e se
levantou. -- Sabe, acho que vou dar uma caminhada pela praia.
-- Pela praia? -- Sua me parecia desaprovar. -- Oliver, so quase dois
quilmetros at a praia e voc no est acostumado com este calor.
-- Por Deus! -- O sr. Ferreira no conseguiu ocultar a impacincia. -- Oliver
 um homem, Nancy. Pare de ficar em volta dele como uma galinha velha!
Aqui -- ele pegou um bon de beisebol na mesa e jogou para o filho. --
Deixe-a feliz, filho. Eu cuido das coisas.
Oliver sorriu.
-- Obrigado -- falou e, sorrindo para a me, pulou por cima do muro baixo
que rodeava  propriedade e foi pela estrada estreita, que levava ao vilarejo
de San Lus.
O caminho tambm passava pela casa vizinha  dos Ferreira. Seria a casa
dos pais de Grace? Lanou um olhar para a construo que estava
parcialmente oculta atrs de um cinturo verde. Percebeu que as cortinas
estavam fechadas, invejando a piscina colocada ao longo de um grupo de
palmeiras e ciprestes. Era uma casa maior do que a de seus pais e, a julgar
pelo gramado cuidado, o sr. Lovell tinha um jardineiro para manter suas
terras em boas condies.
O sol estava quente, como dissera sua me, e Oliver ficou bem contente de
ter o bon na cabea. Mas como era a nuca que precisava de proteo, virou
a pala para trs, sentindo-se mais como um turista  medida que se
aproximava do vilarejo.


San Lus no era um ponto turstico. Era basicamente urna comunidade de
pescadores e, ainda que vrios iates luxuosos estivessem ancorados, no
havia grandes bares ou hotis.
Oliver ficou um pouco no porto, observando dois homens, claramente pai e
filho, carregando sua pesca para a caminhonete.
Alm da parede do cais, dunas com punhados de grama levavam  areia
dourada e Oliver tirou as sandlias, amarrando-as pelos cordes e passando
pelo pescoo. Como precisava disso, pensou, no percebendo at agora como
o inverno fora longo. Parecia fazer anos, no meses, desde dezembro,
quando ele e Miranda tinham passado dez dias em Barbados.
Sorriu, lembrando que eles s se conheciam h poucas semanas naquela
poca e, quando sugerira umas frias no Caribe, ela no recusara, parecendo
bem ansiosa de ir com ele, que achou que o relacionamento deles tinha se
definido naquele dia.
At ento, havia sido uma relao bem aberta, com Oliver tendo a liberdade
de sair com outras mulheres, se quisesse. Porm, depois de Barbados,
Miranda parecera esperar certa exclusividade e, at conhecer Grace Lovell,
ele no tivera problema com aquilo.
O que era igualmente pattico, pensou, fazendo uma trilha pela areia
molhada, deixada pela mar. Seu pai estava certo. Ele devia ter aprendido a
lio com Sophie. E tinha, garantiu. A sua associao com Miranda provava
isso. Era uma relao civilizada e sexualmente satisfatria, mas sem
emoes de sua parte. Era assim que gostava.
Apesar do calor do sol, a gua estava fria em seus ps nus e, deixando o
pensamento desagradvel de lado, comeou a andar pela praia. Tinha vindo
falar com seu pai e, durante os prximos dias, teria de encontrar uma ma-
neira de persuadir o velho a deixar que o ajudasse.
Grace saiu para o deque atrs da casa, com uma caneca do caf que acabara
de fazer.
Estava sem sapatos, usando um fino robe sobre o top de algodo e short
largo que usara para dormir, o cinto arrastando no cho. Sentou-se numa
das cadeiras  sombra, sobre uma das pernas e segurando a caneca.
Tinha esquecido como o mar podia ser to azul, quo menos complicadas as
coisas podiam ser aqui, longe das pessoas e dos lugares da sua rotina. No
queria morar aqui, mas alguns dias naquele lugar era o que precisava.
Mentira para Tom, dizendo que seus pais tinham convidado. Seus pais viviam
dizendo que ela devia aproveitar a casa, com ou sem eles.
Era um casal bastante moderno e no teriam reclamado se tivesse levado um
acompanhante. Na verdade, at agora, Grace no fizera isso, o que causava
certo lamento neles, mas raramente comentavam. Ao mesmo tempo, Grace
imaginava que eles estavam perdendo a esperana de Grace encontrar um
homem que pudesse amar.
Como eles se sentiriam se descobrissem que, alm de uma desajeitada
experincia quando era adolescente,
Grace nunca estivera com um homem? No era algo de que se orgulhava ou
que teria escolhido, mas, aprendera bem cedo que os homens s a viam como
um objeto sexual.
Talvez ainda no tivesse encontrado o homem certo, pensou. A lembrana do
rosto de Oliver Ferreira, quando sara da cozinha de Tom naquela noite,
causou um arrepio. A frieza dele, as palavras amargas ditas ao irmo, depois
de conseguir romper a barreira que ela erguera em volta de suas emoes,
tinham jogado lama nos sentimentos dentro dela.
No queria pensar em Oliver e levantou-se, descendo lentamente os degraus
que levavam  piscina. Tomou outro gole de caf e se endireitou. Viera to
longe para evitar pensar nele e era ridculo ficar lembrando o tempo todo.
Ele no era melhor do que qualquer outro homem que tentara fazer amor
com ela. S fora hbil o bastante para quase tirar sua roupa.
A diferena  que ela estava disposta a ajud-lo, reconheceu. Sentiu outro
arrepio, lembrando das mos dele em seu corpo, dos lbios e lngua dele. Oh,
Deus, ela nunca soubera como era querer um homem, at que ele a tocara, e
agora, parecia difcil pensar em outra coisa.
Suspirando, pousou a caneca numa mesinha e, chegando perto da piscina,
experimentou a gua com a ponta do p.
Estava fria. At o sol ficar bem forte, a piscina no ficava to quente
quanto o mar. Erguendo a cabea, olhou para a grande extenso de azul no
horizonte e suspirou novamente. Era to lindo, to pacfico. Por que no
podia simplesmente relaxar e aproveitar?
Pegou sua caneca, pronta para entrar em casa quando viu um homem andando
pelo caminho estreito, atrs da propriedade.  distncia, dava para ver que
ele era alto e moreno, mas o caminho ligava vrias propriedades. Podia ser
um espanhol, pensou. Era bem moreno e pensou se algum novo tinha mudado
para uma das casas.
Mas,  medida que ele se aproximava, uma estranha paralisia comeou a
prend-la no lugar. Ele no era espanhol -- bem, s meio, e aquela metade se
dilura em anos vivendo num clima mais frio. Era o que tornava aquele homem
to frio, to controlado? Ou Sophie teria tirado toda emoo dele?
Felizmente, havia uma barreira de rvores entre ela e o caminho. No era
muito favorvel como proteo, mas oferecia alguma e, se ela se afastasse
agora, ele nunca saberia que estava aqui.
Enquanto ela se esforava para se mover, ele virou a cabea e a viu. Ela
percebeu o reconhecimento em seus olhos, viu a confuso dele quando
percebeu que ela tambm o vira, e ficou envergonhada.
Ento, ao invs de ignor-la, como ela meio que esperava, pulou a cerca que
rodeava a propriedade, afastando um punhado de galhos e folhas de
rvores, e pisou no gramado, falando com voz perturbadora e baixa.
-- Grace! Este  um prazer inesperado.




CAPTULO OITO


Ele era um mentiroso, ela pensou, lamentando como a sua pulsao
apressava, cada vez que a olhava. Nunca vira um homem parecendo to bem
de short e, a camiseta azul-marinho apenas acentuava o bronzeado de sua
pele.
Os ps dele tambm estavam nus, as pernas e ante-braos ligeiramente
cobertos de cabelos, a pele brilhando, e imaginou que ele estava suando pela
caminhada desde a aldeia, de onde parecia vir. Talvez tivesse ido  praia.
Mesmo nunca tendo achado um homem suado atraente, Oliver Ferreira a
atraa. Precisava afastar o olhar de seu rosto perturbador, antes que ele
pudesse ver algo nos dela, que no queria que visse.
Para seu alvio, percebeu que agora seus membros se moviam e, juntando as
pontas do cinto, virou-se para a escada que levava ao terrao.
-- No sabia que voc pretendia vir aqui. Tom disse que eu estava aqui?
-- Certo -- Oliver foi irnico. -- Acredite ou no, faz dias que no falo com
meu irmo.
Exatamente quatro dias, pensou ela, vendo que aquela no era a questo.
-- Bem, tive a impresso que sua me disse que voc nunca vinha aqui.
-- Ou voc no teria? -- sugeriu secamente, parando diante dos degraus, de
modo que Grace mudou de idia quanto a subir as escadas. -- Eu diria que
tambm no sabia que voc estava planejando umas frias.
-- Eu no estava. Mas meus pais esto sempre sugerindo que eu aproveite
este lugar.
-- Seus pais esto aqui?
-- Eu... ainda no. Mas, planejam tirar umas duas semanas de frias.
Por que tinha de dizer aquilo para ele? Ficou irritada. Ele podia pensar que
ela queria que soubesse estar sozinha. Ela no queria.
Oliver absorveu seu silncio e depois, para seu espanto, desceu a escada em
sua direo, movendo-se com facilidade.
Mas agora, felizmente, os olhos dele estavam na piscina. Esperando no
demonstrar, Grace ficou perto de umas espreguiadeiras que podiam dar
alguma proteo.
-- Quando chegou aqui? -- perguntou-lhe, quando ela comeava a esperar
que a questo estivesse esquecida.
-- Na noite passada. E voc?
-- Dois dias atrs -- respondeu ele, chegando perto da piscina e molhando a
ponta do p, como ela fizera. -- Mas voc est certa. No sou um visitante
habitual.
-- Ah.
Grace concordou com a cabea, tentando no perceber que a camiseta dele
deixava um pedao de pele escura  mostra quando se inclinara para a gua.
O short deslizara um pouco para baixo da cintura e ela imaginou se ele era
todo bronzeado assim. Parecia.
Ento, percebeu que ele tinha se virado para ela e afastou os olhos. Deus,
nunca se vira especulando sobre o corpo de um homem.
Mas tambm, nunca tinha lembrado de cada segundo que passara com um
homem. E lembrava de cada momento deles na casa de Tom, em detalhes
ntimos. Queria ficar perto dele, sentir suas mos, dar-se a ele de uma
maneira que a aterrorizava, de to intensa.
No acontecera e no ia acontecer, garantiu-se. Mesmo que ela se
respeitasse to pouco a ponto de desculp-lo por como a tratara, era
improvvel que Oliver mudasse sua opinio sobre ela.
E quem o culparia? Tom fizera tudo para dar a impresso de que tinham um
caso, e no podia dizer: "Ei, Oliver, no estou dormindo com Tom."
Importava? S porque Oliver a beijara, ela imaginava terem um
relacionamento significativo, quando era possvel que ele s estivesse
usando-a para irritar o irmo.
-- A gua da piscina est fria. Voc a usa?
-- s vezes. Voc  bem-vindo para us-la, se quiser.
Por que dissera aquilo? Grace engoliu um gemido quando as sobrancelhas
dele se juntaram.
-- Voc no se importaria?
-- Por que deveria? -- Era indiferente o bastante, no era? -- No  a minha
piscina.
-- Certo.
-- Falo srio. Agora, preciso ir me vestir.
-- Por qu?
-- Por qu? -- Ela esperou soar menos chocada do que se sentia.
-- , por qu? -- Ele se aproximou. -- No se vista por mim. Gosto como
est.
A respirao de Grace acelerou, mas a lembrana de como ele a abandonara
com a chegada do irmo naquela noite, fez com que se controlasse.
Ela disse, secamente:
-- Voc  muito gentil, mas sei que no pensa assim.
-- Penso. -- Ele chegou mais perto dela. -- Quero dizer isto. Por que pensa o
contrrio?
-- Bem, vejamos, poderia ter algo com voc no conseguir esperar para se
afastar de mim na noite em que foi  casa de Tom?
-- Voc me culpa? Prefiro fazer amor sem platia. Ou voc teria gostado
que fizssemos sexo diante dele? Perdoe-me, mas no acho que seria bom, e
voc?
-- Voc se vangloria muito -- exclamou, inflamada. -- O que o faz pensar que
eu queria ter sexo com voc, em quaisquer circunstncias?
-- No queria? -- Ignorando a tentativa dela de se esconder atrs da
cadeira, ele empurrou-a para longe e Grace soltou as pontas do cinto. Ento
ele se aproximou, estudando seu rosto tenso com olhar sensual. -- Acho que
queria -- ele falou, puxando-a para perto, pelo cinto. -- As mulheres gostam
de provocar -- acrescentou, o hlito quente bafejando-lhe o pescoo. --
Voc estava tentando deixar Tom com cimes? Conseguiu.
-- Eu no estava tentando deixar ningum com cimes -- retorquiu, um pouco
sem flego, consciente da perna nua dele roando-lhe o quadril. -- Eu no o
convidei para ir a casa naquela noite. Voc foi por conta prpria.
-- Fui. -- Olhou-a intensamente, os olhos demorando mais em seus lbios. Ele
estava tornando impossvel ela conseguir respirar normalmente, o seu
comportamento insinuando a mesma sensualidade daquela noite.
-- Devo me vestir -- repetiu ela. Mesmo com pouca roupa, ele estava
controlado. Ela no. A roupa que usava por baixo era leve e o robe, tambm
leve, deslizava pelo ombro. Alm do mais, ela sabia que a trana estava se
soltando, deixando seus cabelos soltos sobre os ombros.
-- Por que no nadamos? -- sugeriu ele, rouco, empurrando-lhe o robe pelo
ombro, que caiu no cho. -- Voc no est usando nada por baixo, o que 
conveniente, e no gosto de nadar sozinho.
Grace estava assombrada, sentindo seu corpo reagir ao convite, mas no
pretendia deix-lo saber.
-- Tenho certeza que voc nunca faz nada sozinho -- declarou, afastando-
se. -- No entanto, contrariando a opinio que obviamente tem a meu
respeito, no nado nua com ningum.
-- Por que no? -- perguntou ele, aproximando-se mais e pegando um
punhado da blusa, evitando que ela se afastasse. -- No v dizer que 
pudica. No com um corpo que foi feito para ser visto e admirado. At a pe-
quena tatuagem de rosa. -- Os olhos dele escureceram, passando por ela. --
Mostre-me novamente.
Ela engoliu em seco, sentindo os ns dos dedos dele, atravs do tecido.
-- Mostrar novamente o qu?
Bem que ela sabia do que ele falava e lembrou onde estava a tatuagem.
-- Tire essa blusa e ns dois poderemos ver. -- Ela ficou chocada, sentindo a
mo dele pegar o seu quadril, bem na bainha do short largo. -- Voc sabe que
quer.
-- No sei.
Ela sabia. O simples toque daqueles dedos longos e frios em sua carne fazia
os nervos de suas pernas palpitarem, deixando-a ciente de sua excitao no
calor mido que pulsava entre suas coxas.
-- No acredito. -- Ele se inclinou, a lngua passando pelos lbios secos,
separados. -- Voc deseja tanto quanto eu. Na outra noite... -- ele deu de
ombros -- ...foi tudo errado. Hora e lugar errados. -- Ele soltou a blusa e
passou a mo livre pelo pescoo dela, o polegar roando atrs da orelha.
Depois, sua boca tocou a dela num beijo suave. -- Isto est certo.  bom. E,
provavelmente, no seremos perturbados.
Grace ergueu uma das mos para o peito dele, tentando sem sucesso,
afast-lo.
-- Como... sabe?
-- Voc disse que seus pais no estavam aqui -- ele pareceu surpreso.
-- No esto, mas no significa que estou sozinha -- murmurou, sabendo
como ele podia interpretar aquilo e suspirou um pouco mais facilmente,
quando ele segurou o rosto dela.
-- Quem ? -- perguntou, passando os polegares pelo rosto corado. --- Tom?
-- No -- respondeu ela, resistindo  tentao de passar a mo por baixo da
camiseta dele e explorar os msculos fortes que podia sentir sob o tecido.
-- Ele no  o nico amigo que tenho.
-- Ah, eu acredito -- debochou ele. -- Mas algo me diz que est atirando no
escuro. -- Seus dedos passaram por uma mecha de cabelos avermelhados,
passando-a por trs da orelha. -- De que voc tem medo, Gracie? De poder
gostar?
Ela cerrou os dentes, meio com raiva e meio frustrada.
-- No... me chame de Gracie, no  o meu nome -- exigiu, afastando-o com
as duas mos.
--  como Tom a chama.
-- E ele tambm sabe que detesto.
-- Certo. Como gostaria que eu a chamasse? Meu bem? Querida? Baby?
-- Grace est bom -- declarou, duramente, enquanto os lbios dele
percorriam sensualmente os ombros que ele desnudara, sentindo-a tremer
involuntariamente. -- Oliver, por favor...
-- Eu tento -- murmurou ele, fingindo no entender. As mos dele
deslizaram pelos ombros dela para a curva das costas e, quase
instintivamente, ela se arqueou contra ele. -- Mmm, isto  bom. -- Os dedos
dele entraram pela cintura dela, deslizando para dentro, tocando seu
traseiro nu. -- Muito bom.
Ela queria interromp-lo, queria dizer que no importava quo experiente
ele se achasse no era to livre para se comportar como ele pensava. E com
qualquer outra pessoa, teria sido fcil. Fora bem fcil no passado, mas 
poca sempre estivera no controle. Agora no estava. Agora seu corpo a
traa.
Mesmo lutando para encontrar as palavras, para dizer que estava errado, os
lbios dele reivindicaram os dela, num beijo que nada tinha de leve ou
controlado. O calor explodiu entre eles, o contato se aprofundando
instantaneamente, atingindo uma sensualidade que enfraqueceu seus joelhos
e fez com que colasse nele.
Ela ouviu-o gemer, como se no esperasse tal nvel de intimidade e,
silenciosamente, ecoou seu lamento. Temia que, se ele no estivesse
segurando seu traseiro, ela teria desmoronado no cho.
Estava ciente de cada movimento dele: sua lngua mergulhando
possessivamente em sua boca, o peito dele apertava-lhe os seios, as pernas
nuas dele roando as dela, a ereo dura em seu ventre. Ele no podia es-
conder a necessidade primitiva que sentia, tanto quanto ela, e era uma
pequena compensao pelo efeito devastador que causava nas suas emoes.
-- Droga, Grace -- murmurou, encostando a testa nela. -- Voc tem alguma
idia do que quero fazer com voc?
Ela podia imaginar e, surpreendentemente, no se importava como devia. Na
verdade, neste exato momento, no tinha nada que desejasse mais do que
deix-lo fazer o que quisesse, e no sabia o que dizer, se ele no tivesse
escolhido aquele momento para baixar a cabea para o seu seio.
Seus mamilos estavam duros e intumescidos, os picos claramente visveis
atravs do fino tecido, e quando ele mergulhou um na boca, ela sentiu, at
os ps, uma necessidade sexual. Nem a roupa era barreira para os dentes
dele, e o gemido que deu traiu a sua rendio.
Ela agarrou a cintura do short dele, adorando a textura da pele dos quadris
suaves sob os dedos. Queria deslizar as mos para dentro do short, como
ele fizera, mas no se atrevia. Ao invs, contentou-se em erguer um dos ps
descalos, roando-lhe a perna, sentindo a reao dele no tremor convulsivo
de seu corpo.
-- Voc vai me dizer o que queria fazer -- ela lembrou-o, enquanto ele
afastava a camiseta molhada pela sua boca, tomando o seu mamilo j
molhado novamente na boca. Ela prendeu a respirao em ondas de sensa-
es brutas que a assolaram. Depois, num esforo para mostrar que ainda
podia pensar por si prpria, sussurrou: -- Acho que devamos sair do sol.
Oliver respirou trmulo e ela imaginou que ele tambm no conseguia pensar
com coerncia. Seus lbios suavizaram e se afastaram hesitantes.
-- Sair do sol? -- Ele repetiu, rouco, a mo indo para onde seus lbios
estavam, o polegar e o indicador apertando, quase dolorosamente, o mamilo
intumescido. --  o que quer?
-- Isto...  muito pblico -- murmurou ela. -- Voc... me viu pelas rvores.
Algum tambm pode ver.
-- , certo. -- Oliver suspirou e, com claro esforo, as mos se moveram
para os quadris dela, afastando-a dele. Balanando a cabea, ele parecia
confuso. -- Eu devo estar louco. Voc... me deixa louco. No sei o que estava
pensando.
Grace olhou-o ansiosa.
-- Achei... que estava pensando em mim.
-- Estava. -- Mas Oliver no parecia orgulhoso por admitir. Baixou as mos.
-- Mas voc estava certa em me parar. -- Ele se afastou e, quando falou
novamente, seu tom era duro. -- Obrigado.
-- Eu no disse para voc parar. Eu disse...
-- Sei o que disse e sou grato. No estou negando nada. Mas... no devia ter
acontecido.
-- Por que no? -- Ela estava indignada, insegura com o que ele queria dizer
e desesperada para se justificar. -- Somos... dois adultos, no somos? Por
que no...?
-- Porque no sou livre -- respondeu ele duramente, e o queixo de Grace
caiu.
-- Pensei que voc e Sophie...
-- No Sophie. H... outra pessoa. Algum com quem tenho sado faz algum
tempo. Desculpe.
-- Ento por que voc...?
-- Eu disse por qu. Voc me deixa louco.
-- E deixei-o louco na noite em que foi  casa de Tom? -- perguntou ela
friamente.
Oliver fez um gesto.
-- Imagino que sim. No estou orgulhoso.
-- Nenhum de ns dois. -- Grace tremeu, a humilhao fechando a sua
garganta. -- Ah... v embora, sim? V embora. Voc me deixa doente.
-- Grace...
-- V embora daqui -- exigiu e, virando-se, subiu os degraus e entrou na
casa.




CAPTULO NOVE


Na manh seguinte, a me de Oliver contou que Grace estava na casa dos
pais, ao lado.
-- Voc j a conheceu, Oliver? -- perguntou, ocupada em preparar a salada
para o almoo. Felizmente, no olhou para ele e Oliver s fora perguntar
pelo pai.
A me esperava uma resposta e, apesar de sua hesitao em falar da vizinha
deles, admitiu.
-- Achei que tinha -- a sra. Ferreira disse, feliz, mostrando que Grace no
falara com ela sobre o incidente da manh anterior. --  porque pensei em
convid-la para jantar. Ela vir esta noite. Os pais continuam na Inglaterra e
est sozinha.
Oliver bufou imaginando como se livrar disso. Depois de como se comportara
na vspera, ficou surpreso por Grace aceitar o convite de sua me. Mas,
como ele, poderia ter dificuldade em arrumar uma desculpa.
-- Sabe que ela  uma tima garota? -- continuou a sra. Ferreira, cortando
um abacate. -- Seu pai e eu conhecemos os Lovell h alguns anos.
Costumvamos pensar se ela e Tom se acertariam, mas depois... -- 0 rosto
dela corou e resolveu continuar. -- Ele nunca deveria ter se envolvido com
Sophie. Garoto idiota!
Oliver ficou aliviado por sua me ter ficado to sem jeito, que nem
percebeu a resposta dele.
-- Sempre h esperana -- falou, apontando para o abacate. -- Isso parece
bom. Posso provar?
A sra. Ferreira cortou um pedao, oferecendo-o na ponta da faca, que ele
ps na boca.
-- Voc no se importa, no , Oliver? Quero dizer, por convidar Grace?
Como Miranda no est aqui, pensei que voc podia ficar satisfeito com
companhia.
-- Vim para visitar vocs dois. No... no me importo. -- Ele conseguiu sorrir
e perguntou: -- O que Grace disse quando voc convidou?
-- Bem, claro que ela disse no querer ser intrusa, mas, expliquei que voc
no pensaria assim. Que provavelmente sentia falta da companhia de
mulheres jovens.
Oliver conseguiu no mostrar sua contrariedade e, depois de saber que seu
pai estava no ptio, deixou a me fazendo o molho de salada.
No entanto, no foi direto para fora. Por algum motivo, sentiu que precisava
de um tempo sozinho. Foi para o quarto e sentou-se na cama, enterrando o
rosto entre as mos.
Deus Todo-Poderoso, o que diria a Grace? Como conseguiria passar uma
noite em sua companhia sem trair o efeito que ela causava nele? Ele podia se
dizer, para sempre, que ela no valia tudo o que sentia dentro da alma, que
podia controlar o que sentia por ela, mas nada parecia funcionar. Por
qualquer ngulo que tentasse olhar quando estava com ela, pensava com seu
sexo, no com a cabea.
Deitado de costas, ficou olhando para o teto. Inferno, o que estava
acontecendo com ele? No era um animal.
No perdia tempo com mulheres que no respeitava; no tinha respeito por
Grace Lovell e ao jogo dela, jogando ele e Tom um contra o outro.
O problema  que ela parecia inocente, reconheceu, raivoso. At v-la com
Tom, nunca imaginaria que ela era melhor que sua ex-esposa.
Ao mesmo tempo, aquilo no o afastava dela. No imaginava o que pretendia
na noite em que fora  casa de Tom, encontrando-a sozinha, mas em sua
mente, aquilo inclua sexo e lenis frios. Ele a quisera ento e ontem de
manh e, se ela no tivesse sugerido uma mudana de lugar, teria ido em
frente.
As palavras dela tinham acordado a sua razo e racionalidade e admitia que,
a duras penas, encontrara foras para sair de l. No se orgulhava de ter
usado Miranda como desculpa e, com toda honestidade, ela merecia mais,
diferente de algum que preferia no mencionar. Frustrado, passou a mo
pelos cabelos. Tomara banho logo cedo e, at sua me soltar a bomba,
pretendia passar o dia tentando lidar com a situao financeira do pai.
Pensara numa soluo que esperava, serviria aos dois objetivos, mant-lo na
casa e salvar o centro de jardinagem. Significava tambm ajudar Tom, mas,
qualquer coisa era melhor do que saber que o pai teria de vender este lugar
e passar os invernos numa torre de concreto sem vida.
Agora s conseguia pensar naquela noite e na visita de Grace. No ajudava
saber que ela deveria estar to sem jeito quanto ele. Os planos de sua me o
colocavam numa posio difcil e se no o fizesse parecer um covarde, diria
estar doente, desaparecendo.
No fim da tarde, Oliver se convencera de estar exagerando. Afinal, o que
podia acontecer? Era apenas um jantar. Seus pais cuidariam de toda a
conversa e, certamente, ele podia manter um ar educado por uma noite?
Afinal, at a sua libido faz-lo portar-se como um idiota, gostara de
conversar com ela. Era esperta e inteligente e, claramente, gostava e
respeitava os pais dele.
Sua me dissera ter pedido a Grace para chegar s sete e meia, que o
jantar seria servido s oito horas e, s sete e quinze, Oliver andava pelo
ptio, com a segunda cerveja da noite na mo. A sra. Ferreira no escondera
a desaprovao quando ele tirara a segunda garrafa da geladeira, mas no
dissera nada.
Olhou para a escurido, sentindo a brisa suave em sua pele quente. Havia
luzes em volta do ptio, mas boa parte do jardim estava na sombra,
ocultando uma fonte de dzias de diferentes perfumes. De dentro da casa,
vinha o cheiro familiar do molho de estrago de sua me. Ela estava
preparando peitos de frango assados, recheados com foie gras, e sua
sobremesa favorita, um delicioso pudim de creme de caramelo.
Enquanto tomava um grande gole de cerveja, sentiu que no estava mais
sozinho, sem saber como. Sentia olhos sobre si, os olhos dela, e ficou
surpreso quando ela apareceu na luz.
O que o surpreendeu foi como ela estava. At ento, alm do roupo que
usava na vspera, nunca a vira seno de cala comprida, e foi um choque v-
la de saia. E que saia! Era de seda fina, de tons pretos e bronze, que, apesar
de deslizar suavemente de sua cintura at quase os ps, conseguia envolver
cada curva de seus quadris e coxas. Uma blusa de seda cor de mbar, curta,
completava o traje, expondo braos delgados e pulsos, cheios de finas
argolas de ouro. O colo sedoso e o vinco dos seios exibiam-se tentadores
pelo decote, e tocados aqui e ali pelos gloriosos cabelos avermelhados, que
caam soltos pelos ombros. Grandes argolas, combinando com os braceletes,
pendiam das orelhas, brincando de esconder com as mechas de cabelo.
Mas foi o rubi que enfeitava seu umbigo, revelado enquanto se movia, que
chamou a ateno de Oliver. A jia estava aninhada, ondulando sensualmente
quando ela andava.
Ele estava acalorado antes, mas agora sentia uma onda de luxria
umedecendo sua pele. Ela parecia exalar puro sexo e ele no seria humano se
no respondesse  atrao deliberada de Grace.
Sentindo como se pudesse beber uma dzia de cervejas e ainda assim no
aplacar a sua sbita sede, Oliver encostou-se  parede e tentou saudar,
casualmente.
-- Oi -- falou, cruzando os braos. -- Voc est... -- Incrvel?
Deslumbrante? Arrebatadora? -- ...diferente.
Como cumprimento era lamentvel, e os lbios brilhantes de Grace
curvaram-se, num sorriso irnico.
-- Quer dizer, vestida? -- perguntou, olhando em volta, como se para ver se
estavam ss. -- No creio que goste desta situao mais do que eu.
Aquilo foi direto e Oliver conteve-se para no franzir o rosto.
-- Que voc est vestida esta noite? -- Estava desesperado para conseguir
uma vantagem. -- Imagino que no me perdoou.
-- Perdo-lo? -- Ela parou a poucos passos dele, um dedo brincando com a
argola da orelha. -- Pelo qu? Enganar, me deixando pensar que estava
interessado em mim? Por quase me seduzir diante de toda a vizinhana?
Os lbios de Oliver se apertaram e ele virou-se, pousando a garrafa de
cerveja no muro.
-- Por tudo -- respondeu, rouco, rendendo-se ao inevitvel. -- Como eu disse,
no devia ter acontecido.
Quem ele enganava? No a ela, pensou. Ele queria que acontecesse e ela
sabia. No queria estar atrado por ela, no queria sentir esta fome
instantnea sempre que a via. Mas sentia. Ento, assuma Ferreira. Ela no 
para voc.
-- No se culpe -- ela murmurou e, para assombro dele, chegou mais perto.
-- O que est bebendo? -- perguntou, pegando a cerveja. -- Algo alcolico?
Pensei que no o fizesse.
-- Geralmente no. Ei, eu estava bebendo da.
-- Eu sei -- disse ela, rouca, erguendo a garrafa aos lbios e tomando um
gole. -- Posso sentir o seu gosto.
Oliver no sabia o que teria feito em seguida se o seu pai no tivesse sado
no ptio naquele instante.
-- Ah, Grace, querida -- ele exclamou. -- Espero que Oliver esteja cuidando
de voc. O que est bebendo? Cerveja? Tenho certeza que podemos fazer
melhor do que isso.
-- Gosto de cerveja -- falou Grace, indo de encontro ao homem e deixando-o
beijar suas bochechas. -- Bem europeu -- brincou, olhando para Oliver. -- 
bom rev-lo, sr. Ferreira. Parece estar bem.
-- E voc est linda -- exclamou o homem mais velho, calorosamente.
Observando-os, Oliver sentiu um toque de inveja. Queria se mover e passar
a mo possessiva em sua cintura nua e faz-la ficar ciente dele, como estava
dolorosamente ciente dela.
-- O qu? Nesta coisa velha? -- disse, desprezando a blusa e tocando a saia
com um gesto descuidado. -- Na verdade, acho que esta saia  da minha me.
Est um pouco apertada.
-- Nos lugares certos -- declarou o pai de Oliver, com admirao e Oliver,
que nunca vira seu pai assim antes, queria esticar a mo e afastar o pai dela.
Que diabos ele estava fazendo? No sabia que ela no era melhor do que
Sophie? Por que estava to derretido com ela? Oliver sentia-se fisicamente
doente.
Foi um grande alvio quando sua me apareceu, vendo toda a cena com um s
olhar.
Mesmo Oliver esperando que ela mostrasse alguma impacincia com seu pai,
o sorriso foi caloroso e sincero.
-- Grace, espero que meu marido no a esteja encabulando.
-- Como se ele pudesse -- respondeu Grace, calorosa, abraando a mulher
mais velha. -- Ele  um velho galanteador, s isso.
-- Algo velho, pelo menos -- murmurou Nancy Ferreira, depois, virando-se
para o marido. -- George, v buscar a bandeja, sim? Creio que gostaramos
de um drinque antes do jantar.
-- s suas ordens -- concordou o marido, galante e entrou, enquanto Grace e
sua me trocavam um olhar de entendimento.
Aquilo fez Oliver sentir-se estranho ali e no gostou. Seus pais nunca
tinham tratado Sophie com tanta afeio, mas tambm Sophie nunca se
esforara para ser amigvel. A no ser com Tom, claro.
Mas sua me no o esquecera e virou-se, chamando-o.
-- Venha salvar Grace de seu pai, Oliver. Ela  educada demais para dizer
que ele est velho demais para bancar o tolo.
-- Com prazer -- disse ele, sem se preocupar com que Grace o olhasse com
olhos frustrados. Ento, ele tirou a cerveja da mo dela. -- Eis papai com os
drinques. Quer uma margarita, Grace?
Ela cerrou os lbios e ele esperou que desse uma resposta atravessada.
Porm, com cortesia, para com seus pais, ele imaginou, ela virou para seu pai,
dizendo.
-- Eu adoraria. Obrigada, sr. Ferreira.  exatamente o que preciso.
Todos se serviram e, depois, seu pai resolveu fazer um brinde.
-- Ao Oliver.  bom t-lo aqui, filho. Agora que... bem, voc sabe quem est
fora de cena, espero v-lo muito mais, independente dos negcios.
-- Aqui -- disse a sra. Ferreira, prendendo o brao no de Oliver e pousando
a cabea no ombro dele por um momento. -- Sentimos a sua falta, meu
querido. E, apesar de suas faltas, sabemos que Tom tambm sentiu.
Teria? Oliver pressentia que tudo o que Tom sentia era a falta de seu apoio
financeiro. Bem, talvez estivesse sendo cnico demais. De qualquer forma,
visto que seu irmo dormia com Grace, ele duvidava que pudessem voltar a
ser amigos.
Como precisava dizer alguma coisa, erguendo seu copo, disse:
-- Estou contente por estar aqui. Tinha esquecido como  ser mimado. --
Sorriu. -- Vocs sempre me fazem sentir bem-vindo e gosto disso.
-- Bobagem -- exclamou sua me, olhando-o de esguelha. -- Este  o seu lar,
Oliver. Tanto quanto aquele estdio em Newcastle.
A refeio foi como sua me queria que fosse. Uma sopa picante de peixe
foi seguida por macios peitos de frango e o pudim de caramelo era, como
Grace colocou to bem, "de matar por ele!"
Tomaram caf no ptio, o ar quente da noite diferente do frescor no
interior da casa. Oliver estava nervoso. Achava cada vez mais difcil agir
como se Grace fosse uma conhecida casual e no ajudava ela parecer apro-
veitar cada oportunidade para provoc-lo.
-- Voc passa muito tempo na Espanha, Oliver? -- perguntou, com fingida
indiferena e ele viu seu olhar frio.
-- Infelizmente, no tenho a oportunidade de me afastar com freqncia --
respondeu, esperando encerrar o assunto. Mas, como sempre, sua me
insistiu.
--  isso que ele sempre diz -- declarou, olhando desaprovadora para o filho.
-- Esperamos que mude no futuro.
A sobrancelha de Grace arqueou.
-- Ah, posso perguntar por qu?
No pode, Oliver pensou sombrio, suspeitando de onde isso iria parar, mas
sua me continuou.
-- Agora que Sophie est fora de cena -- confidenciou, fazendo seu filho
cerrar os dentes --, tenho certeza de que no preciso dizer o que aquela
mulher fez para a nossa famlia.
-- No creio que Grace precise ouvir isto -- protestou Oliver, com certa
aspereza, mas a sra. Ferreira limitou-se a fit-lo.
-- Por que no? No  segredo. E Grace no  do tipo de ficar de falatrio.
Os lbios de Oliver se apertaram, mas no conseguiu interromper a me. Ela
exclamou:
-- , tenho certeza de que Miranda no  como Sophie.
-- Miranda? -- Ele era a nica pessoa a notar que a curiosidade de Grace
estava ficando pessoal. -- Voc a conhece?
-- Infelizmente, ainda no. -- A sra. Ferreira lanou um olhar triste para
Oliver. -- Mas com certeza gostarei dela. Sabe que  uma bem-sucedida
advogada? Diferente de Sophie, que nunca trabalhou em nada por mais de
algumas semanas.
-- Nancy! -- interveio o pai de Oliver. -- Isto  assunto do Oliver, no nosso.
No acho que seja da nossa conta.
-- Mas eles so da nossa conta -- fungou ela. -- Voc no quer ver nosso
filho feliz?
-- Claro que sim. Mas no quero afast-lo novamente por estamos
interferindo em sua vida.
Agora, a me de Oliver parecia um pouco ansiosa.
-- Tenho certeza de que Oliver sabe que s penso no melhor para ele, de
corao.
-- . -- Oliver lanou um olhar grato ao pai. -- Vamos falar de outra coisa?
No gostaria de deixar a sua convidada aborrecida com meus problemas.
-- No estou aborrecida -- falou Grace. Com os olhos verdes desafiando-o,
ela murmurou. -- Creio que devo ir. Est ficando tarde e estou cansada com
a mudana de temperatura.
A sra. Ferreira pareceu desapontada.
-- Se precisa...
-- Gostei muito -- garantiu, levantando-se, enquanto Oliver e seu pai faziam
o mesmo. -- O jantar estava delicioso.
A me dele parecia satisfeita.
-- Voc precisa voltar. Independente do que ele diz, sei que Oliver acha a
nossa companhia aborrecida.
De alguma maneira, ele conseguiu evitar dizer como realmente se sentia,
mas sentiu que Grace estava totalmente ciente de seus sentimentos.
-- Veremos -- foi o que ela disse. -- Mas, obrigada. Vocs... todos... so
muito gentis.
Ela os beijou antes de partir, mas quando comeou a atravessar o ptio, a
sra. Ferreira deu a ltima palavra:
-- Oliver -- lanou um olhar ingnuo para ele. -- Por que no acompanha
Grace at em casa? No  longe, mas est escuro e ela est sozinha l.
-- Eu...
Ele abriu a boca para dizer que tinha certeza que Grace no precisava de
sua companhia, quando ela falou:
-- Ah, isso seria gentil -- murmurou, os olhos verdes vivos, provocantes. --
Se no se importar.


CAPTULO DEZ


Como poderia recusar?
Mesmo no querendo, ele teve de acompanh-la. S porque no queria ficar
sozinho com ela, s porque passara a noite toda se convencendo de que,
qualquer atrao pecaminosa que sentia por ela, que podia conquist-la, no
era motivo para ser grosseiro.
E recusar acompanh-la seria grosseria. Seus pais j o olhavam com
expectativa, esperando que dissesse o bvio: que adoraria acompanh-la.
Mas ele suspeitava de que ela queria provoc-lo, pelo menos um pouco. Deus!
Ele gostaria de ficar com raiva dela. Seria muito mais fcil. E saudvel.
-- Lgico. Podemos ir?
Se Grace ficou surpresa, no demonstrou.
-- Obrigada, novamente -- falou, erguendo a mo em despedida. Depois
andou  sua frente pelo caminho que levava  casa ao lado.
Atravessaram o gramado da frente da casa e depois contornaram o jardim
dos Lovell, que levava  porta de entrada. Um prtico de pilar ocultava
portas duplas e Grace tirou uma chave da bolsa, pronta para entrar.
-- Bem... obrigada por me acompanhar -- disse, friamente. -- Creio que
posso ir daqui.
-- Tem certeza? -- Ele no estava propenso a deix-la ir sozinha. -- No
gostaria que eu verificasse dentro, para o caso de ter algum gatuno por a?
-- No  necessrio -- comeou Grace, depois, perdeu o flego. -- Oh, Deus!
-- O que foi? --- Oliver ficou em alerta. -- O que est errado? Est se
sentindo mal ou algo assim?
-- No. -- Grace engoliu em seco e apontou para o painel da porta. -- H luz
l dentro.
Havia. As sobrancelhas de Oliver se juntaram.
-- Voc no deixou a luz acesa, certo? -- perguntou, suavemente.
-- No.
-- Ento... -- Oliver hesitou --... h um alarme?
-- H, mas eu no o ativei -- confessou ela em voz baixa.
Bom, pensou Oliver ironicamente. Mas ainda assim, ela s estivera de visita
na casa ao lado.
-- Certo -- disse ele, depois de um momento, pegando a chave de sua mo e
pondo na fechadura, silenciosamente. -- Voc fica aqui.
-- O qu? -- Grace umedeceu os lbios. -- No posso fazer isso. No posso
deix-lo entrar sozinho. Pode... ser um ladro e estar armado.
-- E o que voc far se ele estiver? -- sussurrou Oliver, secamente. -- Pegar
sua arma e atirar nele?
-- Eu no tenho... ah, voc! -- Ela tocou as costas dele instintivamente e
depois pareceu lembrar que isso no era uma brincadeira. -- H... voc
tomar cuidado?
-- No sabia que se preocupava -- murmurou ele, abrindo a porta. Apesar de
seu humor, no deixou de desejar ter algo para usar como arma, se
necessrio. Encostou-a de um lado da porta, fora da viso de qualquer
intruso. -- Fique aqui. No se mexa.
-- Mas...
-- Obedea -- comandou, duro, e entrou na casa.
A luz vinha dos fundos. Se tivesse que adivinhar, diria que vinha da cozinha
e imaginou o que um ladro poderia esperar encontrar l. Ainda assim, ouvira
falar de pessoas que escondiam valores no freezer, e era possvel que um
invasor tambm tivesse ouvido.
Felizmente, seus ps fizeram pouco baralho no mrmore do corredor. Ele
andou encostado  parede, tentando perceber o desenho da casa, enquanto
andava. Estava escuro, mas o luar iluminava uma sala de estar espaosa,
atravs do corredor em arco, uma escadaria em curva era um pouco
preocupante, mas, se houvesse algum l em cima, teria que tratar daquilo
depois. Agora, precisava cuidar do seu primeiro objetivo.
Quando quase chegara  porta da cozinha, percebeu que estava aberta. Por
isso conseguira ver a luz l de fora. Mas tambm percebeu que a luz no
vinha da cozinha, vinha de fora, brilhando nas janelas. Algum ou algo, talvez
um gato, podia ter disparado as luzes de segurana e os fundos da casa
estavam iluminados por uns seis fachos de luzes algenas.
Oliver expeliu o ar que, sem saber, estava prendendo. O intruso, se algum, o
que ele duvidava, j estava longe. Balanou a cabea, aliviado por no
precisar bancar o heri.
Estava comeando a respirar normalmente quando algum pegou a sua
camisa    por    trs. Ficou  alerta,   respondendo    instantnea  e
descontroladamente. Soltando uma praga, virou-se e imprensou a pessoa
contra a parede.
No sabia qual dos dois estava mais chocado. O grito que Grace emitiu
quando o brao dele apertou-lhe o pescoo foi de dor, e ele soltou um
gemido frustrado, ao ver quem estava atacando.
-- Deus, Grace -- murmurou, tirando o brao da garganta para apoiar seu
peso na parede, ao lado dela. Seu cotovelo tocou o interruptor, iluminando o
corredor com uma tonalidade mbar. -- Me desculpe. Pensei que era...
-- Eu sei -- falou Grace, quando ele parou, sua voz um pouco rouca da
presso que ele fizera. -- Sou uma tola!
-- Ento, por que diabo no ficou onde estava? Eu podia ter quebrado seu
pescoo.
-- Eu sei. -- Grace ainda estava encostada na parede, o rosto plido sob a
luz artificial. -- Mas percebi de onde vinha a luz. -- Ela esfregou a garganta.
-- No pretendia assust-lo.
-- Me assustar? -- Oliver no conseguiu evitar a meia risada que lhe
escapou. -- Voc realmente sabe como estripar um cara, no ?
Grace agora sorria.
-- No quis dizer isso assim. -- Ela pareceu notar quo prximos eles
estavam e se apertou contra a parede. -- Estou realmente muito grata.
Quo grata?
Aquele pensamento o assustou, mas no impediu que seus olhos fossem para
os lbios dela. Agora sem batom, ainda eram to suculentos quanto no incio
da noite e seus dedos se moveram, por conta prpria, para toc-los. O
polegar invadiu a boca, sensual e possessivamente, roando a carne suave.
Agora, os olhos dela estavam arregalados, um olhando para o outro, e ele
no pde se controlar, inclinando e mordiscando seu lbio inferior. Ele
mordeu forte, vendo a dor enevoar os olhos dela, mas em seguida, tambm
no conseguiu se controlar, inclinando-se contra ele.
Seus clios baixaram, ocultando os olhos, enquanto ela espalmava as mos no
peito dele, num fraco esforo para afast-lo. Quando ele se aproximou mais,
os dedos dela apertaram a camisa, quase convulsivamente.
-- Voc quer que eu v embora? -- perguntou, a voz rouca como a dela.
-- S... pare de falar -- sussurrou e, sem controlar suas emoes, Oliver
cobriu os lbios dela com os seus.
Os seios colaram em seu corpo, as mos que estavam fechadas no ventre
dele deslizaram para os ombros, agarrando os cabelos da nuca.
Separando os lbios, ela permitiu que a lngua de Oliver entrasse e
encontrasse a sua, numa dana provocante. As unhas dela se cravaram na
nuca dele, mostrando a sua reao a ele, que sentiu o sangue ferver na
virilha. Um sentimento de fome o acometeu e, curvando os braos, encostou
o corpo no dela.
Puxa, como era bom, pensou, a ereo dele fazendo com que separasse as
pernas para acomod-lo. Ajustavam-se to bem que pareciam ter sido feitos
um para o outro e ele bloqueou na mente a imagem de seu irmo e do fato de
Tom ter estado ali antes dele.
Segurando-lhe o rosto entre as mos, beijou-a repetidamente, em beijos
que criaram um sentimento de abandono. Nunca estivera mais excitado,
quente, seu sexo pulsando com tanta intensidade que quase doa.
Precisava ficar dentro dela, sentir sua maciez, seu calor, envolvendo-o,
saciando a fome que desencadeara nele. No teria alvio at satisfazer
aquela fome, agora aceitava aquilo.
Deslizou as mos pelos cabelos sedosos, adorando como as mechas
avermelhadas se enrolavam em seus dedos, suaves e sensuais. Passou a boca
dos lbios para a orelha, a lngua explorando o lbulo macio, antes de passar
para o pescoo. Podia sentir-lhe a pulsao, danando em ritmo acelerado
como a dele, o ombro se inclinando sob a sua carcia, convidando-o a provar
sua carne suave.
E ele o fez. Mordiscando-lhe o ombro e sugando a pele, at que ela gemeu.
Olhando para baixo, seus olhos viram a separao em V dos seios atravs do
decote da blusa e, com a respirao entrecortada, deixou suas mos
acompanharem o olhar.
Primeiro, contornou os seios, sentindo o calor e tamanho, atravs da seda.
Os mamilos estavam duros quando seus polegares os roaram e pousou um
beijo sensual entre eles.
Mas no era o bastante, nem de longe. Ele queria arrancar a blusa e toc-la,
no  seda. Tambm queria arrancar sua camisa, sentir os seios em seu
peito, toc-la at que ficasse to quente e fora de controle quanto ele.
Descobriu que fitas prendiam a blusa atrs e, quando puxou as pontas,
soltando-a, ela segurou a frente, como se protegendo.
-- No me interrompa -- gemeu. Ele a queria tanto que seria uma agonia
deix-la ir.
-- No -- disse ela, sem flego, pegando-lhe a mo. -- Por aqui --
acrescentou, puxando-o pelo corredor e entrando na sala que ele vira de
relance.
Agora, as luzes provenientes das janelas estavam apagadas e havia apenas a
iluminao suave vinda do corredor, mostrando para onde ela o levava. Dois
sofs de veludo formavam um ngulo reto com uma lareira de pedra, onde
velas apagadas pousavam. Tapetes chineses cobriam o cho, cortinas longas
e soltas pendiam das janelas e um sistema de som ficava ao lado de uma
prateleira de CDs.
Grace afundou num dos sofs, puxando-o para si, e ento deixou que a blusa
casse para a cintura. A expresso dela no era fcil de ser lida, devido 
penumbra que havia, mas ele pensou que ela parecia um pouco chocada com
seu prprio comportamento. Ele teve a ridcula sensao de que ela nunca
fizera nada disso antes, mas ento o desejo e a sua prpria necessidade
afastaram quaisquer dvidas.
Os seios eram firmes e os mamilos eretos, grandes e rosados. Intumescidos
pela emoo, apontavam orgulhosamente para ele, que com outro gemido,
cobriu-os com as mos.
-- Voc  to... linda -- sussurrou com voz trmula, subitamente nervoso,
como ela parecia estar. Com um dedo, ele traou a curva de sua garganta e
olhou-a atentamente. Inseguro, percebeu o quanto queria esta mulher, mas
no imaginava o que ela queria dele.
Ainda assim, quando ela ergueu a mo e pegou seu rosto, cada nervo do seu
corpo respondeu. A mo fria incendiou-o e ele virou o rosto, beijando sua
palma, depois subindo pelo brao e cotovelo, sentindo as veias pulsando. Ela
tremeu antes de dizer, rouca. "Tire a sua camisa, quero v-lo." E botes
voaram, enquanto ele puxava o tecido de dentro da cala.
Ela encostou e Oliver seguiu-a, adorando sentir os mamilos rijos em seu
peito. Eles roavam os plos perto de seu umbigo, deixando-o desesperado
para sentir cada centmetro do corpo nu sob si, na cama improvisada.
Os lbios se encontraram novamente e ele sentiu que era incapaz de ter o
suficiente dela, sentindo a lngua render-se  dele. Curvado sobre ela,
correu a mo do ombro para o joelho, a abertura da saia permitindo-lhe
tocar cada curva de seus quadris e pernas, que Grace quase
involuntariamente exibia, convidando-o a se alojar entre elas.
Ele o fez, seus quadris roando a suavidade dela. Ouviu um gemido rouco e
ela se prendeu nos ombros dele. Suas pernas se juntaram novamente,
prendendo-o quase nos lugares mais ntimos, e ele sentiu uma espcie de
angstia quanto  honestidade dela.
Baixando a cabea, procurou um seio, envolvendo o mamilo em sua boca.
Sugou-o avidamente, movendo-se depois para o outro seio, repetindo a
carcia.
Ela se arqueou para ele, os braos passados pelo seu pescoo. Oliver gemeu
fundo. Ela era to receptiva, to sensvel s suas necessidades, e ele no
seria humano se no sentisse a necessidade de mover as mos para a cintura
de Grace.
Ela tremeu ligeiramente quando ele desabotoou a saia, depois, tocou a
cintura baixa da calcinha e, quando sua mo deslizou para dentro da pequena
pea, sentindo como estava excitada, tudo o mais sumiu de sua cabea. A
reao instintiva dela foi se apertar contra a mo dele, e os dedos dele
deslizaram entre os cabelos encaracolados que protegiam o seu monte,
encontrando a fenda mida.
-- Oh, Deus, Oliver arquejou quando ele deixou que dois dedos invadissem a
fenda e seu polegar encontrasse a protuberncia inchada de sua
feminilidade, esfregando-o at ela tremer incontrolavelmente sob suas
mos.
-- Voc... no devia -- murmurou, quando foi capaz de falar. Mas Oliver
apenas enterrou o rosto naquela maciez, deliciado com o gosto da sua
paixo.
-- Por que no? -- afinal ele conseguiu falar, tirando-lhe a blusa e a saia do
caminho e erguendo-a, para facilitar. -- Voc no gostou? Parece que sim.
-- Mas voc ainda est vestido -- protestou ela, o rosto corado e adorvel
na penumbra. As mos foram para a cintura dele -- Deixe-me ajud-lo.
Oliver perdeu o flego quando ela tocou sua ereo. Interrompendo a sua
tentativa de soltar o cinto, ela tocou a forma dele, antes de pegar o zper.
-- Mostre-me -- sussurrou ela, os lbios suaves entreabertos. Oliver sentiu
algo que nunca sentira antes. Mal conseguiu soltar o boto da cintura, antes
das mos dela deslizarem para sua cueca. Dedos suaves fecharam-se em
volta dele, movendo-se por todo o comprimento, encontrando a prola mida
na ponta, que levou aos lbios.
-- No -- falou, trmulo, erguendo-se do sof, tirando a cala e a cueca
junto, arrancando os sapatos. -- Deixe-me...
Ele estava de volta sobre ela antes de terminar de falar, cobrindo-a com
seu corpo, deixando-a sentir as diferentes texturas de cabelo e pele
enquanto eles tocavam e se misturavam aos dela. Separou-lhe as pernas,
aninhando-se em seu monte e ela tremeu sob ele.
Por alguns momentos foi suficiente ficar ali e apreciar a intimidade
desconhecida de seus corpos unidos. A respirao dela, entrecortada era
quente em seu queixo. As mos dela afundaram nas costas dele antes de
explorar os msculos rijos de suas ndegas, causando uma sensao que ele
nunca sentira antes, e a sua ereo tornou-se quase dolorosa.
Foi o modo como ela se mexeu que causou aquilo. Sentiu a sensualidade de
seu corpo quando o p deslizou Pela batata de sua perna. O cheiro da
excitao dela assolou-o e sentiu-se imediatamente apertado. Ele a queria
antes, mas nada como isso. Agora sabia que precisava t-la ou morreria.
Firmando os quadris de Grace, ele se ergueu e viu como os olhos dela
fitavam seu membro intumescido. Mas, quando fitou o rosto ansioso dele,
no havia apreenso ou remorso nos olhos dela. Apenas uma fervente
excitao, combinando com a dele.
Ele olhou-a possessivamente, cobrindo seus seios novamente com as mos,
amando o sentimento de poder. Ela era dele, pensou exultante.
Independente do que acontecesse agora ela era dele.
-- Vai -- ela sussurrou, trmula, erguendo os joelhos, expondo-se
completamente, o desejo superando tudo.
Ajoelhando entre as pernas dela, ele se guiou, afastando as curvas midas e
se pressionando gentilmente nela.
Ela era to apertada, que ele quase acreditou que fosse virgem. Mas no
havia uma barreira oculta  sua invaso, apenas msculos que flexionaram e
se expandiram para acomod-lo, apenas os gritinhos entrecortados dela,
apressando-o.
Era difcil ser paciente, controlar a sua necessidade de ficar dentro dela.
Foi uma sensao incrvel, desconhecida, de prolongar o seu prazer e o dela.
Com receio de poder machuc-la, ele ficou relutante em se mover.
Como se entendesse os seus sentimentos, Grace tocou-lhe os lbios com os
dela. Ele sentiu os fios de barba raspando nela, que no pareceu se
incomodar. A lngua tocou a de Oliver com gentil urgncia e ele foi tomado
pelo desejo de tornar aquilo to bom para ela quanto era para ele.
Com uma das mos de cada lado da cabea de Grace, ele se ergueu quase ao
ponto de se separar dela e sentiu o movimento de se aproximar dele. Ento,
olhando-a, entrou novamente e, parecendo quase instintivo, ela se adiantou
para encontrar a sua investida.
Eles combinavam perfeitamente, ele pensou, repetindo o movimento e
sentindo os msculos apertando em torno dele. A resposta dos dois era
semelhante e logo o desejo de prolongar o prazer mtuo foi assolado pela
fome da necessidade dele.
Ainda assim, ele estava determinado a que ela o acompanhasse em cada
passo. Apressando os toques, ele deslizou uma das mos para entre eles,
roando a protuberncia que acariciara antes.
A resposta foi imediata. Apertando seus ombros, ela gritou, sem flego. O
clmax tomou conta dele, que perdeu o controle. Atirando-se contra ela mais
uma vez, ele explodiu, a sua liberao entrando nela, sem pensar em segurar
nada.
Caiu sobre ela, o corpo tremendo, e foi s quando ela se mexeu ligeiramente,
reclamando do seu peso, que ele percebeu o que fizera. Fizera amor com ela
sem qualquer proteo, para ele ou para ela, e sentiu remorso. Ela merecia o
melhor dele e devia estar envergonhado.
Mas sabia que seria impossvel parar em qualquer ponto. Fora envolvido na
teia da paixo, um desejo to irracional que s queria senti-la em volta dele,
carne com carne, pele com pele. E se aquilo significava que haveria
conseqncias, que fosse. Neste momento, ele pensava que nenhum preo
era demasiado alto a pagar.
Mas quando virou a cabea e tocou-lhe o pescoo, Grace reagiu
diferentemente. Ao invs de aceitar sua carcia, ela lutou para se afastar e,
quando ele se afastou, ela levantou-se.
Abaixando-se para pegar suas roupas, juntou-as e olhou para ele, que ficou
assombrado por ver que seus olhos estavam vermelhos, como se estivesse
chorando.
-- Acho que  melhor ir embora -- disse ela e Oliver ficou subitamente
ciente de sua nudez e do fato que seu sexo ainda latejava, meio ereto.
-- Se  o que quer -- ele disse, no entendendo bem como o olhava.
Sentando-se, ele pegou as calas e vestiu, enfiando a cueca no bolso.
-- Voc... est bem?
-- Por que no estaria? -- perguntou ela, com a mesma voz controlada.
Esperou at que ele pusesse a camisa sobre os ombros. -- Pegou tudo?
-- Grace...
-- Apenas v -- ela indicou a porta. -- Seus pais podero imaginar onde est.
-- Ao inferno com meus pais -- disse ele, rouco e confuso.
-- Como voc diria. -- Ela murmurou, amargamente. -- Boa noite, Oliver.
Solte a tranca da porta quando sair.




CAPTULO ONZE


Grace dormiu bem, mesmo esperando ficar acordada metade da noite.
Exausta, depois de lavar o rosto e escovar os dentes, mergulhou na cama e
num sono sem sonhos.
O sol da manh acordou-a, invadindo o quarto, avisando que j era dia.
Mesmo sendo cedo, Grace levantou. Sentia-se quente e pegajosa, mas no
quisera tomar banho antes de ir para a cama.
Agora, ensaboava cada centmetro do corpo, para remover qualquer trao de
Oliver. Tirou o piercing, pensando que nunca mais o usaria.
Apesar de seus esforos, parecia sentir o gosto de Oliver na boca, o cheiro
dele em seus pulmes. Resolveu andar pela praia.
Antes, tirou os lenis da cama, jogando-os na mquina de lavar. Ligando a
cafeteira, subiu e vestiu uma camiseta rosa sem mangas e short de ciclista
preto, prendendo os cabelos.
Parou para tomar uma caneca do caf recm-coado antes de pegar as
chaves do carro de seu pai e ir para a garagem. No queria andar at a
aldeia, para no encontrar Oliver.
Enquanto se afastava, viu que a casa ao lado parecia vazia. Talvez ainda
estivessem dormindo. No conseguiu evitar um tremor ao pensar em Oliver
deitado. Achava que nunca esqueceria da ltima vez em que o vira, no sof
de seus pais. Jamais conhecera um homem que ficava to confortvel em sua
prpria pele.
Mas tambm, no vira muitos homens nus. At a noite passada, nunca
conhecera tudo aquilo. s vezes, as garotas com quem trabalhara falavam
sobre sexo, mas Grace sempre pensara que as histrias delas eram exa-
geradas. Uma desculpa para fingir que suas vidas eram atribuladas.
Agora pensou que deviam estar certas. No importando o quanto poderia se
arrepender do que acontecera -- e se arrependia -- no podia negar que se
sentira, pela primeira vez na vida, uma mulher de verdade.
Oliver fizera aquilo. Qualquer outra coisa que ele tivesse feito, e no
conseguia esquecer que, um dia antes, dissera ser comprometido, tinha dado
uma aula especial.
Do momento em que a tocara no corredor da casa at assumir seu controle
sob ele no sof, tinha perdido toda a sua noo, e decncia. Eles haviam se
portado sem qualquer vergonha, s se importando com a gratificao. E ela
se preocupara por Tom fazer qualquer movimento. Comparado ao seu irmo,
Tom era um amador. Tambm no desculpava o seu comportamento. Sabia
que ele no era confivel, conhecia a lealdade dele, mas aquilo no a
impedira de continuar.
E o pior, considerando como ele a tratara na manh anterior, tinha se
vestido deliberadamente para a ocasio, querendo que ele visse o que estava
perdendo. Queria humilh-lo, aceitando que a acompanhasse at em casa,
planejando rejeitar qualquer avano que pudesse fazer.
No dera resultado. Agora reconhecia que no fora uma opo
especialmente bem-sucedida. Tinha o desconfortvel sentimento de que,
quando ficasse nos braos de Oliver, o resultado seria o mesmo. O homem
tinha a capacidade de tirar toda a razo de sua cabea. O nico jeito era
ficar longe dele, e pensava seriamente em voltar hoje mesmo para a
Inglaterra.
Embora Grace pretendesse se aventurar pouco, a extenso vazia da praia
fez com que no se sentisse to covarde. Duvidava que Oliver estivesse de
p to cedo.
Por causa dele, devia voltar para a Inglaterra? No podia esquecer que teria
que lidar com Tom, quando soubesse que estava procurando outro lugar para
morar. Ainda havia o problema das exigncias de Sophie, colocando em risco
o futuro do centro de jardinagem.
Talvez devesse ir para a casa de seus pais. Eles ficariam felizes em v-la e
sempre podia dar a desculpa de estar com saudades.
Parando o carro ao lado da mureta da praia, ficou olhando as ondas batendo
na areia. Seria fcil culpar Oliver por tudo, pensou. Se ele no tivesse
casado com Sophie, se no a houvesse negligenciado para que procurasse
conforto em Tom, nada disso teria acontecido.
Ser? S tinha a palavra de Tom que Oliver negligenciara sua esposa e, a
julgar pela ansiedade de Sophie com Oliver, no parecia. As pessoas tinham
de assumir as responsabilidades por suas aes. Todo mundo comete erros,
como ela, admitiu, abrindo a porta e saindo do carro, indo andar na areia.
Apesar de no querer pensar nele, enquanto andava, imaginava como era a
namorada de Oliver. A sra. Ferreira dissera que era advogada. Advogadas
deviam se chamar Sylvia ou Elizabeth, nomes fortes, sensveis, que
inspiravam confiana em seus clientes. No Miranda, que soava como se
pertencesse a uma criatura alegre, delicada, dependente da proteo de um
homem.
S porque tinha um diploma no significava que no pudesse ser delicada e
feminina. Evidentemente, Oliver a aprovava. Apesar de sua aparente
fraqueza no que se referia a Grace, no negara estar comprometido.
Uma advogada! Grace deu de ombros. Provavelmente, era a profisso certa
para ele. Podia mant-lo longe de problemas. Uma amante e uma advogada,
no mesmo pacote.
Uma amante podia ser uma indulgncia perigosa. Certo, as suas chances de
engravidar nesta poca do ms eram pequenas, mas a dvida estava l. Com
certeza, Oliver pensara que ela tomava plulas. Por que no pensaria, com a
idia que fazia dela? No devia esquecer que ainda pensava que era amante
de Tom.
No devia se importar com o que Oliver pensava, mas se importava. No
gostava do sentimento de ter sido usada, mesmo colaborando. E tinha
tomado muito cuidado para no ser novamente "usada".
S depois das nove ela voltou para casa, sem decidir nada. Parte dela
acreditava ser covardia ir embora, deixando Oliver pensar que a assustara,
mas a outra parte -- a maior parte -- precisava pr um espao entre eles,
para sua paz de esprito.
Estacionou o carro diante da casa e pescava os sapatos no cho quando viu
algum atravessando o gramado entre as casas. Sabia que era Oliver. A sua
pele ficou eriada e as palmas umedeceram.
Inferno. Ele no podia ao menos deix-la entrar em casa sem atorment-la
novamente?
Ignorando-o, pegou os sapatos com uma das mos, trancando o carro com a
outra. Poderia entrar e fechar a porta antes que ele percebesse?
No.
Lanou um olhar frio por sobre o ombro, enquanto andava para a varanda.
-- Queria algo?
Ela sentiu certa satisfao ao ver a expresso de surpresa dele. Mas ele se
controlou.
-- Precisamos conversar.
-- Precisamos?
Grace soou como se no soubesse do que ele falava e Oliver franziu o rosto.
-- Sabe que precisamos.
-- Por qu? -- Grace chegou  porta, procurando as chaves no bolso do
short. -- No contarei  sua namorada sobre a noite passada, se  isso que o
preocupa.
-- No  isso.
-- No? Ela deve ser muito segura, se no se importa que voc durma por a,
s costas dela.
-- Eu no durmo por a. E voc no vai conseguir que eu diga o que no quero.
Quero dizer, precisamos conversar sobre o que aconteceu.
-- Bem, no agora. Preciso tomar um banho e o caf da manh. -- Destrancou
a porta, esperando que ele no notasse o leve tremor de suas mos. -- Nos
vemos...
Ele se moveu to depressa que ela no teve tempo de tirar a chave da
fechadura e entrar, antes do p dele parar na soleira.
-- Voc no pode me evitar para sempre -- falou, enquanto ela ficava rente
 parede do corredor. -- Vamos conversar, Grace. Agora ou em outra hora,
voc resolve.
A confiana de Grace sumiu.
-- Eu disse que no temos nada para conversar.
-- Discordo. Quero saber o que aconteceu na noite passada.
Ela ficou ofegante.
-- Por que no disse? Bem, isto  fcil. Fizemos sexo. Bom sexo, na verdade.
Desculpe, se esqueci de agradecer.
Ela no entendeu a palavra que Oliver usou, parecendo um palavro em
espanhol, mas, serviu para ele mostrar sua frustrao e gratific-la.
Ento, com um gesto impaciente, ele se virou deixando a porta bater.
Embora Grace preferisse fazer as malas e voltar para casa, se recusava a
deixar que a atitude de Oliver a intimidasse. No precisava v-lo novamente.
Se recebesse mais convites dos pais dele, daria uma desculpa, recusando.
Ao mesmo tempo, tomou cuidado ao sair ou voltar para casa. No queria
ofender os velhos Ferreira, principalmente por seus prprios pais serem to
amigos deles. Assim, nos dias seguintes, viveu uma existncia de eremita,
ficando pouco tempo na piscina e s quando tinha certeza de que Oliver no
estava por perto.
Claro que ela o viu. Diferente dela, Oliver no parecia sentir-se obrigado a
ficar escondido. Ela perdeu a conta das vezes que o viu, alto, moreno e
perturbador, descansando no ptio ou passando casualmente pela casa, a
caminho da aldeia.
Ento, certa manh, imaginava que uma semana aps a chegada de Oliver,
Grace saiu da piscina, ouvindo vozes no ptio ao lado. Um homem e uma
mulher falavam, e soube que a cabea escura era de Oliver. A outra voz no
era da me dele, e Grace percebeu que ele falava com Sophie.
O seu estmago embrulhou. O que Sophie fazia aqui? Pelo que a sra.
Ferreira dissera, no deviam t-la convidado. Oliver? No. E quanto a
Miranda? Ele no se importava com ningum?
No podia ouvir o que falavam, nem queria. Estavam se saudando e ela s
queria entrar em casa, sem ser vista. O que pareceu fcil.
Mas, enquanto tomava banho, Grace sentiu uma estranha emoo, que no
queria reconhecer. No  cime, pensou firmemente. Oliver e ela tinham
compartilhado sexo, mais nada. Sem emoes. E ela teria problemas se
pensasse nele nesses termos.
Estava preparando uma salada para o almoo quando algum bateu na janela
da cozinha. Assustou-se. O que anais a assustou, porm, foi ver que era
Oliver, principalmente depois dos pensamentos quentes que tinha sobre ele.
No podia ignor-lo. Quando ele fez um gesto para que abrisse a porta, ela
secou as mos e fez o que pedira.
-- Sim?
A palavra foi quase inaudvel e a expresso dele mostrou seu desagrado.
Com esforo, ele disse:
-- Posso entrar?
Grace umedeceu os lbios.
-- Por qu?
-- Quero falar com voc. -- O distanciamento dela acendeu um fogo nos
olhos dele, mas se controlou. -- No sobre aquilo. Acho que entendi a
mensagem.  outra coisa.
-- O qu?
-- Se me deixar entrar, direi.
-- Se for algum jogo...
-- No .
Grace apertou os lbios. O problema  que ele tinha um rosto honesto, e
quis acreditar nele. E, na verdade, estava contente em v-lo. Mas, era
perigoso. Por isso o seu tom era frio enquanto se afastava, dizendo:
-- Certo.
Mesmo a cozinha sendo espaosa, parecia pequena demais com ele ali e, alm
do mais, tudo em volta tinha conotaes que no queria recordar.
A sala tambm, ento ela levou-o at gabinete de seu pai, um lugar
confortavelmente masculino, com duas cadeiras de couro, uma estante com
livros e uma escrivaninha de mogno, vazia, exceto pelo computador, sem o
qual seu pai no vivia.
Mesmo assim, a presena de Oliver deixou-a ciente da intimidade. A pele
dele parecia mais escura, provavelmente devido ao tempo exposto ao sol e
parecia incrivelmente msculo e sexy.
-- O... que quer? -- perguntou, colocando a escrivaninha entre eles e os
lbios de Oliver se apertaram.
-- Posso me sentar?
-- Por que no?
Na verdade, Grace desejava que o fizesse, para sentir menos intimidade.
Mas ficou de p. Oliver sentou-se, olhando em volta.
-- Isto  simptico. O santurio de seu pai?
-- Voc no veio aqui falar da decorao, Oliver. O que quer?
Oliver pensou um pouco depois, fazendo-a corar, perguntou:
-- Est tudo bem? Voc parece... cansada. Tem dormido mal?
-- V direto ao ponto, Oliver. Sua esposa pode estar procurando-o.
-- No tenho esposa. Mas, imagino que a viu. E no me olhe assim. Eu no a
convidei.
-- Acha que me importo?
Mas a sua voz mostrou e soube que ele notara, quando disse:
-- Pensei que poderia. Vocs duas tm muito em comum.
-- Eu nada tenho em comum com aquela... aquela... -- interrompeu-se,
tentando controlar a raiva. -- Ela no se parece comigo!
-- Acha que no? Bem, se voc diz... Certamente, Tom concordaria com voc.
Quanto a ele, Sophie parece ter chifres e um rabo bifurcado! Imagino se foi
antes ou depois de voc aparecer.
-- No pretendo discutir os casos de Tom com voc.
-- Casos sendo a palavra operacional -- retorquiu secamente e Grace quis
soc-lo. -- De qualquer forma, chega das aventuras de Tom. Sabia que ele
pretendia pegar dinheiro emprestado para pagar Sophie?
-- Eu... no. Por que saberia? Oliver se inclinou na direo dela.
-- Bem -- falou, friamente. -- Eu pensava que ele tivesse confidenciado.
Voc cuida das finanas do centro, no ? Parece saber de tudo.
-- Voc me lisonjeia. As finanas do centro de Tom so da conta dele, no
minhas.
-- Certo. Ento, voc nada sabia sobre esse possvel emprstimo?
-- No -- Grace hesitou. -- No mais do que voc. Voc sabia que ele foi
encontrar com o gerente de banco.
-- George Green?
-- Ah . Ele  seu amigo, no ? Ele no contou quo desesperado por
dinheiro seu irmo estava?
-- George no me fala dos assuntos financeiros de seus clientes. Est
dizendo que ele recusou?
-- Por que no pergunta ao Tom? -- respondeu Grace, ressentida. -- Ou 
Sophie? Imagino ter sido de onde tudo isso veio.
Oliver no respondeu imediatamente, mas pelas suas feies duras, ela
notou que estava certa. Depois, com relutncia, ele concordou.
-- Ela me contou. Disse que teme ele ficar com grandes problemas se
continuar assim.
-- A boa e velha Sophie, toda corao!
-- No acredita nela?
-- Eu no disse isto -- Grace suspirou, depois resolveu dizer a verdade. --
Certo, pode ser verdade. O seu amigo, sr. Green, s estava disposto a
adiantar a Tom metade do que ele precisava. V descobrir.
-- S metade?
--  -- Grace pensou um pouco, antes de acrescentar: -- Nos ltimos meses,
Tom aumentou muito o dbito, com a expanso e tudo. Eu diria que qualquer
banco hesitaria em aumentar os dbitos dele.
Oliver aceitou aquilo.
-- . Ento, acha que Sophie estava certa em vir me contar?
-- No conheo os motivos dela.
-- No gosta muito dela, no ?
-- No preciso gostar dela.  seu problema, no meu.
O suspiro de Oliver foi de lamento.
-- E se eu dissesse que ela era problema do Tom?
-- Eu diria que  um pensamento esperanoso -- respondeu Grace, desejando
no ter entrado nisto. Contornou a escrivaninha, esperando que ele tivesse
recebido a mensagem e levantasse. -- Bem,  tudo...
-- No . -- Usando as rodinhas da cadeira para se aproximar dela, Oliver
pegou-a pelas duas mos, antes que pudesse evitar. -- Quando posso v-la
novamente?
-- Eu... voc est me vendo -- protestou, mas Oliver apenas puxou-a pelos
quadris, movendo as mos com familiaridade e pegando a curva de suas
ndegas.
-- Voc sabe o que quero dizer -- a voz dele era rouca enquanto apertava o
rosto em seu estmago nu. -- Quero ficar com voc. Desde que estivemos...
juntos, no fui capaz de pensar em mais nada.
Nem ela!
-- Nem... mesmo Miranda? -- perguntou com voz estrangulada, sem saber
por que se importava. No devia.
Oliver praguejou.
-- Esquea Miranda -- murmurou, erguendo a cabea e tocando entre os
seios dela. -- Eu esqueci.
Por ora, Grace pensou. Ele no fazia promessas, no se comprometia. No
duvidava que a queria. Podia sentir a ereo dele tocando em sua perna.
-- Eu no esqueci -- falou, decidida. -- E, a menos que queira se arriscar a
uma possvel impotncia... -- o joelho dela tocou na ereo dele --... acho que
 melhor ir embora.
A ameaa era vazia e ele sabia. Ao invs de deix-la, os dedos deslizaram
por sob o short, frios contra a sua pele quente. Enquanto erguia uma das
mos com a clara inteno de abaixar a cabea dela, a campainha soou.
-- Algum est  porta -- falou Grace, relutante, sem saber se estava
satisfeita ou se lamentava, e Oliver teve que deix-la ir.
-- Salva pela campainha -- disse ele, rouco, enquanto ela tropeava na
direo da porta. -- No acabamos, Grace.  uma promessa.




CAPITULO DOZE
Grace voou para Londres no dia seguinte. Precisava descobrir seus
sentimentos por Oliver e no conseguia com ele perto.
Sophie ainda devia estar com os Ferreira, outro motivo para ir embora. Ela
fora extremamente grosseira quando viera procurar Oliver, na vspera,
deixando claro que Grace era culpada pelo atraso dele.
Se ela soubesse o que teria acontecido se no tivesse interrompido. Por
isso, no perdera tempo para arrumar as malas e ligar para o aeroporto.
Depois de desembarcar, Grace pegou um txi e deu o endereo de seus pais,
decidida a ficar alguns dias com eles, antes de voltar a Nortmbria.
Precisava pr a cabea em ordem.
Lgico que significava retardar encontrar um lugar para ela, mas s
desejava que Tom resolvesse seus problemas financeiros, para no se sentir
como abandonando um navio indo a pique.
No estava desertando. Nem o navio estava afundando, apesar do que
Sophie dissera. Estava apenas deixando a casa de Tom, assim, ningum teria
qualquer impresso sobre por que estava l.
Sua me estava sozinha quando chegou a Maple Terrace.
Como no a esperava, ficou surpresa quando a filha carregou as malas para o
corredor.
-- Pensei que estava na Espanha, querida. -- E, vendo o rosto plido de
Grace: -- H algo errado?
-- No. Pensei em passar alguns dias com a minha famlia, antes de voltar ao
trabalho. Est tudo bem, no est?
-- Claro. S no entendo algum preferir a velha e cinzenta Londres 
ensolarada San Lus. -- Fez uma pausa. -- Tom estava com voc?
-- Tom? No. Por que pensou que estava?
-- Oh... Achei que poderia. Eu... conversei com Nancy pelo telefone alguns
dias atrs e ela disse que seu filho estava com eles. Achei que era o Tom.
-- No era -- falou Grace, jogando sua mochila sobre as malas. -- Posso
tomar um ch? No bebi nada no avio.
-- Desculpe, querida. Eu falando dos Ferreira e voc morrendo de sede.
Venha, vamos para a cozinha. Farei um lanche para voc.
-- Uma xcara de ch est bem. Depois, desfarei as malas.
-- Como quiser.
A sra. Lovell abriu caminho para uma agradvel cozinha, combinada com
copa, que dava para um belo jardim emparedado, nos fundos da casa.
Fazendo um gesto para Grace sentar, encheu a chaleira e depois, de lig-la
na tomada, sorriu alegremente para a filha.
-- Ento, gostou de suas frias?
-- Eu... muito. Como est papai?
-- Ele est bem. Ento, o que fez?
-- No muito. -- Grace suspirou, depois, vendo que aquilo no satisfaria sua
me, acrescentou: -- Nadei e tomei banho de sol. Andei um pouco. Estava
quente demais para outra coisa.
-- Viu os Ferreira?
-- Jantei com eles uma noite.
-- Como esto eles? Grace pensou em perguntar "Voc no sabe?", pois sua
me falara recentemente com a sra. Ferreira, mas no queria criar
animosidade.
-- Parecem bem.
-- Ento era Oliver quem estava com eles?
-- Era -- Grace falou, lembrando por que sara da casa dos pais. A sua me
sempre insistia em saber tudo, at o fim.
-- Como est ele? No imagino que Sophie estava com ele.
-- Eles esto divorciados, me. -- Ela tambm queria acreditar naquilo. -- A
gua est fervendo.
A sra. Lovell foi fazer o ch, mas quando voltou Grace podia dizer, pela sua
expresso, que estava decepcionada por sua filha querer mudar de assunto.
-- H algo errado, no ? -- perguntou, tirando o leite da geladeira e
colocando na mesa. -- Imagino que seja Tom. Eu sabia desde que Nancy
disse que Sophie tinha ido embora da casa.
-- Voc sabia o qu? No estou envolvida com Tom, se  o que pensa. Nunca
estive e nem pretendo. Est claro?
-- No precisa falar assim, Grace. -- Sua me parecia ofendida. -- S porque
Tom no retribui seus sentimentos...
-- Tom  um imbecil! -- Grace interrompeu, inflamada. -- s vezes, nem
gosto muito dele.
-- Voc diz isto agora. Mas eu a conheo, querida. No teria sado correndo
assim para a Espanha se no estivesse aborrecida com alguma coisa.
-- Voc acha mesmo que estou interessada em Tom?
-- Bom, eram amigos no ltimo vero, ou ele no teria oferecido um emprego
e...
-- O emprego nada tem a ver com isso -- exclamou Grace, incrdula. Depois,
sabendo que no teria paz at deixar claras as intenes de Tom, suspirou.
-- Certo. Tom foi o motivo da minha ida para a Espanha.
-- Foi o que pensei.
-- Mas no  como pensa -- insistiu Grace, sombria. -- Desde que Sophie foi
embora, as coisas ficaram... difceis. No gosto de viver na casa, s com ele.
No confio nele. Ele parece pensar que  apenas uma questo de tempo
antes de termos... um caso, se entende. E isso no vai acontecer.
A sra. Lovell franziu o rosto.
-- Ele est ameaando voc?
-- No, mas faz tudo para dar a impresso, s outras pessoas, de que sou
sua namorada. E no sou. Por isso  que resolvi ter um lugar meu.
-- Voc vai deixar o centro de jardinagem?
-- O trabalho no. A menos que ele me demita. Imagina que possa.
-- Oh, meu Deus! Eu no imaginava que Tom fosse assim.
-- No? -- O tom de Grace era seco. -- Voc esquece que Sophie era casada
com Oliver quanto Tom comeou a encontr-la?
-- No. Mas ele sempre falou que ela e Oliver tinham problemas antes de se
envolverem.
-- Talvez tivessem. De qualquer forma, no  da nossa conta, certo?
-- Acho que no. Ento... o que vai fazer? Encontrar outro lugar antes de
voltar ao trabalho?
Grace bem que gostaria, mas era pouco provvel.
-- Provavelmente, no. Pensarei nisso. Posso ficar aqui uns dois dias?
-- Como se precisasse perguntar -- reprovou sua me. -- Voc  sempre
bem-vinda aqui, sabe disso. O seu pai vai adorar ter novamente a sua
filhinha de volta.
Grace terminou o ch.
-- Obrigada, me. Eu sabia que podia contar com voc.
Naquela noite, Oliver descobriu que Grace partira. No a vira por l e tinha
pensado que queria ficar longe dele. S depois de levar Sophie ao aeroporto,
naquela tarde, passou na casa ao lado, descobrindo que estava trancada e
vazia.


Frustrado, viu que voltara para a Inglaterra, e para Tom, fazendo-o sentir-
se um tolo.
Resolveu seguir o exemplo dela, mesmo tendo mandado um recado para o
irmo, por Sophie, esperando prolongar suas frias. Sem Grace, ele estava
inseguro, com raiva e decidido a acertar isso, de uma vez por todas.
Seus pais ficaram tristes.
-- No h motivo para voc ir embora -- George Ferreira protestou. --
Desde que Sophie tenha o dinheiro, ficar feliz e Tom deve se considerar
com muita sorte por ter um irmo disposto a perdoar, esquecer e salvar o
seu miservel pescoo! Eu sei que tenho sorte. Voc ficar aqui significa tudo
para mim, filho. No esquecerei isso.
-- Pai, no passado fiz muito pouco por voc e voc fez muito por mim. Estou
feliz em poder recompens-lo.
-- Ainda assim...
-- Acho melhor eu voltar--disse Oliver, gentilmente. -- J fiquei longe muito
tempo. Andy vai pensar que resolvi me aposentar antecipadamente.
-- E h a Miranda -- sugeriu a me. -- Espero que ela tenha sentido a sua
falta.
-- .
Oliver conseguiu dar um sorriso falso, mas, as necessidades de Miranda no
estavam em sua lista de prioridades. Teria que v-la. Precisava dizer
pessoalmente que o caso deles estava terminado. Independente do que
acontecesse com Grace, o seu relacionamento com Miranda no podia
continuar.
Devia estar enganado, pensando ter qualquer chance com Grace. Quando
estava com ela, no podia negar que mexia com as suas emoes. No
importando o que acontecesse, ela mostrara que, o que tivera com Sophie e
Miranda era um vislumbre de como podiam ser as coisas. Teria que
descobrir se aquilo era suficiente para os dois.
De uma coisa tinha certeza, no pretendia compartilh-la com seu irmo. Se
estivesse envolvida com Tom, ele se afastaria. Seria doloroso, mas
sobreviveria. Como a outros desastres em sua vida e agora, era mais velho e
mais experiente do que h quatro anos.
Durante o vo para a Inglaterra, teve uma idia alternativa. Podia evitar
qualquer contato com Grace, poupando a sua alma. O que pareceu muito bom
na teoria, mas, difcil na prtica. Precisava pensar.
Era fim de tarde quando chegou ao apartamento. Tinha telefonado para a
sra. Jackson antes de deixar San Lus, para avis-la de sua volta, pedindo
que enchesse sua geladeira. Conseguiu fazer um sanduche antes de ligar
para Andy e, depois de garantir ao seu scio que estaria no escritrio na
manh seguinte, foi desfazer as malas.
O telefone tocou enquanto pensava o que fazer para jantar.
Atendeu ao telefone, hesitante. Duvidava que fosse Grace -- ela no tinha o
seu nmero -- e no queria falar com mais ningum. Podia ser sua me,
telefonando para saber se chegara bem.
-- Ferreira.
-- Ento, est de volta!
Era Tom e o estmago de Oliver apertou.
--  -- respondeu, civilizado. -- Tem tentado me encontrar?
-- S na ltima semana. -- Tom estava agressivo. -- Imagino que estava de
frias.
-- Isso  um crime? Na verdade, estive com mame e papai. Mas, claro, voc
j sabe.
-- , sei. Sophie deu o seu recado.
-- Bom. Falarei com George para cuidar dos detalhes, mas basicamente,
tudo o que vou fazer  garantir o seu emprstimo. Voc no me deve nada.
-- No? Acha que, por me tirar de alguma dificuldade, no tenho
sentimentos?
-- Olha, Tom, no espero nada. Mas, sim, pensei que voc ficaria grato.
-- Com o qu? Pelo fato de estar encontrando Grace s minhas costas?
-- Ah. -- Estava comeando a entender a atitude do irmo e no gostou. --
Ela disse isto?
-- . -- Tom fez uma pausa, como se estivesse pensando. -- No  verdade?
Oliver no queria discutir. Grace ter contado a Tom que tinham se
encontrado provava que ainda estava envolvida com ele, o que realmente
desejava fazer agora, era enfiar o fone pela garganta do irmo.
-- Por que no pergunta a ela? -- exigiu duramente e, antes que Tom
pudesse retrucar, bateu o telefone.
Quase em seguida, o telefone tocou novamente, mas Oliver no atendeu. O
dia comeara mal e ficara pior, muito pior. Esquecendo qualquer pensamento
sobre comida, pegou uma garrafa de usque no bar e foi para o quarto.
Mas embebedar-se no resolveria nada, pensou, enquanto o telefone tocava
de novo. Mesmo hesitando em ver Grace novamente, teria que se controlar e
faz-lo. A verdade  que, at acontecer, no teria paz.




CAPITULO TREZE


Nos dois dias seguintes, Oliver no pde visitar o centro de jardinagem. O
seu primeiro dia foi ocupado organizando o trabalho acumulado durante sua
ausncia e, mesmo indo para casa s seis e meia, foi dormir tarde.
No outro dia, Andy passou para ele um jantar comemorativo.
-- Um de ns precisa ir -- falou, jogando o convite na mesa do scio --, e Jill
e eu tivemos que ir ao coquetel dos Masterson na semana passada, enquanto
voc aproveitava o sol.
-- Mas  esta noite, e no tenho uma companhia.
-- Encontre uma. A advogada no est disponvel?
Assim, com relutncia, Oliver telefonou para Miranda e, naquela noite,
foram ao Gosforth Manor Hotel, para o jantar de caridade.
-- Isto  agradvel -- disse ela, pendurada em seu brao, entrando no salo
de convenes, ricamente decorado. -- Quando acha que comeremos? No
tive tempo de almoar.
-- Logo, espero -- respondeu Oliver, usando a desculpa de abrir caminho por
entre as mesas para se livrar dos dedos dela. Parou, vez por outra, ao
encontrar amigos e conhecidos, mas no apresentou sua acompanhante.
Encontrando a mesa deles, sentou Miranda ao lado da esposa de um
congressista, antes de se desculpar, indo para a sada.
Mas, nem no saguo do hotel conseguiu escapar das pessoas conhecidas e
sabia que devia ao Andy ser educado. Pensava em largar tudo e ficar sozinho
um pouco, quando viu seu irmo chegando.
-- Bem -- ele disse, parando ao lado de Oliver. -- Se no  o meu benfeitor.
Imagino que esperava me encontrar aqui, por isso no tem retornado meus
telefonemas.
Oliver sentiu uma pontada de culpa pelas mensagens ignoradas na secretria
eletrnica. No queria outra confuso com Tom, eles mal tinham comeado a
se falar.
-- Olhe, esta no  a ocasio ou o lugar para isto. Pretendo ir a Tayford nos
prximos dias.
-- Ento -- Tom falou, olhando em volta. -- Onde est Gracie?
-- Graci... Grace? Por que eu devia saber?
-- Bem, ela est com voc, no est? Esta  uma ocasio de gala.
-- No, eu no a vi.
-- O que est dizendo, mano? Que vocs dois j romperam?
-- No. Eu... -- Oliver no se humilharia diante do irmo -- ...tive que voltar.
-- Mas...
Antes de Tom poder falar, uma garota veio se apossar do brao dele.
-- Aqui est voc -- exclamou ela, apertando os imensos seios no brao dele.
-- Estava procurando voc.
Tom ficou sem jeito e Oliver, esperando a apresentao, percebeu que
conhecia a garota. Era Gina Robb, assistente de escritrio do centro de
jardinagem. Devia ter no mximo dezesseis anos. Que diabo Tom pensava?
Seria alguma brincadeira para fazer cimes em Grace? Ou era realmente
incapaz de ser fiel a uma nica mulher, como Sophie dissera?
Tom pareceu perceber o que Oliver pensava e suas feies ficaram coradas.
-- Mm... voc conhece, Gina, no , Oliver? -- E virou-se para a jovem --
Lembra do meu irmo?
-- Claro. Ol, sr. Ferreira. No espervamos encontr-lo aqui.
-- No.
Oliver conseguiu negar, mas Tom recuperou a compostura, dizendo
friamente:
-- Voc no me disse com quem est Oliver. Algum que conheo?
-- Apenas uma amiga, e devo voltar para ela.
-- Vamos com voc e poder nos apresentar. Quem sabe, estamos na mesma
mesa?
Grace entrou no escritrio s oito horas da manh. Passara quatro dias em
Londres com os pais, mas, estava pronta para voltar ao trabalho.
No seria fcil, apesar do que Tom dissera. No pretendia se demitir. No
era de desistir e se Tom queria que ficasse estava preparada, em seus
termos, no nos dele.
Ele no tinha gostado nada quando ela comeou, dizendo que ficaria numa
pousada que encontrara em Ponteland at conseguir um lugar definitivo. No
queria deixar qualquer dvida na cabea de ningum -- por ningum, leia-se
Oliver -- que no havia nada entre ela e o irmo dele. Oliver podia ser capaz
de compartilhar suas necessidades sexuais -- ela se recusava a chamar de
afetos -- entre duas mulheres, mas ela no era assim. Alm do mais, nunca
sentira ou demonstrara atrao por Tom, e no queria mais dvidas quanto
quilo.
Mesmo pensando que Oliver no se importava. Achava que ele e Miranda
estavam se encontrando e no queria pensar nele com outra mulher.
Foi o que contou para sua me, quando a sra. Lovell finalmente arrancara a
verdade do que acontecera na Espanha. Grace no queria contar aos seus
pais. No queria estragar as relaes dos Lovell com os Ferreira, mas fora
um alvio confidenciar com algum.
Sua me no gostara do comportamento de Oliver, at Grace confessar que
ela tambm fora culpada. At admitira nutrir sentimentos por Oliver,
insistindo que cuidaria deles. Ele tinha uma namorada na Inglaterra, contou
e afinal, a sra. Lovell aceitou que tinha sido um lamentvel erro de
julgamento dos dois lados.
Pelo menos dissera. Sua me a conhecia bem demais para ignorar que sua
filha aceitara a situao, mesmo aborrecida. Depois, insistira para Grace
telefonar a Tom, explicando o que planejara fazer, antes de voltar para
Nortmbria. E fez Grace prometer que tinha que avis-la, caso se sentisse
desconfortvel com ele ou com Oliver.
Grace achava mnimas as chances de rever Oliver. Afinal, trabalhava no
centro h meses sem v-lo e a sua indiferena para com os problemas do
irmo devia ter aumentado o afastamento deles.
Esperava. No queria pensar em lidar com Oliver diariamente. Tambm
ocultara isso de seus pais.
Foi um alvio ver que o centro ainda funcionava normalmente. No falara com
Tom sobre as dificuldades dele. Mas, apesar do otimismo dele, temia voltar
para rostos tristes e a possibilidade de iminentes demisses.
No parecia. Quando entrou no escritrio, Gina estava em sua escrivaninha,
como sempre, e Bill Fletcher se servindo de caf fumegante.
-- Oi -- foi Gina quem falou e Grace ficou surpresa, pois normalmente, a
assistente era calada nas manhs. -- Tom disse que voc voltava hoje.
Tom? Grace se surpreendeu com a familiaridade da garota.
-- Bom dia -- respondeu, incluindo o homem mais velho na saudao, pedindo:
-- Voc me serve tambm, Bill?
-- Claro. -- Bill encheu outra caneca e passou para ela. -- Como foi de
frias?
Grace sorriu levemente.
-- Nada mau -- disse, tomando um gole. -- Mmm, est bom.
-- Voc no parece muito bronzeada -- criticou Gina. -- No estava fazendo
calor?
-- Estava muito quente. s vezes, quente demais para tomar banho de sol.
-- Ah, nunca seria quente demais para mim -- exclamou Gina. -- Adoro o
calor. Nem posso esperar pelas minhas frias.
Grace foi para sua escrivaninha, pensando ter coisas mais importantes para
fazer. Queria perguntar se Tom j chegara. A porta de seu escritrio
estava fechada.
Alguns minutos depois teve a resposta. Tom chegou apressado, enfiando as
chaves do carro no bolso quando viu Grace e pareceu mais animado.
-- Ei -- disse, parando perto dela. -- Seja bem-vinda!
-- Obrigada.
Grace olhou-o, percebendo que parecia normal. Se os problemas financeiros
do centro o aborreciam, no demonstrava. No lugar dele, estaria arrancando
os cabelos.
-- A viagem foi boa? -- Ele se referia ao vo para o aeroporto de Newcastle.
-- Eu teria ido busc-la. No devia confiar num txi.
-- Foi tima -- Grace respondeu e, ao balanar a cabea, viu o olhar
enigmtico de Gina para os dois. Provavelmente, estava imaginando o que
havia. No entender de Gina, ela ainda devia pensar que Grace morava na casa
de Tom. Tinha de corrigir aquilo.
-- Bem, venha ao escritrio. Tenho o que contar.
No sobre Oliver, ela esperava, se levantando hesitante. Tom contara ter
visto Oliver e Miranda juntos num jantar de caridade e no queria ouvir
mais nada.
-- Voc no esqueceu que vai me levar para ver o novo projeto na hora do
almoo, no , Tom? -- perguntou Gina enquanto ele andava para o
escritrio, e Grace viu irritao no olhar para a garota.
-- Eu disse que faria, se tivesse tempo -- respondeu, afastando-se para
Grace entrar. -- Benzinho, traga-me um caf, sim? Estou ressecado.
Se olhar matasse, agora os dois estariam mortos, Grace percebeu, enquanto
Tom fechava a porta atrs deles. Ele nem pareceu notar -- ou era
indiferente. Indicou uma cadeira para Grace e sentou-se displicente.
--  bom t-la de volta, Grace. O escritrio no  o mesmo sem voc.
-- Mesmo? Voc e Gina parecem estar se dando bem. Desde quando ela o
chama de "Tom?" Quando parti, era sr. Ferreira.
-- Ah, voc conhece Gina,  uma cabea-de-vento. Gosta de pensar que
somos chegados, mas voc sabe que no somos.
-- De qualquer modo, no me importa -- disse Grace, quando percebeu que
Gina estava  porta, segurando a caneca de caf para Tom.
Houve um silncio desagradvel, depois, Tom disse:
--  o meu caf, benzinho? Obrigado. Voc  uma boa menina.
As feies de Gina estavam raivosas enquanto passava pela cadeira de
Grace e saa. Desta vez, a sua raiva era dirigida apenas a Tom e Grace
esperou no ser responsvel pela desavena.
-- Ento -- ela disse quando a porta se fechou. -- O que quer contar? J
conseguiu resolver seus problemas financeiros?
Tom olhou-a atentamente.
-- Oliver contou? -- Grace percebeu no ser a nica ocultando coisas. --
Voc o viu em San Lus, no? E
Sophie?
Grace engoliu em seco, se recusando a ficar intimidada.
-- Sophie disse isso?
-- Devia?
-- Depende do que ela lhe disse. Eu no tenho que contar a voc o que fao,
Tom. Voc  meu empregador, nada mais.
-- Sophie disse que voc e Oliver tm passado algum tempo juntos. No
acha que eu devia saber que est dormindo com meu irmo?
Grace engasgou e levantou-se.
-- Se  assim que as coisas sero daqui por diante creio que devo partir. O
que fao ou no, no  da sua! conta. Mas, s para constar, no tenho...
dormido... com ningum!
O que compartilhara com Oliver no fora "dormir" pensou. No para ela, pelo
menos.
-- Certo, certo. -- Tom percebeu que fora longe demais e olhou-a, se
desculpando. -- Sente-se, Grace. Desculpe se pareci irritado, mas deve
saber como me sinto a seu respeito. Imagin-la com Oliver, entre tantos, me
aborrece.
-- Imagino que seja como ele se sentiu quando voc seduziu a esposa dele.
Mas, no pretendo fazer voc guardio da minha moral. Se... eu quiser sair
com qualquer pessoa, o farei.
-- Inclusive Oliver.
-- Oliver j tem uma namorada. Voc mesmo me disse.
-- . Sente-se, por favor. Quero contar sobre o emprstimo e prometo no
falar mais no nome de Oliver.
Grace hesitou. Tom e Oliver tinham uma longa histria e, o que acontecesse,
ele ia fazer Tom lembrar o que podia ter acontecido.
Resolveu sentar, olhando-o distrada. Queria saber como pretendia salvar o
centro de jardinagem, garantindo que o emprego de todos os amigos que
fizera aqui estaria seguro.
-- O banco concordou em aumentar o meu emprstimo. O que acha?
Grace no sabia o que pensar e nem queria perguntar se Oliver tinha
interferido junto ao banco.
Por ora, era suficiente saber que o futuro do centro estava garantido.
-- Isso  timo. Voc deve estar aliviado.
-- Estou. Eu sabia que era apenas uma questo de tempo.
Grace no concordava, e esperou que ele explicasse por que o banco tinha
concordado aumentar o emprstimo. Como ele no falou, resolveu voltar ao
trabalho.
O dia pareceu interminvel. Pensara que, voltando  rotina, afastaria os
monstrinhos que a incomodavam desde que deixara San Lus, e no parecia
assim. No se sentia mais  vontade aqui, e culpar Gina ou Tom por tudo no
era o bastante.
Suspeitava que Tom escondia alguma coisa quanto a sua boa sorte sbita e,
embora aparentemente aceitando a deciso dela de se mudar, a atitude dele
era estranho. No confiava nele.
O que estaria pensando? Era o que gostaria de saber.
Estava se preparando para encerrar o dia quando Gina se aproximou. Grace
esperava que ela no reclamasse que Tom no a levara para sair, conforme
prometido, por causa dela.
Agora, esperando a garota falar, sentia apreenso, mas estava cansada
demais para se importar.
-- Na tera foi o jantar de caridade -- Gina falou afinal e Grace ergueu a
sobrancelha. E da? -- Tom me levou com ele, ele contou?
-- No. -- Grace no conseguiu esconder o desgosto. Sabia que Tom fora ao
jantar, vendo Oliver e Miranda juntos, mas no tinha contado que a sua
companhia era a jovem assistente de escritrio.
-- Bem, levou -- declarou Gina, triunfante. -- E nos divertimos muito!
-- Que bom -- Grace sorriu, suavemente. No era culpa de Gina se Tom se
portava como um tolo. Aquilo explicava muito. -- Estou contente por voc
ter gostado.
-- Est? -- Gina parecia desconfiada. -- Aposto que voc gostaria de estar
aqui. Ele a teria convidado, no meu lugar.
-- Ei, no aposte. Tom e eu somos apenas colegas de trabalho. No passamos
o nosso tempo livre juntos.
-- Mas voc mora na casa dele.
-- No mais -- Grace achou que a garota merecia uma explicao. -- Estou
procurando um lugar para mim. Por enquanto, estou numa pousada em
Ponteland.
-- Mas... porqu?
-- Ah... -- Grace balanou a cabea. -- Acho que desde que Sophie foi
embora no tem sido a situao ideal. E preciso do meu espao.
-- Ento, voc no est... saindo com Tom?
-- Socialmente? No.
-- Ento, no est com cimes?
-- No. Ele disse que eu estava?
-- Ele disse muitas coisas. -- Agora, Gina parecia um pouco em dvida. --
Sabe, ele tem bebido e acho que no lembra a metade do que disse. Claro
que era principalmente por causa do irmo, Oliver. -- Ela fez uma pausa e
depois, continuou, cautelosa: --  isso? Oliver estava na Espanha quando
voc estava l? Tom parecia pensar que voc estava encontrando com Oliver
s costas dele.
Grace sentiu-se corar.
-- No creio que seja da conta de Tom discutir o que fiz ou deixei de fazer
nas minhas frias. Como eu disse, no tenho nada com ele.
-- Ele acha que tem.
-- Bem, no tenho. De qualquer forma, Oliver tem algum. Voc deve t-la
conhecido, estava com ele no jantar, no estava?
-- Ah... Miranda. -- E o toque de esperana que Grace tivera, achando que
Tom estava mentindo, evaporou. -- Ela estava l. Mas no parecia muito
feliz.
-- No? Por qu? -- A pulsao de Grace acelerou.
-- Estava com raiva porque Oliver a deixou sentada e foi conversar no
saguo do hotel com algum. Foi onde o encontramos. Ele no parecia
apressado para ficar com ela.
-- Mesmo? Por que diz isso? -- Estava forando as coisas, mas no podia
evitar.
-- Bem, quando Tom disse que gostaramos de conhec-la, Oliver ficou muito
relutante.
-- Ah.
Os lbios de Grace se apertaram, agora entendia. Claro que Oliver hesitaria
em apresentar sua namorada ao irmo. Primeiro, por saber que Tom no
perderia tempo em contar ter visto os dois juntos. E segundo,
provavelmente mais importante, no confiava em seu irmo perto de uma
mulher que amava.
-- De qualquer modo, estou contente por esta conversa -- disse Gina e, pela
primeira vez, que Grace lembrasse, deu um sorriso brilhante. -- Nos vemos
amanh, certo?




CAPTULO QUATORZE


Oliver estava sentado  escrivaninha em seu apartamento, tentando sem
sucesso concentrar-se no mao de desenhos que Andy passara, quando o
interfone tocou.
Andy dissera:
-- D uma olhada nisso e tente mostrar algum entusiasmo pelo projeto. E, na
prxima vez, pense duas vezes em tirar frias. Voc est horrvel como um
pecado desde que voltou.
Foi um comentrio justo e, levantando-se para atender, Oliver imaginou se
seu scio e amigo tinha achado que ele precisava de uma boa conversa. Mas
no queria ver ningum.
Exceto Grace.
Mas Grace no estava disponvel. Quando fora ao centro de jardinagem, no
dia depois do jantar de caridade, uma semana atrs, tinha descoberto que
ela no estava l. Segundo Tom, ela s fizera contato por telefone e que
estava com os pais.
Oliver sabia ser o culpado pela ausncia de Grace, se portando
abominavelmente, antes e enquanto eles estavam na Espanha e no podia
culp-la por pensar mal dele. Tambm tinha certeza que Tom no perdera
tempo, contando que ele estava encontrando Miranda novamente, e
certamente, ela nunca acreditaria que no significava nada.
Certo, no devia ter convidado Miranda. No fora uma coisa sensata, mas,
precisava representar a firma e parecera a nica soluo.
Alm do mais, queria explicar a Miranda por que no podiam se encontrar
mais e um evento social no fora uma escolha inteligente. Miranda tivera a
impresso errada e, quando finalmente ele rompeu, reagira mal.
A noite foi desastrosa. Tom estava l e, embora Oliver estivesse aliviado
por Grace no estar com ele, achava que Tom contaria a ela sobre o seu
desconforto.
Claro que no dia seguinte, depois de uma reunio sobre a poltica da empresa
com Andy, fora at Tayford, descobrindo que Grace tambm no estava l.
Mas permanecia o fato de que, apesar de seu hesitante envolvimento com as
questes financeiras do centro, no tinha qualquer desculpa para fazer a
viagem. E, droga, Tom sabia.
Agora, sentindo-se irritado, atendeu o interfone.
-- Sim?
-- Oliver?
Era uma voz feminina, mas no a que queria ouvir e praguejou.
-- Sophie, o que quer?
-- Isto  maneira de saudar sua esposa, Oliver? Querido, quero falar com
voc. Posso subir?
-- No vejo sobre o que devemos falar, Sophie. E voc no  minha esposa,
mas...
--  sobre Grace -- ela interrompeu. -- Tenho certeza de que ficar
interessado. Aperte o boto, querido, est comeando a chover.
Oliver hesitou. No estava com humor para ser civilizado com ningum,
muito menos sua ex-esposa.
Ainda assim...
Apertou o boto que abria a porta l de baixo e mandou o elevador para ela.
Pensou que no faria mal ouvi-la. Afinal, Tom no era amigo dela.
Sophie saiu do elevador exalando seu perfume preferido, mas ele se afastou
quando tentou beij-lo.
-- Voc ainda est trabalhando -- reclamou ela, batendo os saltos no piso de
madeira. -- Querido, j passa das nove!
-- Diga o que tem a dizer, Sophie. Estou ocupado.
-- Posso ver. -- Ela folheou os papis na escrivaninha, depois virou para ele.
-- No vai me oferecer um drinque? Ou no tem lcool por aqui?
-- Esta no  uma visita social, Sophie. O que quer?
-- Voc est chateado, no ? Tom disse que estava, mas no acreditei nele.
-- Tom? Ele mandou-a aqui?
-- Cus, no -- Sophie deu uma risada. -- Tom no faria isso. Ele tem muito a
perder.
-- Do que est falando? Achei que tinha dito que era sobre Grace.
-- . Voc no sabe que seu irmo est cado por ela, desde que a persuadiu
a trabalhar para ele? Por que acha que fui embora?
Oliver sentiu-se cansado.
-- J sei de tudo isso, Sophie. Voc me disse antes, lembra? No precisa
repetir.
-- Acho que preciso -- Sophie olhou em volta, sentou-se no brao de uma
cadeira, cruzando as pernas. -- Eu disse que Tom estava cado por Grace,
no que Grace estava cada por ele.
-- Voc no disse isto antes.
-- Bem... todos temos as nossas fraquezas. Tom deixou que pensasse que era
amante dele, no ? Acho que tambm pensei.
-- Est dizendo que no era verdade?
-- Talvez.
-- Est ou no?
Oliver no estava com humor para brincadeiras e
Sophie falou:
-- Certo. Pelo que sei, eu  que estava enganada. Oliver deu um passo raivoso
na direo dela e depois, se controlou.
-- Ento, por que no disse nada? Por Deus, por que foi embora?
-- Se voc acha que quero ficar com um homem que no consegue tirar os
olhos de outra mulher, est enganado -- exclamou indignada. -- Ele me fez
de boba, Oliver, e nenhum homem faz isso e fica impune.
-- Por isso  que insistiu em querer o seu dinheiro de volta? -- Ele comeava
a entender. -- Por ser a nica maneira de t-lo de volta?
Sophie no admitiu e nem negou, e Oliver olhou-a incrdulo.
-- Por qu? Por que est me contando isto? Conseguiu o seu dinheiro, vai
conseguir. Por que me diz isto agora?
-- Porque voc avalizou. Eu queria que ele sofresse, mas voc facilitou para
ele. Era a nica coisa que eu podia fazer.
Oliver estava assombrado.
-- Meu Deus, voc fez o que queria, no , Sophie? Ningum a faz de tola
sem punio.
-- O que vai, volta. Alm do mais, talvez esteja me sentindo generosa. Soube
que terminou com a srta. Sawyer e imaginei se o motivo no seria Grace,
visto que, desde que voltou da Espanha, esteve relutante em fazer algo, que
o seu irmo no pensou duas vezes.
-- Fazer o qu?
-- Seduzir sua esposa? Oliver, no fui culpada pelo que aconteceu. Certo,
no ofereci muita resistncia. Estava cansada, voc trabalhando o tempo
todo... como parece ainda fazer. Mas seu irmo no tem escrpulos de
qualquer tipo e est na hora de algum faz-lo tomar um pouco do seu
remdio.
-- Devo ser eu, certo? No gaste saliva. Grace no voltou para o centro.
Segundo Tom, ela vai ficar em Londres.
-- Voc acreditou? Ah, Oliver, Tom nunca desiste. Ele ainda quer Grace e
far qualquer coisa para t-la. Inclusive, e especialmente, manter vocs dois
separados.
J era mais de meia-noite quando Oliver saiu para a pousada em Ponteland,
no mais cansado e sim revigorado. No apenas por ter tirado seu irmo da
cama, ameaando arrebentar cada centmetro de sua vida, se no desse o
endereo da Grace na hora.
Tom tentara blefar, claro. Tentando convencer seu irmo, dizendo que
Grace no voltaria e que, ao voltar dias antes, ficara surpreso.
Era mentira e Oliver sabia. Sophie tinha dito que Grace voltara ao centro de
jardinagem no dia seguinte  visita dele e, finalmente, Tom desistiu.
Ao mesmo tempo, Oliver no podia deixar de sentir certa apreenso, parado
diante da pequena casa avarandada onde Grace estava. Sabia que fora
impulsivo ao vir esta noite e estava receoso.
E se no quisesse v-lo? E se no acreditasse em seus sentimentos? No
tinha motivos para acreditar nele, pois a desprezara antes. E com Tom
espalhando mentiras sobre ele, podia pensar o pior.
Deus! Oliver passou a mo trmula pelos cabelos. Devia ter esperado at de
manh, as coisas sempre parecem melhores  luz do sol. Aparecer na porta
de algum no meio da noite era procurar problemas. E se a dona da pousada
chamasse a polcia e ele fosse preso? Qual explicao daria? Que era um
imbecil doente de amor? Andy ia adorar!
Mas uma forte compulso levou-o a abrir o porto e entrar. O caminho era
curto e como no havia campainha, bateu a argola da porta.
O som pareceu estridente no silncio da rua e ele olhou em volta, certo de
ter acordado metade da vizinhana. No havia viva alma nem fora e,
aparentemente, nem dentro. Teria que bater de novo, arriscando-se a
acordar todos, ou desistir.
A ltima opo pareceu a mais sensata e se afastou para olhar novamente o
lugar, vendo um movimento na janela de baixo.
Grace!
Era ela e, enquanto a olhava, sentiu a excitao que sentira antes.
Gesticulando freneticamente, tentou mostrar que queria falar com ela, mas,
antes dela responder, a porta de entrada abriu. Uma mulher de seus
cinqenta anos, olhou-o fixamente, os cabelos presos numa rede, um roupo
de toalha apertando o corpo largo.
-- Sabe que horas so? -- exigiu. -- O que deseja? -- Olhou em volta e,
vendo o Porsche parado no meio fio, sua expresso mudou. -- Estou lotada,
sinto muito.
-- No vim procurar um quarto -- disse Oliver, sorrindo. -- Na verdade, uma
amiga minha est aqui e imaginei se podia falar com ela.
-- Uma amiga sua? Uma mulher?
-- Certo.
-- Lamento, no permito visitas do sexo oposto nos quartos depois das dez.
Como se o horrio importasse, pensou Oliver impaciente.
-- Ento, talvez tenha uma sala de estar, algum lugar, onde possamos
conversar.
-- A esta hora da noite? No.
-- Por favor...  muito importante.
-- Como eu disse...
-- Est tudo bem, sra. Lawson, falarei com ele na porta. -- Para alvio de
Oliver, Grace apareceu atrs da mulher, mas sua expresso no era
encorajadora.
-- O que deseja, Oliver?  o centro de jardinagem? H algum problema?
-- No -- respondeu Oliver, rouco. -- Grace, preciso falar com voc.
Grace olhou-o com hostilidade. -- Tenho certeza que pode esperar at de
manh. Estarei no trabalho s oito...
-- Ao inferno com o trabalho! -- Oliver no conseguiu evitar se descontrolar.
-- Grace, quero falar com voc, tenho que falar. Inferno, at duas horas
atrs, eu nem sabia que voc tinha voltado.
-- E importa?
-- Est brincando comigo? -- Fulminou a sra. Lawson com o olhar. -- Grace,
no faa isso comigo. Acha que eu viria aqui a esta hora da noite se no
fosse urgente?
-- No sei -- respondeu ela, friamente. -- Ainda no sei por que veio. A
menos que seja a nica hora em que pode falar sem a sua namorada
descobrir.
-- Inferno, no tenho namorada. E se Tom disse que tenho, mentiu. --
Lanou outro olhar matador para a sra. Lawson e acrescentou sombrio: -- Na
verdade, no dormi com a Miranda desde que percebi como me sentia quanto
a voc.
Viu o rosto de Grace corar e, embora se ressentisse de falar dos seus
sentimentos diante da locatria, sentiu um toque de esperana.
-- Tom me fez pensar que voc no voltaria, para ficarmos separados.
-- Eu... no sei. Como descobriu que eu estava de volta?
Oliver suspirou, sabendo que ela no ia gostar.
-- Sophie me disse. Ela veio me ver esta noite.
-- Sophie? -- Ela no gostou. -- Por que ela diria algo assim?
--- Venha comigo e eu contarei -- falou, olhando desafiador para a dona da
casa. -- Se o seu co de guarda deixar.
-- Olhe bem... -- A sra. Lawson comeou, mas Grace interrompeu-a.
-- Vou me vestir. No se preocupe, sra. Lawson, ficarei bem. -- Olhou para
Oliver. -- Voc me espera?
-- Para sempre, se preciso. Estarei no carro. Cinco minutos depois, Grace
entrou, sentando-se ao seu lado. Tinha trocado a roupa que usava antes por
jeans e um bluso largo, vermelho. E, mesmo com os cabelos penteados na
frente, a trana parecia to desarrumada quanto antes.
-- Conte-me sobre Sophie. Por que ela foi v-lo?
-- No aqui. Voc ir ao meu apartamento?
-- Seu apartamento? -- Grace engoliu em seco. -- No podemos conversar
aqui?
-- Esperava que pudssemos?
-- Acho que no.
-- Ento?
Ela olhou-o longamente e ele imaginou se ela conseguia ver seu corao nos
olhos, pois falou suavemente:
-- Est certo. Voc me trar de volta?
-- Se voc quiser voltar -- disse Oliver, no confiando em si mesmo,
querendo desesperadamente toc-la. Ligou o motor. -- Obrigado.
-- Pelo qu?
-- Por acreditar em mim. Acredita, no ?
Por um minuto, Grace ficou em silncio.
-- Voc a viu depois de voltar da Espanha. -- Era uma constatao e Oliver
suspirou.
-- O jantar de caridade? Foi um erro, que percebi assim que fui busc-la.
-- Ento, por que a convidou?
-- Ah... eu sabia que precisava falar com ela, dizer que estava terminado e,
quando Andy jogou o convite do jantar no meu colo, pareceu uma boa
ocasio.
-- No era?
-- No. Pensei que podia tratar daquilo delicadamente, mas no pude. Tudo
parecia errado e, tentava me afastar quando tropecei em Tom e Gina no
saguo. Tom disse que tinha nos visto? -- Ele soltou um som amargo. --
Aquilo foi um man do cu para ele.
-- No se importe com Tom. Fale-me sobre Miranda. O que ela disse?
-- Bem, claro que ela estava magoada, achou que tinha sido usada. Posso
dizer que no senti muito orgulho de mim mesmo.
-- Voc lamenta?
-- Lamentar o qu?
-- Romper com Miranda.
-- Droga, no. H semanas eu sabia que no dava mais.
-- Por minha causa?
Grace disse as palavras hesitante, e Oliver tirou os olhos da estrada,
olhando o seu perfil.
-- Voc duvida? Inferno, Grace, no sabe o que sinto por voc?
-- Na... Espanha, voc disse que no era livre -- falou, rouca.
-- No era.
-- Eu sei. Mas no disse nada sobre terminar com ela.
-- No.
-- Por qu?
-- Por que fui um idiota -- gemeu Oliver. -- Veja, eu pensava que voc e
Tom... sabe o que eu pensava. Naquele dia em que fui a casa e voc estava l,
o que mais poderia pensar? Tom praticamente nu e voc, corada como se
tivesse acabado de sair do chuveiro. Eu queria matar os dois.
-- Tom queria que voc pensasse aquilo.
-- Eu sei, agora entendi. Mesmo assim, no conseguia me afastar de voc.
Quando estivemos juntos na Espanha, temia estar indo longe demais. Ainda
acreditava que voc e Tom estavam juntos e estava determinado a no
deix-lo me fazer de bobo novamente.
Depois de um silncio, Grace perguntou, calmamente:
-- Por que no me perguntou?
-- Acho que eu tinha medo. Depois do divrcio jurei nunca mais confiar numa
mulher. No queria me envolver com voc e sabia, desde o incio, que voc
podia me ferir muito mais do que Sophie fez. Ento, usei Miranda como
escudo. Deixei voc pensar que me importava com ela, mas nunca o fiz. No
assim.
-- Assim como?
-- Voc sabe. Assim que voc partiu de San Lus, eu soube ter cometido o
maior erro da minha vida. Acredite ou no, no me importei se voc e Tom
ainda estavam juntos. Eu queria voc, precisava de voc. Inferno, eu a
amava... eu a amo. Todo o resto  bobagem.
-- Oliver...
-- No diga nada, por favor -- implorou. -- Podemos esperar chegar? Acho
que no posso ficar mais desapontado, pelo menos no dirigindo. Prometi no
falar nada at chegarmos l. Ouvir voc, ver voc e no poder toc-la est
me deixando louco.
Ele ouviu-a prender a respirao, percebendo que ela sentia o mesmo. Mas
ela disse:
-- Apenas diga-me por que Sophie foi v-lo. Eu no sabia que vocs se
Visitavam.
-- No nos visitamos -- a voz dele foi dura e suspirou novamente. -- Tudo
bem, ela est querendo se vingar de Tom e, pensou que eu estava ficando
longe de voc por alguma noo de lealdade.
-- Mas voc no estava.
-- Inferno, no. Fui v-la no centro de jardinagem um dia depois do jantar
de caridade, mas voc no estava l. Foi quando Tom disse que voc
resolvera no voltar mais...
-- O qu?
-- Que ia arrumar outro emprego em Londres.
-- No  verdade.
-- No. Foi o que Sophie me disse. Ela tambm disse que teve cimes de
voc, motivo pelo qual exigiu o dinheiro dela de volta.
-- Mas agora ela recebeu o dinheiro.
-- , mas acha que foi fcil demais para ele. Soube que garanti o
emprstimo dele e...
-- Voc garantiu o emprstimo?
-- Ele no contou?
-- No.
-- Eu estava certo de que ele contaria.
-- No devia estar certo sobre nada referente ao Tom.
-- No  mesmo? Droga, por que precisa ter sinais de trnsito a cada cem
metros, esta hora da noite?
-- Eles no esto a cada cem metros -- protestou Grace e ele percebeu um
trao de humor em sua voz. -- Est longe?
-- No muito, estamos quase chegando.
Ele parou o carro do lado de fora do armazm. Em qualquer outra ocasio,
teria parado na garagem, mas agora nem seu amado Porsche ficava na
frente de sua necessidade de estar com Grace. Destrancando a porta do
armazm, levou-a para o elevador.
-- Fresco -- ela falou quando saiu do elevador, entrando na sala do estdio.
Foi para as janelas, vendo as luzes da cidade do outro lado do rio. -- Que
vista!
--  melhor de dia -- falou Oliver, trancando a porta e, jogando a jaqueta de
couro sobre uma arca acendeu dois abajures. Estava nervoso como um
garoto de escola. -- Quer beber alguma coisa?
Grace virou de costas para as janelas.
-- s duas da manh? Acho que no.
-- Est bem. Ento... acho que voc quer conversar.
-- Por isso voc me trouxe aqui -- ela lembrou suavemente e, de novo, Oliver
percebeu humor em sua voz. Ela hesitou um momento e depois andou
lentamente para onde ele estava. -- A menos que voc tenha uma idia
melhor.
-- S posso pensar numa idia melhor -- falou, rouco, sentindo o sangue
ferver quando ela ergueu a mo e tocou o queixo dele.
-- Eu tambm. Ela tocou os lbios dele com a lngua. -- Podemos falar mais
tarde. -- Fez uma pausa e acrescentou, sem flego: -- Vamos para a cama.




CAPTULO QUINZE


Estava claro quando Grace acordou, e nem eram seis horas.
O sol iluminava o quarto de teto alto, a imensa cama, o homem forte deitado
ao seu lado, cujos quadris esguios e musculosos a aprisionavam.
Por um instante horrorizada, Grace pensou que Tom forara o caminho para
a sua cama, durante a noite. Mas depois as lembranas da noite passada a
assolaram, em detalhes abenoados, sabendo que era Oliver quem estava ao
seu lado. Oliver, que fizera amor com ela, apaixonadamente, a noite toda, e
sentiu um arrepio de prazer passar pelo corpo.
Tentou virar a cabea para olh-lo, mas a cabea dele estava sobre seus
cabelos, espalhados pelo travesseiro. A sua respirao era lenta e regular,
em contraste com a respirao acelerada dela, enquanto se inclinava para
ele. Ela o amava, agora podia admitir. Ela o amava com todas as fibras do seu
ser e sentia muita gratido por Sophie querer se vingar de Tom. Sem a
interveno dela, poderia levar semanas, meses, antes que ela e Oliver se
vissem novamente, com todas as possveis dvidas e desentendimentos
entre eles, que Tom poderia aumentar para alcanar seus objetivos.
-- Em que est pensando?
A voz rouca de Oliver assustou-a. Achava que ele estava dormindo e sentiu a
respirao trmula, antes de se virar completamente para ele.
-- Em voc, claro. Na noite passada, sobre me trazer aqui.
Oliver rolou, ficando de frente para ela.
-- Voc lamenta?
-- No. E voc?
-- S no ter feito isso antes -- respondeu Oliver, puxando-a para mais
perto. -- Ento, por que parecia to preocupada? Vi que o seu sorriso sumiu,
como se lembrando de algo ruim.
-- No devia estar me olhando, pensei que estava dormindo.
-- O qu? Depois de passar a noite mais incrvel da minha vida e a mulher
com quem a passei deitada ao meu lado? -- Oliver tocou-a gentilmente,
fazendo-a corar. -- Ainda no acredito que voc esteja aqui comigo. Eu a
queria para... bem, para sempre.
Grace ergueu a mo para tocar-lhe o rosto e ele a pegou, levando aos lbios.
-- Eu te amo -- falou, com a voz cheia de emoo.
-- No quero que v embora nunca.
-- No tenho que ir -- murmurou ela, se aninhando.
-- Tambm o amo. No  perfeito?
-- Perfeito.
Oliver a olhava, a mo procurando o quadril, puxando-a contra si, fazendo
com que sentisse o efeito que causava nele. Seu respirao agora estava
acelerada como a dela e os lbios nos dela eram quentes e exigentes.
O impacto do seu beijo foi devastador como sempre. O calor se espalhou
por ela, a necessidade dos dois combinando. As suas pernas se afastaram ao
primeiro toque do joelho dele e ela rodeou as coxas dele, sem acanha-
mento, sentindo a sua excitao molhada contra a perna dele.
E, mesmo ainda estando suave do amor que tinham feito na noite passada,
ela estava to ansiosa quanto ele para repetir a experincia. Ela o queria,
queria conhecer aquela maravilhosa sublimao que sentia quando ele estava
dentro dela, o sentimento de que no eram dois, mas um s.
Ele foi gentil, abrindo caminho com infinita pacincia. Ela recebeu sua
penetrao, os msculos se expandindo, inicialmente e depois, se contraindo
em volta dele, cuja respirao parou na garganta.
-- Deus -- ele murmurou, enquanto ela se arqueava contra ele. Grace ergueu
as pernas esguias, passando pela cintura dele e Oliver teve que se controlar
para no perder o controle. Quando ela atingiu o clmax, ondulando em torno
dele, molhando-o em sua essncia, sua liberao foi uma reao espontnea.
Ele se derramou nela com um gemido de satisfao completa e sensual.
Demorou muito antes de se mover e Grace espreguiou-se sensualmente
quando, afinal, ele ficou de costas ao seu lado. Ela nunca se sentira mais
feliz, satisfeita e, mesmo lamentando parar, j eram quase nove horas e no
podiam ficar na cama o dia todo.
-- Aonde vai? -- protestou Oliver, quando ela afastou as cobertas e tentou
sair da cama, vendo o olhar preguioso dele.
-- Tomar um banho -- acenou para a porta do banheiro aberta. -- Voc deve
ter um chuveiro, no ?
-- Tenho -- concordou, os olhos acariciando-a. -- Talvez eu v com voc, mas
primeiro vou fazer um caf. Preciso de algo para me pr de p. -- Deu um
sorriso atraente. -- Voc acabou comigo.
Grace fingiu indignao.
-- Eu acabei com voc? -- exclamou, se jogando atravs da cama e olhando-
o, ameaadora. -- Voc  insacivel!
-- Est reclamando? -- perguntou, com as mos deslizando pelos dois lados
do corpo dela, dos quadris aos seios. -- Tive a impresso de que gostou.
-- Gostei. Gosto. Ooh... -- Grace era sensvel demais ao carinho dele para
fazer qualquer coisa que no ficar sob ele, e novamente, Oliver rolou sobre
ela. -- Voc sabe que gosto.
-- Mmm -- Oliver se contentou em mexer no seio macio dela. -- Eu sei, eu
tambm gosto. Provavelmente, demais. No quero deix-la ir.
Grace olhou-o, com o corao nos olhos.
-- Voc no precisa me deixar ir -- falou, rouca. -- Estou aqui, enquanto me
quiser.
-- Voc tem certeza? -- Ele afastou a mecha de cabelos do rosto dela. --
Sabe, sonhei com isto. Ver os seus cabelos espalhados em meu travesseiro,
fazer amor com voc. E agora, est aqui, e nem posso acreditar como tenho
sorte.
Grace tremeu.
-- Oh, Oliver...
-- Pattico, no ? Deve fazer uns vinte anos desde que- sonhei assim.
-- Eu acho que  lindo -- falou, com sinceridade. -- Eu tinha desistido de
acreditar que pudesse sentir isso por algum e agora...
-- E agora?
Ela passou os braos pelo pescoo dele.
-- Agora no posso imaginar minha vida sem voc -- confessou timidamente.
-- Era nisto que eu estava pensando antes, quando voc pensou que eram
problemas. Se no fosse Sophie querer se vingar, poderamos nunca ter
descoberto como nos sentimos.
--  possvel -- admitiu ele, passando o polegar nos lbios dela. -- Devo
confessar que, quando Tom me disse que voc no voltaria ao centro de
jardinagem, fiquei assustado. Tinha certeza de ser o responsvel e, era
orgulhoso demais para perguntar ao Tom pelo seu endereo. No sabia como
encontr-la. At esta noite, claro. Sophie tambm no tinha o seu endereo
e tirei Tom da cama para consegui-lo.
-- Eu achava que voc s estava me usando e que amava Miranda.
Oliver curvou a cabea, beijando-a.
-- Tom tem muitas respostas para dar. Mas posso ser generoso. Afinal, voc
no deixou o centro de jardinagem e eu acabaria descobrindo que voc ainda
estava l.
-- Acho que sim.
-- Eu sei que sim. No esquea de que tnhamos um negcio inacabado.
-- Est acabado agora? -- perguntou, erguendo-se nos cotovelos enquanto
ele se virava, pondo as pernas para o lado, na cama.
-- Nunca acabar -- garantiu ele, inclinando-se e pegando-a nos braos. --
Vamos, vou ajud-la no banho.
-- No banheiro, colocou-a de p. -- Depois, iremos ver Andy. Ele  meu scio
nos negcios. Sei que ele ficar contente de ouvir as novidades. Ele acha que
tenho estado horrvel como um pecado, desde que voltei da Espanha.
-- E Tom?
-- , Tom tambm -- concordou Oliver, secamente.
-- Quero ver o rosto dele quando eu contar que vamos viver juntos de agora
em diante.
Cerca de um ano depois, Oliver e Grace voltavam do jantar na casa dos pais
dele, em San Lus. Em poucos dias, os pais de Grace se juntariam a eles, mas
por enquanto, a casa era s deles.
E, exatamente como em outra ocasio, Grace viu luzes na casa, onde no
devia.
-- Juanita nunca usa a sala de estar -- protestou ela, quando Oliver sugeriu
que a empregada podia ter acendido. -- De qualquer modo, no parece um
abajur. Oliver acha que algum invadiu a casa?
-- No -- Oliver estava calmo, abrindo a porta. -- Sem pnico. H uma
explicao razovel.
-- Que explicao? -- exclamou Grace, insegura, apressando-o para poder
chegar  escada. -- Eu vou...
-- Espere -- Oliver pegou seu brao, levando-a para a sala. -- Vamos ver o
que .
Grace olhou-o, nervosa.
-- Mas, Alex...
-- Alex est bem. Voc sabe. Maria teria telefonado se...
Antes de terminar, Grace engasgou. Parando no arco que levava  sala de
estar viu dzias de velas acesas pela sala. A luz que vira de fora. Alm das
velas, rosas longas e perfumadas enfeitavam cada superfcie disponvel da
sala.
Grace olhou para seu marido com olhos arregalados.
-- Quem...? Voc fez isto?
-- Eu ficaria muito chateado se no fosse eu. Gostou?
Grace balanou a cabea, surpresa, olhando a sala novamente.
-- Mas, como? Estivemos na casa de seus pais a noite toda.
-- Exceto quando voltei para ver Alex. Nosso filho est seguro em seu
bero. E Maria, lendo no quarto de vestir.
Grace virou-se para ele, com um olhar de adorao no rosto.
-- E voc fez isto para mim?
-- Para ns dois -- disse ele, pegando-a pelos ombros e dando um beijo
carinhoso em seus lbios. -- Voc no sabe que dia  hoje?
-- No  nosso aniversrio de casamento, ainda faltam seis semanas.
-- No.
-- E no  porque Tom e Gina chegam amanh, ?
-- Deus me livre!
Surpreendentemente, os dois irmos tinham acertado suas diferenas. Tom
tivera de aceitar que Grace nunca se interessara por ele e, embora tivesse
namorado Gina para passar o tempo o relacionamento deles j durava mais
do que o esperado.
Por isso  que, a poucos dias do 18 aniversrio de Gina, o sr. e a sra.
Ferreira tinham convidado os dois para passar uns dias com eles. Se haveria
alguma coisa sria no relacionamento, ningum sabia, mas Grace suspeitava
que Gina era mais do que uma aventura para o namorado de 32 anos.
Agora, franziu o rosto, sentindo pena dela e Oliver falou:
-- Exatamente um ano atrs, fizemos amor pela primeira vez. -- Ela
suspirou, deliciada, quando ele acrescentou. -- Esta sala e aquele sof me
trazem lembranas muito queridas.
-- Oh, Oliver! -- Grace passou os braos pelo pescoo dele. -- Isto  to
romntico!
Ele pareceu encabulado.
-- , bem, no deixe Tom ouvi-la dizer isto.
-- Por que no? Sabendo como ele sempre tenta imit-lo, voc privaria Gina
de uma experincia assim?
-- Sim -- falou Oliver, pegando a mo dela e puxando-a para o sof onde
tinham tido tanto prazer e tanta tristeza quando ela o mandara embora.
Ficou sobre ela, pegando o seu rosto entre as mos. -- Eu a amo, sra.
Ferreira. E queria fazer algo para mostrar quanto.
Grace tremeu, mas, quando a mo dele passou por baixo de sua blusa,
prendeu os dedos dele nos dela.
-- Voc no pretende... aqui?
-- Por que no?
-- Mas Alex... e Maria...
-- Alex tomou mamadeira meia hora atrs e Maria tem ordens explcitas
para no descer sem a minha permisso.
-- Voc pensou em tudo, no ?
-- Espero que sim. Posso dizer que no foi fcil. -- Enquanto falava, ele
continuava desabotoando a blusa e depois, curvando a cabea, tomou um
mamilo enrijecido entre os dentes. -- Voc s concordou com Alex tomar
mamadeira esta noite porque a minha me insistiu.
O toque da lngua dele fez Grace tremer at os ps e afundou nas
almofadas, levando-o com ela.
-- Voc no quer que eu alimente o nosso filho, no ? -- provocou-o,
enquanto ele se movia para o outro seio, perdendo o flego quando os dentes
dele a mordiscaram. -- Isso... no seria justo.
-- Muito justo -- Oliver replicou, rouco, os olhos escuros de paixo. -- Que
posso fazer se s vezes fico com cimes?
-- No precisa ter cimes -- Grace garantiu. -- Voc sabe o que sinto por
voc. -- Depois, com a ereo dele dura em seu estmago: -- Ah, Oliver,
voc acha que devemos...?
-- Acho que sim -- respondeu, abafado.
E fizeram.
Prximos lanamentos


Paixo
No CALOR   DA SEDUO   -- Penny Jordan
A atraente Lucy Blayne desapareceu da mdia desde que foi revelado que
seu marido a traa e desviava capital de sua empresa. Ela se divorciou e a
empresa est enfrentando srias dificuldades financeiras. Decidida a
reestruturar os negcios, ela conta com a ajuda do conselheiro Marcus
Carring, banqueiro rico e famoso. Marcus  um solteiro convicto, mas a
proximidade de Lucy desperta nele desejos inconfessveis.


UMA   NOIVA REBELDE   -- Helen Bianchin
O bilionrio Tyler Benedict tinha um casamento perfeito at voltar para
casa e encontrar sua cama vazia. Lianne, sua esposa, havia partido! Tyler,
ento, resolve contrat-la para ser sua advogada -- uma proposta que ela
no pode recusar. Porm, desta vez, Lianne sabe de suas manipulaes: ele
quer mais do que uma mera relao comercial. Tyler a quer em sua vida
novamente!


J nas bancas


No   CALOR DO AMOR    -- Penny Jordan
Silas Carter  um bilionrio americano e solteiro, convidado para todas as
festas de celebridades. O amor no est nos planos dele, mas um casamento
de convenincia sim! Julia Fellowes  bonita, bem-relacionada e a esposa
perfeita para Silas. O prazer de t-la em seus braos ser somente um
bnus.
